Parte 1(publicada a 14/07/2003)

Acreditam na teoria que o Japão é tão rico que pode comprar o seu próprio colapso? Afinal de contas é aquilo que se vai ouvindo, a enorme dívida que pesa sobre o país devido a um sistema bancário podre e falido é protegido pelo próprio estado, sendo assim o caso de o japão ser dono de ele próprio. Mas não estamos a falar da Tailandia, Russia ou Argentina.

Não , não é a Russia ou Argentina. De facto é potêncialmente algo muito pior. O Japão é +- 42 vezes maior do que a Tailandia(responsável pela crise asiática de 1997).

Pensem no seguinte, com talvez cerca de $11 triliões em poupanças os japoneses teem poupança suficiente para se salvarem. Até parece que tal poderia suceder, até tomarem consciência que a dívida na habitação, emprsas, e governo atinge o módico numero de $30 triliões (de acordo com estimativas da Goldman s Sachs). Este numero de dívida é 6 vezes o actual gdp de cerca de $5 triliões( o total de dívida pública e privada americana é de cerca de $19 triliões qué apróximadamente duas vezes o PIB nacional).

Estes ratios do Japão veem piorando todos os meses com o efeito da deflação, que deverá andar nos 4% ao ano(medido através do índice de preços do consumidor), a taxa de deflação maior do mundo! A deflação dos EUA nos anos trinta agravou a depressão. E tal doença pode ser contangiosa. Os toyotas japoneses já estão a pressionar fortemente os preços dos automóveis americanos. E com os Japoneses a desvalorizarem a moeda deles constantemente torna esses toyotas ainda mais baratos para os consumidores americanos. Isto envia autênticas ondas de choque para as economias americana e europeia que já flirtam problemas de deflação.

Ao mesmo tempo o Japão tem uma bomba relógio de dívida em casa, é também o maior credor(o que se por um lado é bom , por outro num cenário recessivo pode ser um expoênte dos seus problemas). Se os bancos japoneses começarem a reclamar os seus créditos no estrangeiro, com por exemplo uma corrida aos bancos japoneses(á imagem do que aconteceu na argentina), uma forte contração enguliria a América e o Mundo!!

Parte 2 (publicada a 04/08/2003)

OK...é verdade, o espectro de tal cenário dantesco está ainda por se materializar embora ande a ser anúnciado há mais de uma década.

Alguns economistas veiculam a ideia que quem empresta dinheiro iriam movimentar esses fundos para casa onde as yields estão mais baixas. E muitos dos $3 trilioes japoneses no off shore é em “hard assets” , tal como fábricas que não podem ser repatriadas.

No entanto, considerem o que aconteceu em menor escala em 1997. Bastou o colapso de um banco médio japonês, Hokkaido Takushoku(com bens no valor de $80 biliões), para tansformar os problemas da Tailândia numa crise regional. Segundo o analista de risco Thomas Byrnes da Moody`s nos 3 meses a seguir ao colapso do banco, as instituições financeiras japonesas retiraram da economia global cerca de $118 Billiões, a maioria na ásia e europa de leste. A Koreia do Sul, a 10ª maior economia do mundo, chegou mesmo a falir com o levantamento do dinheiro japonês.

Os 4 maiores bancos japoneses com problemas podem reclamar créditos no valor de $3.7 triliões(Mizuho-1.250/sumitomo-915/mitsubishi-830/ufj holdings-700) o que é muito dinheiro, e falamos apenas de 4 bancos.
Não iria ser só a asia e a Koreia que iriam sofrer, caso estes prblemas entrem em erupção. O Japão é a maior fonte de capital do mundo. Muitos dos seus bens off-shore($3triliões) estão em “liquid assets” como por exemplo $333 biliões em dívida pública americana, e empréstimos a bancos americanos e europeus no valor de $ 350 biliões e $360 respectivamente.

Bem eu agora pergunto se alguém está a prestar atênção ao que estou a escrever???

É que os média(e todos em geral) estão mais preocupados sempre com outras coisas, como o caso da argentina, ou os escandalos financeiros já comuns no EUA e as famosas guerras .

O mercado de títulos e os sonhos maravilhosos tem boas prespectivas no curto prazo, mas essas prespectivas são frágeis, pois dependem exclusivamente da contínua entrada de capital estrangeiro, e tais importações de capital não vão durar para sempre, as fortes desvalorizações e volatilidade do $/E em muito vão contribuir para isso num futuro próximo(mais no investimento europeu), bem como uma qq crise no “equity market” americano, que só parece impossível para alguns sonhadores.


Parte 3 (publicada a 30/08/2003)

Se o pânico causar uma fuga dos japoneses da sua própria moeda, o $ é capaz de subir imenso, criando uma bolha, que poderia alimentar o mercado financeiro especulativo durante algum tempo.
Pode saber bem agora de ínicio e na sua continuação, mas o após é sempre muito destrutivo como se viu em 87 e 00.

Após 3 anos consecutivos de downgrades o Japão tem o rating de dívida em Aa3, com outloook negativo, é portanto o pior rating de qualquer nação desenvolvida. E vejo um default como possível dentro de 4/5 anos no máximo. O Japão está numa situação nunca vista antes nas mesmas condições em nenhum país, portanto tudo o que digam os economistas sobre o Japão é em grande parte fantasia. As agências de notação financeira falharam na Rússia, Argentina, coreia. Nunca
estas agências conseguiram avisar a tempo os investidores para fugirem de determinados bens cujo os valores vão entrar em colapso.
No caso Japonês vai ser igual seguramente. Não existe registo de um único governo que tenha conseguido pagar a dívida igual a várias vezes o PIB, e o Japão não será excepção.

Hoje em dia um número cada vez maior de pessoas vai acreditando na saída do JAPÃO da lama. Se tal vier a ser verdade então um dos grandes magos foi Masatochi kikushi, um dos estrategas da Merril Lynch que tinha previsto em 2001 uma recuperação da economia japonesa para finais de 2003, com um gradual pagamento da dívida japonesa.(embora por razões políticas não se saiba ao certo o valor total da dívida).

Realmente os japoneses ensinaram-nos ao longo da história que quando se empenham são um dos povos mais determinados na execução de objectivos ambiciosos.O acalmar recente da queda dos preços no Japão, vem nos dar alguma esperança para que as coisas melhorem do ponto de vista económico no futuro próximo, embora tal cenário ainda me pareça uma miragem, visto que uma andorinha nunca fez a primavera.

Aqui finalizo a minha apreciação do caso japonês, espero ter dado alguma ajuda na clarificação da situação japonesa que é muito mais complexa que esta breve abordagem.


Cumps a todos e bons negócios

Scubawarrior