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Biografia de Warren Buffett (II) - Artigo de Opinião
Topico: [The Snowball - Biografia de Warren Buffett]
Capítulo 15 - The Interview
Em 1949, de volta ao Nebraska, Warren retomara as actividades que tinha deixado para trás 2 anos antes. Para além do negócio das bolas de golfe, e de uma ou outra actividade empreendedora, tal como vendedor de roupa na JC Penney´s, na parte da manhã frequentava a Universidade do Nebraska.
Um ano mais tarde, quando apenas lhe faltavam alguma disciplinas para se licenciar, Buffett tomou uma decisão em sentido inverso ao que a maioria fazia nessa altura. Ele queria continuar a estudar e deixar o trabalho para segundo plano. A sua ambição - Harvard. Através de uma oportunidade de bolsa de estudo que leu num jornal local, decidiu comparecer na data fixada para se inscrever. Para seu espanto, mais ninguém apareceu, tornando-o automáticamente classificado. Passo seguinte, a entrevista. Parecia, ser favas contadas, até porque ninguém conseguia resistir-lhe logo que começasse a falar de acções e mercados financeiros. Por certo o entrevistador de Harvard não seria diferente. Contudo, no que mais tarde considerou um momento decisivo da sua vida, a sua candidatura foi rejeitada. Harvard formava líderes, e a imaturidade daquele jovem de 19 anos não permitia que fosse aceite.
De volta a Omaha, começou de imediato a pesquisar novas possibilidades. Umas das brochuras que lhe chegou às mãos foi da Universidade de Columbia, onde dois nomes se salientavam: Benjamin Graham e David Dodd.

Warren tinha lido recentemente "The Intelligent Investor", de Graham. Foi o livro que o marcou. É verdade que Buffett "devorava" livros, contudo este era especial. Parecia ter um conteúdo diferente daquilo que era transmitido na época, desmistificando os mercados, mostrando o lado mais matemático e menos especulativo de uma acção/empresa. Talvez fosse demasiado tarde, mas Warren tinha que tentar entrar em Columbia. Assim, completamente fora do prazo de candidaturas, decidiu enviar uma carta de apresentação. Nessa altura, Dodd era o vice-reitor e a dita carta acabou por ir parar à sua secretária.
Ao contrário de Harvard, Graham e Dodd não pretendiam formar líderes. A sua arte era mais especializada. Mesmo sem entrevista, a candidatura foi aceite.
Capítulo 16 - Strike One
Outono de 1951, Buffett chega a Nova Iorque, para frequentar a Universidade de Columbia.
Como era já hábito, mesmo antes de começar as aulas já tinha decorado os livros, nomeadamente o Security Analysis, cuja aula seria leccionada por David Dodd. Naturalmente que isso impressionou Dodd, até porque Warren era sempre "aquele aluno que sabia tudo e estava sempre pronto a responder".
Nesta altura Warren tinha conseguido poupar cerca de $10.000, grande parte dos quais estavam investidos em acções e obrigações. As suas leituras sobre o trabalho de Graham tinham conduzido a um investimento em particular - o retalhista Marshall -Wells. Como tal, e como agora se encontrava no centro do mundo financeiro, poderia ter a oportunidade de ir à primeira reunião de accionistas da sua vida. A escolha estava feita. Nessa reunião conheceu Louis Green, um investidor conhecido, grande amigo de Graham e do seu sócio Jerry Newman. Juntos, costumavam analisar empresas por forma a comprarem aquelas que lhes parecessem subvalorizadas face ao seu valor contabilístico. Era o método Graham a ser aplicado pela sua empresa Graham & Newman. Na conversa que se seguiu, Buffett tentaria impressionar Green, até porque seria mais um meio de poder vir a conhecer melhor Graham. Contudo não foi lá muito bem sucedido, porque após a pergunta: "Porque é que comprou Marshall-Wells?", Buffett impetuosamente respondeu " Porque Graham também comprou". Green, muito calmamente virou-se para Warren e disse-lhe "Strike one." (1)
Apercebendo-se que esta não era forma de escolher o que quer que fosse, Warren procurou aprofundar ainda mais os seus conhecimentos das técnicas de Graham. Nas suas leituras ficou a saber que Graham tinha uma percentagem de 55% de uma pequena companhia seguradora chamada GEICO.
