Os actores secundários, têm papéis com menos interesse, mas também contribuem para o êxito da peça. Esses actores menores têm nomes fora do comum tais como “Neutros”, “Bull-à-espera-do-2ºSemestre”, “Bull-a-aguardar-correção”, “Bear-sofredor-que-ainda- resiste”,“Bear-cheio-de-razão-antes-de-tempo”. Para além de muitos outros…

Não é necessário dizer que todos os referidos actores, para além de um sem número de figurantes, conseguem transmitir um ambiente de extrema boa disposição a um espectáculo de alta comédia que atinge um nível completamente fora do comum.

Já antes assinalei que os críticos/analistas profissionais têm feito eco dessas posições por vezes extremadas dos actores do mercado, mas com a pretensão de levar a sério uma questão que, por não ter solução, está acima de qualquer crítica. Esses críticos perdem por completo o sentido da peça, ao não perceberem que os actores agem de uma maneira estranha pela muito simples razão de que já não fazem ideia do seu papel original, antes deambulando ao longo do mercado de acordo com a sua capacidade de improvisação e adaptação.

Tal como se de teatro se tratasse, a vida nos mercados de capitais tem cada vez mais as características de ficção que faz todo o seu encanto, mas também abre o caminho a todos os perigos.

Com grande dose de espectáculo, as Bolsas dão o tom na redinamização financeira, empurrando todo o bom gestor de fundos (dos outros) a comprar sem parar, com medo de perder o emprego se agir com mais ponderação (ou menos visão?...) e perder a onda do bull market.

Sendo certo que o verdadeiro negócio, a todos os níveis, é a subida do mercado, não só pelo seu carácter digamos afirmativo, optimista e vencedor, mas até porque assim todos ganham, não é?, numa sequência normal de aumento da riqueza, ia dizer nacional, mas não, é mesmo americana, pois nisto como noutras coisas só conta falar dos Estados Unidos da América!...

A propósito, aguardo ansiosamente o que o FED vai decidir no próximo dia 25. Mantém as taxas em 1,25%, desce para 0,25% ou surpreende com um corte de 0,50%? Eu acho que é extraordinariamente interessante o que irá acontecer, pois o puzzle está complicado e há também que preparar devidamente a eleição do Bush para 2004 (!). A taxa de juro é só uma zona importante de um grande tabuleiro político-financeiro. Em bom rigor se calhar não era sequer adequado mexer nas taxas, mas os futuros já descontaram uma descida entre 0,25 e 0,5 e, no fundo, o FED tem é que pôr as taxas aos níveis que façam funcionar o mercado de forma normal. Como parece que vai haver descida, a taxa que ficar (0,75% ou 1%) deverá ser a última desta “série”, durante muito tempo, passando a funcionar como mínimo (para o bem e para o mal).

E então, qual a provável direcção dos mercados a partir daí? Não sei, não olhem para mim, eu sou um espectador muito interessado, mas quero observar e gozar o espectáculo.

De qualquer modo, arranjam-se sempre argumentos para qualquer eventualidade: subida, descidas, consolidação, correcção, bolha, crash. Tanto faz, tudo se pode prever e justificar, até mesmo com toda a convicção.

O sentimento dominante é que isto está excessivamente bullish e Julho vai ser o mês da descida (correcção, volta ao bear market?) e … ia sendo apanhado outra vez a tentar fazer previsões de mercado! Mas nada de distracções, que o FED tem um programa de injecções de liquidez que parece que é do melhorzinho que se pode arranjar.

Vamos lá ver se ele nos pode dar de bandeja um verdadeiro Bull Market de encomenda.

Um abraço e bons negócios

Comentador