Gostaria de dar a minha humilde opinião.

Para melhor a fazer passar, optei por me socorrer de um tema que não tem sido muito referido neste espaço de opiniões, a não ser pelo analista das "Elióticas" (Sol Dado ).

Trata-se das "ELLIOTT WAVES".

Este tema é de difícil explicação no espaço de um pequeno texto, pela sua complexidade, tornando difícil a sua compreensão para quem não tiver já umas noções sobre o assunto.

Procurarei pois, tentar resumir, sem grandes conceitos técnicos e usar uma linguagem acessivel, pedindo desde já, desculpa por isso aos "experts" nesta matéria.

R.J.Elliott chegou à conclusão, após muitas análises de gráficos, que factos mundiais relevantes, ocorridos em determinados períodos, se ajustavam às constantes oscilações das cotações ou índices das bolsas, quer num sentido, quer noutro.

Bob Prechter, seu seguidor nestas análises, verificou que esses factos relevantes, tais como , a revolução industrial, as mudanças em estruturas políticas, sociais e ideológicas, grandes descobertas técnicas e da electricidade e do petróleo, evoluções nos transportes e comunicações, crises de vária ordem, conflitos e guerras, não só apareciam reflectidos nos gráficos dos índices, " à posteriori ", como tambem, curiosamente, por antecipação, sobrepondo-se perfeitamente os efeitos previsíveis desses factos, às ondas desses gráficos.

Estudando a evolução das cotações, nos gráficos, até aos seus primórdios e tendo em conta esses factos relevantes, até então ocorridos, ajustou essa análise aos períodos anteriores à existência da "bolsa", baseando-se noutros valores económicos, possivelmente comparáveis.

Concluiu que há uma determinadea sequência de ondas nos gráficos, com uma regular disposição.

Verificou também que as ondas maiores dos gráficos continham outras ondas mais pequenas dentro delas próprias, que apresentavam exactamente o mesmo padrão de evolução, levando-o a poder prever com pouca margem de erro as próximas evoluções.

Concluiu ainda que uma tendência prolongada de descidas ou de subidas, se verificava, apresentando uma série de 5 ondas, das quais a 1ª, a 3ª e a 5ª seguiam a tendência de base, às quais chamou "ondas impulsivas", sendo as 2ª e 4ª sempre de tendência contrária, como que a impedir o normal curso da tendência de base. Este conjunto de 5 ondas formava por sua vez, uma onda de outro "grau".

A estas 5 ondas, seguiam-se normalmente 3 ondas em "zig-zag" A, B, C, que tambem, por sua vez, formavam elas próprias uma nova onda de tendência contrária às 5 anteriores, a que chamou, "ondas correctivas".
Este conjunto, ou esta sequência,verificava-se sempre. Sendo assim, só restava ir avaliando as próximas evoluções do mercado e ir analisando a sequência das novas ondas de acordo com aquele padrão.

Resumindo, as ondas ímpares são sempre "impulsivas", (determinantes da tendência), enquanto que as pares são "correctivas", (contrárias à tendência de base).

Para uma contagem correcta das ondas, concluiu que das 5, a onda 3 nunca era a mais pequena, que a onda 4 nunca invadia os valores da 1 e que a 2 nunca ultrapassava o pico da 1.

Elliott definiu a existência de " Graus de ondas " relativamente à sua amplitude e interpenetração. São eles :

"Grande Superciclo" - "Superciclo" - "Ciclo" - "Primária" - "Intermédia" - "menor" - e - "Actual" .

Há no entanto um problema que R.J. Elliott e seguidamente, Bob Prechter nunca conseguiram resolver, que foi o factor temporal das mudanças de onda, ou a detecção exacta do seu término de acordo com o tempo decorrido.

É possível defini-las à posteriori, prever a sua evolução próxima futura, mas não a sua extensão temporal.

Para dar uma ideia da duração dos vários graus (considerando por ex. o gráfico do "Dow") pode-se ver por ex :

Grau Primário : Podem-se encontrar 2 ondas complectas, uma desde os fins da II grande Guerra até ao início da Guerra do Vietnam e uma outra, desde aí até Janeiro de 2000. Estas 2 ondas duraram 55 anos.