Semanas de pois, dirigiu-se aos escritórios da seguradora e, apesar de ser Sábado, conseguiu ser recebido por Lorimer Davidson, vice-presidente. Aquilo que era para ser (pensava Davidson) uma conversa de 10 minutos para "despachar o miúdo", transformou-se numa troca de ideias de mais de 4 horas. Buffett teve a oportunidade de começar a aprender uma parte vital do que mais tarde viria a ser o seu método - saber "como as empresas fazem dinheiro".
Na segunda-feira seguinte, Buffett apressou-se a fechar um 3/4 dos seu portofólio, aplicando o dinheiro em 350 acções da GEICO. O negócio segurador, e particularmente a abordagem inovadora da empresa pareciam-lhe uma oportunidade a não perder. Nessa altura a GEICO transaccionava a $42, com um múltiplo de cerca de 8 o seu EPS. A maioria das outras empresas transaccionava a múltiplos muito superiores. Em 5 anos, e segundo a sua análise, esperava que pudesse cotar entre os $80 e $90. As maiores corretoras especializadas em seguros disseram-lhe, após consulta pessoal, que ele estava doido. A GEICO tinha apenas 1% do mercado e seria impossível competir contra os gigantes seguradores.
Warren não percebia como eles não conseguiam ver aquilo que estava mesmo à frente dos seus olhos.
(1) Expressão utilizada no Baseball para quando o batedor falha a primeira bola arremessada pelo pitcher. Neste caso, trata-se de uma alusão a uma resposta supostamente falhada por Buffett, até porque ele sabia que os motivos da compra não eram apenas a mímica dos movimentos de Graham.
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Capítulo 17 - Mount Everest
Primavera de 1951. Warren estava no segundo semestre em Columbia, o seu pai tinha sido reeleito para um 4º mandato no congresso e, mais importante, iria ter a oportunidade de finalmente conhecer o seu ídolo.
Benjamin Graham, nascido Benjamin Grossbaum provinha de uma família que havia sofrido os temores de várias crises e depressões. Um dia abastados, viram-se após a morte do seu pai (tinha Graham 9 anos) numa situação de autêntica penúria. Foi neste clima que Graham cresceu, em constante luta alicerçada numa inteligência quasi-renascentista. Fluente em francês, grego e latim, para além do profundo gosto pela matemática e assuntos financeiros, aprofundou ao longo da sua vida a paixão pelas artes. Ainda que frustrado, tinha o sonho de escrever uma peça para a Broadway. A sua personalidade era muito reservada, considerando os autores clássicos como os seus verdadeiros confidentes, não considerando ter feito qualquer amigo desde os tempos do liceu.Muitos o conheciam e respeitavam, nenhum era verdadeiramente um amigo per si. Desde jovem trabalhou em corretoras, desde moço de recados até ao ponto em que pode fundar a sua. Tinha uma outra grande paixão, melhor dizendo, paixões - as mulheres. A monogamia era uma expressão que constava numa página que o seu dicionário não tinha. Embora fosse obsessivo quando se sentia atraído por alguém, e a beleza não fosse um dos seus pontos fortes, sabia-se que muitas mulheres se sentiam atraídas pelo seu forte carácter, e que o "monte Evereste" que ele era constitui um desafio que muitas não resistiam a superar.
Como seria de esperar, Buffett tornou-se rapidamente a estrela da sua aula, sendo o único aluno que conseguia a nota máxima, A+. As aulas era autênticos diálogos a dois que os outros alunos, muitos deles executivos que assistiam às palestras de Graham, se habituaram a seguir, sem que muito pudessem fazer.
Foi aqui que Warren aprendeu que o mais importante na análise de uma empresa passa por determinar o seu "valor intrínseco", isto é, o valor que ela teria caso tivesse que pagar as suas dívidas e vender os seus bens. Interessaria comprar empresas com um valor intrínseco inferior à cotação de mercado. Por outro lado, e porque se tratava de uma ciência falível, era também vital avançar com uma margem de segurança, sendo mesmo este o conceito mais importante. O investimento é feito com base em assunções e estimativas, convinha assim pecar por defeito, por forma a não se ficar a braços com um investimento ruinoso. Isso advinha da fortíssima aversão ao risco que Graham tinha.
