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BPI - Análise Técnica e Fundamental
Comentário Técnico:
O BPI perdeu -80% desde o máximo de 2007 a 6.68€ até ao mínimo de Dezembro 2008 nos 1.335€, depois disso teve um curto rebound mas voltou às proximidades desse mínimo num "duplo fundo" em Março de 2009. O processo de recuperação que se seguiu em todo o mercado trouxe o BPI aos 2.57€, um movimento de +92.5% face aos mínimos.
Gráfico de Médio prazo: (escala semi-log)
 Gráfico produzido com MetaStock™, software de Análise Técnica Profissional.
Repare-se que este processo de alta, apesar de significativo limitou-se a trazer o BPI para perto do seu primeiro retrace de Fibonacci (FIB-I a 2.60€), um movimento que na minha opinião não altera ainda a tendência primária de baixa no longo prazo. No médio prazo não há grandes dúvidas, o BPI apresenta uma forte tendência ascendente e o mesmo se pode dizer da sua time frame de curto prazo que ainda hoje atingiu um novo máximo relativo nos 2.57€, apenas 3 cêntimos abaixo do primeiro nível de Fib.
Olhando para o gráfico de curto prazo podemos retirar mais conclusões e pontos de referência:
Gráfico de curto prazo: (escala semi-log)
 Gráfico produzido com MetaStock™, software de Análise Técnica Profissional.
Os principais valores de referência que identifiquei no BPI estão anotados no gráfico, mas posso deixar as seguintes notas:
- O Upside está limitado para já nos 2.60€ que são os 23.6% de Fib já mencionados, antes disso tinha anotado a projecção Fib do swing anterior já atingida e superada nos 2.47€. Não estou muito focado em novas projecções para já, apesar de ter sido feita uma curta consolidação há umas semanas atrás e que poderia dar um potencial de ~20 cêntimos no caso de breakout em alta por mera soma de amplitudes, no entanto estou nesta altura mais focado em estudar o downside de curto prazo.
- Existem 2 referências de downside que estou a tomar em consideração como as zonas mais prováveis de serem testadas na próxima consolidação, estas referências são os 2.35€ que correspondem à zona actual do suporte ascendente de médio prazo (uma LT já com 6 contactos seguidos de reacção em alta); e os 2.30€ que são a ema50 actualmente com declive bastante acentuado. Abaixo destas referências temos os 2.10€, embora só os equacione num contexto mais pessimista. Deixei a azul no gráfico um dos cenários que considero provável para a próxima consolidação, embora seja meramente uma hipótese.
- Numa outra aproximação, e usando o swing anterior como comparação e os níveis standard para uma consolidação, temos os seguinte estudo:
Gráfico de curto prazo: (estudo de Fib nos 2 swings)
 Gráfico produzido com MetaStock™, software de Análise Técnica Profissional.
- A correcção ao primeiro swing deu-se no nível 50% de Fib, tal nível encontra-se agora nos 2.13€ no swing actual, embora os níveis mais comuns sejam os 2 seguintes, aproximadamente nos 2.25€ e nos 2.36€ sendo os níveis que deixei anotados.
Apesar da tendência de alta de médio prazo estar fortíssima, considero que aos níveis actuais é bastante provável uma consolidação, existem já várias divergências de indicadores contra os últimos dois máximos relativos e o BPI está já relativamente afastado do seu suporte ascendente, referência que já não testa desde o inicio de Setembro.
Comentário Fundamental:
O BPI apresentou ontem os seus resultados 3Q09:

Apesar do tom optimista do relatório da empresa e da maior parte das notícias serem deste tipo: «Lucros do BPI aumentam quase quatro vezes»
Devo dizer que não partilho desse entusiasmo, para quem estiver pouco por dentro do histórico de resultados, este tipo de comparações homologas descontextualiza completamente o "bias" dos números apresentados, repare-se que os resultados foram realmente quase 4X maiores do que o período homologo do ano passado, mas o ano passado foi o pior ano desde 2002 e não é propriamente um bom termo de comparação.
Na verdade, se olharmos antes para a evolução de trimestre a trimestre temos de certeza uma visão menos sensacionalista do que a apresentada nas notícias e "assimilada" pelos investidores menos atentos:

Na verdade, a margem financeira caiu pelo 3º trimestre consecutivo, e os próprios resultados líquidos mantém uma tendência pouco entusiasmante.
Repare-se que mesmo assim os resultados do trimestre foram bastante influenciados pelo aumento dos ganhos financeiros, caso contrário teriam sido ainda menos expressivos.

Os resultados foram ligeiramente acima das estimativas da poll, mas não deixam de ser novamente números fracos que não dão grande entusiasmo a um cenário de inversão fundamental, o banco mantém-se pressionado na margem financeira e este parece-me ser o ponto principal para justificar uma viragem sustentada.
A poll actual de estimativas é a seguinte:
Esta tabela tem o layout "industrials" e não a consegui obter com o layout "banking" mais apropriado para este caso, de qualquer forma pode-se olhar para o Net Income e para o EPS, temos assim um EPS de 0.17€ FY09 e de 0.20€ FY10, que dão os seguintes múltiplos provisionais: P/E 14.67X FY09 e P/E 12.45X FY10, valores ligeiramente abaixo do sector, especificamente em Portugal temos somente o BES com um P/E FY09 inferior ao do BPI, estando a média do sector nos 17.4X FY09.
Dos researchs que li, os comentários aos resultados são pouco expressivos, demonstrando que foram ligeiramente acima das estimativas mas genericamente novamente um trimestre fraco. O price target médio da poll de 10 analistas situa-se nos 2.10€. Os analistas do CaixaBI apesar de não terem considerado os resultados surpreendentes tem um rating BUY com target a 2.80€. A UBS tem como comentário aos resultados o título "Weak numbers despite Angola & not cheap", mantêm rating Neutral com update do target 12m nos 2.50€. A JP.Morgan comenta "Overall, an uninspiring set of results by BPI, saved by strong trading income", mantêm Neutral e um dos piores targets da poll nos 1.6€, baseado num múltiplo conservador do PTBV (Price to Tangible Book Value) a 1.4X 10E.
Notas: Em jeito de resumo, gosto do padrão técnico do BPI embora considere muito provável um período de consolidação no curto prazo até às primeiras referências de downside mencionadas, mas para já com um médio prazo bem definido em alta. Em relação aos fundamentais, conforme referi noutros comentários, não estou muito optimista em todo o sector da banca, o BPI não é excepção embora apresente uma situação bastante mais interessante do que o BCP por exemplo, mas não por isso entusiasmante. Neste contexto (fundamental) não gosto da situação do BPI, considero-a pouco interessante e não sustenta um avanço de médio prazo na sua cotação, embora dado o contexto técnico de médio longo prazo, a volatilidade intrínseca deste tipo de papeis por si só pode justificar avanços (puramente técnicos) consideráveis mas não sustentados pelos fundamentais, o mercado está cheio de exemplos desses, incluindo o próprio BPI que está neste momento a valores superiores aos que considero "fair".
Bons Negócios,
Diogo Castro www.clubeinvest.com

Nota: os comentários apresentados são meramente artigos de opinião do autor, não devendo em nenhuma circunstância ser entendidos como recomendações de compra, de venda, de sugestão estratégica ou de aconselhamento financeiro.
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