À semelhança do Japão, a economia americana vive o ajustamento provocado pela explosão de uma bolha especulativa do mercado de acções e, há receios de formação de bolha também nos mercados imobiliários e de dívida pública. O produto cresce abaixo do potencial e a inflação baixa para níveis próximos da unidade, tornando, assustadoramente e praticamente ineficaz qualquer política monetária.

Mas, deve notar-se, que ao contrário das pouco diligentes autoridades japonesas no príncípio dos anos noventa, o FED está atento, e dispõe-se, inteligentemente, a utilizar como ninguém, todos os instrumentos de política económica ao seu alcance. Além de actuar no corte de taxas de juro, acompanha essa acção com cortes de imposto e depreciação da moeda. Assim, estimula o consumo, em ocasião, onde a relativa alta de desemprego não ajuda. Espera-se assim, que as empresas aumentem as suas exportações, devido à baixa de custos, provocada pelas políticas referidas.


Mas, deve notar-se também, que a economia americana tem um reduzido grau de abertura ao exterior, como grande bloco económico que é, quase auto-suficiente, em que as exportações apenas representam 10% do seu PIB, o que torna o estímulo externo pouco eficaz.

O reduzido grau de abertura da economia americana, torna pouco eficaz também a possibilidade da depreciação cambial actuar no aumento de preços via importações, promovendo a inflação e reduzindo a deflação.

Mas há uma dificuldade acrescida na política expansionista do FED. Vejamos: A queda de taxas de juro por parte do FED, gera redução de custos. Como a economia está deprimida, as empresas, por uma questão de competitividade e aumento de vendas via preços, repercutem para os consumidores o abaixamento de custos via preços finais. Então a deflação pode-se intensificar perigosamente.

Haverá razões para a economia americana cair numa situação igual à Japonesa e à grande depressão? Em ambos os casos houve rebentamento da bolha, mas cometeram-se demasiados erros que os Americanos mais capazes, não vão cometer. Assim, na grande depressão, não se reduziram os juros de curto prazo, não houve estímulo fiscal (Só depois de 1933) e os USA mantiveram-se, teimosamente, no padrão ouro.

No caso do Japão, cometeram-se erros de palmatória, os Japoneses, subiram as taxas de juro e deixaram passar demasiado tempo até empregarem políticas monetárias e fiscais de expansão. As taxas de juro de longo prazo mantiveram-se elevadas até 1995.

Em contraste, os americanos, logo em 2000, começaram a cortar as taxas de juro de modo agressivo, com política fiscal também muito expansionista.

Deve dizer-se, por último, que o sistema bancário americano nada tem a ver com o Japonês. O Americano, é sólido, e as relações dos Bancos com as empresas são mais eficientes e transparentes.

Não parece que a deflação vá vencer. É possível que continue alguma quebra de preços, mas a eficiência e competitividade da economia americana, será suficiente para evitar que expectativas de deflação se enraizem nas decisões dos investidores e consumidores, baixando demasiado os preços

Contudo, parece-me que entramos num período em que o potencial de crescimento evoluirá muito mais lentamente. Caminharemos para o célebre período estacionário da economia? Talvez seja mais razoável pensar-se num crescimento futuro mais moderado, a menos que surja qualquer grande inovação tecnológica.

Os meus cumprimentos.

Forever