Grau Ciclo : Neste caso verifica-se uma onda desde o fim da Grande Depressão (1932) até Janeiro de 2000, ou seja , uma só onda com 68 anos.

As ondas de Grau Superciclo e Grande Superciclo atingem durações muito maiores, assim como, ondas de Grau Intermédio podem durar aproximadamente de 4 a 10 anos e as de Grau Menor ou de Grau Actual, muito e muitíssimo menos, mas sempre de duração imprevisivel.

Acrescente-se ainda, pela sua enorme importância, que cada "amplitude", no sentido de subida ou descida da onda, tende a variar de acordo com as "Linhas de Fibonacci", das quais, a de variação de 61.8% apresenta características muito especiais ( mas isso já seria ,por si só, um outro tema muito interessante).

Curiosamente, é hoje muito difíl e muito discutível, avaliar se são os acontecimentos que determinam as ondas ou se são estas que conduzem os acontecimentos futuros, parecendo ser esta a ideia prevalecente, o que é extremamente interessante.

Com o conjunto das "ondas de Elliott" e das "linhas de Fibonacci" é possível com muita probabilidade, definir "pontos de viragem" que são indicações muito importantes para se tomarem posições "curtas" ou "longas", ou ainda decisões de "stop", com muitas hipóteses de sucesso.

Chegado a este ponto, não é possível desenvolver muito mais, sem o risco de entrarmos em conceitos difíceis de expôr neste espaço.

Do que ficou dito e verificando-se, dentro de uma tendência de base, movimentos de acordo com essa tendência e outros contra ela, aqui se coloca de novo a questão que serve de título a este texto :

O QUE É Bull ?... O QUE É BEAR ?...

É A TENDÊNCIA DA ONDA SOBRE A QUAL ASSENTA O HORIZONTE TEMPORAL DO INVESTIDOR.

Passo a esclarecer :

Neste momento, "previsivelmente", estamos numa situação :

de onda 4 (Actual) ( 4 é bear )
de uma " C (Menor) ( C é bull )
da " 2 (Intermediária) ( 2 é bear)
da " 1 (Primária) ( 1 é bull )
da " 3 ( Ciclo) ( 3 é bull )
da " A (Superciclo) ( A é bull )
da " 4 (Grande Superciclo) ( 4 é bear )

Em termos práticos dizemos : uma 4 da C da 2 da 1 da A da 4 .

Tendo presente os "Graus das ondas" acima referidos e considerando por absurdo ( porque nenhum de nós estará cá para ver ) um investimento de "Grau Grande Superciclo" estaríamos numa "era" bear, porque 4 é bear.

Se por exemplo, o investimento tivesse em vista um período equivalente a um "Grau Menor" poderíamos dizer que estavamos num bull , porque C é bull.

Por exemplo ainda, "um A da 4" quer dizer um bull a que se seguirá um bear, ou , um buul dentro de um bear.

Segundo este método, em cada momento, em investimentos de curto prazo, estamos a "tentar analisar" qual será "previsivelmente" a evolução de determinada onda e a "tentar interpretar" que tipo de onda se está a formar, em função da sua evolução dentro das linhas de Fibonacci .

Pode acontecer que, se ultrapassa determinada linha (ou valor), a tendência pode ser uma e a onda pode ser "previsivelmente" determinada, mas se inverter a cotação ou valor, antes de ultrapassada essa linha, a onda poderá ser de tipo diferente da que pensavamos e a tendência poderá ser outra.

É isso, ou essa convicção, ou esse "sentimento" que determina a nossa tomada de posições no mercado.

Quando se fica "curto",ou "longo" é porque o nosso "sentimento" da evolução do mercado, num detrminado sentido, para um determinado prazo, é respectivamente, bear ou bull.

Entraríamos aqui num outro tipo de avaliação da evolução do mercado, se um grande número de posições é tomada, num curto prazo, num mesmo sentido mas entraríamos num campo de análise já suficientemente exposto
por (Capablanca, ou César Borja).

Peço desculpa ao "forum" pela extensão do texto, mas o assunto em causa, a isso obrigou.

Holly (6 Abril 2000)

Comente este artigo no Fórum do Clube