Contudo, havia uma regra que Warren não seguia, a diversificação através da compra de pequenas parcelas de muitas empresas. Recorde-se que nesta altura Buffett tinha 3/4 do seu capital investido numa única empresa, na GEICO. Era no entanto esta profunda admiração e o facto de ser o melhor aluno que Graham jamais havia tido que fazia com que Warren quisesse dar o próximo passo - trabalhar para Graham. A proposta veio, com o bónus de ser trabalho grátis.
Graham declinou.
Capítulo 18 - Miss Nebraska
Este capítulo, inserido na parte final da 2ª Parte do livro, retrata o verdadeiro início da vida amorosa de Buffett.
Desde a primeira vez que conheceu Susan Thompson, que a principio não demonstrou qualquer interesse por ele; ao "relacionamento" que manteve com Vanita Brown, a Miss Nebraska; até à conquista do coração de Susan, após a conquista do coração e da amizade do seu pai.
Nesta mesma altura Warren procurou melhorar as suas capacidades relacionais, inscrevendo-se num curso da Dale Carnegie, com a esperança que tal curso facilitasse a conquista do coração de Susan. Segundo ele próprio afirma, este é ainda hoje o curso mais importante que tirou em toda a sua vida.
Em Abril de 1952 estava assim marcada a data do seu casamento. Um passo para a maturidade?
Capítulo 19 - Stage Fright
Uma nova fase da vida de Warren ia-se iniciar - o casamento, e o com isso o sustentar de uma família.
Assim, a decisão foi a de começar a trabalhar com o pai na sua empresa de corretagem. Aquilo que a principio lhe parecia um emprego de sonho rapidamente se transformou numa cruzada de esforço. Os negócios não lhe corriam muito bem e as recomendações e compras que fazia para os seus clientes saiam algumas vezes ao lado. Tal como uns anos antes, quando comprou acções em seu nome e em nome da sua irmã, também agora Warren se sentia responsável pelas perdas que muitos dos clientes por vezes tinham. Por outro lado, ter de comprar e vender acções em que não acreditava também lhe dava a volta ao estômago. Ele acreditava no investimento de longo-prazo, contudo, este tipo de investimento não gerava as receitas que um corretor necessita para viver, sob a forma de comissões. Desta forma, ele estava basicamente a ser pago pelo numero de negócios que fazia, independentemente dos resultados que atingia. Sentia-se um médico a prescrever medicamentos.
A melhor opção passava claramente pela gestão directa de fortunas e não tanto pelo negócio de intermediário. No entanto outros valores mais prementes de levantavam neste momento.
O seu casamento ocorreu a 19 de Abril de 1952, apesar de ter estado quase para não acontecer, devido às cheias que inundaram a região nessa altura. Na época Warren estava na Guarda Nacional e por sorte, e à última da hora, acabou por ser o único recruta a não ser convocado para as equipas de emergência de cheias.
A sua lua-de-mel, embora sem grandes detalhes, passou-se numa viagem de carro, as famosasroad trips, até à costa oeste, onde ainda teve a possibilidade de passar por Las Vegas e ganhar, ou melhor, Susie ganhar um jackpot nas slot machines.
FIM DA PARTE 2
PARTE 3 - THE RACETRACK
Capítulo 20 - Graham-Newman
A partir de 1952 começa a verdadeira carreira de Buffett. Após o seu casamento, continua a trabalhar na corretagem, embora sempre persistindo na tentativa de trabalhar para e com Graham. A família vai aumentando, nasce a sua primeira filha, ao passo que o seu pai sofre um forte e definitivo revez político aquando da vitoria de Eisenhower para a Presidência.
Por fim, em 1954 é aceite a sua tenaz candidatura e entra finalmente para a Graham-Newman. Inicia-se aqui a famosa parceria entre Warren e Benjamin Graham. O mais interessante neste capítulo é a evidência das diferenças entre Warren e o seu mentor. Graham, era um metódico, adepto fervoroso da diversificação, chegando ao ponto de ter posições de $1.000. Ele acreditava em comprar empresas esquecidas por Wall Street. Para ele, deveria olhar-se para uma empresa segundo o valor que teria caso amanhã estivesse liquidada, morta. Caso se conseguisse comprar a desconto face a este valor, então estar-se-ia a compra dentro de uma margem de segurança. Acrescente-se isto à diversificação e, voilá, um investimento seguro e rentável.
Warren por outro lado acreditava piamente nas suas capacidades de análise e stock picking. Desconsiderava a diversificação e sempre que possível tendia a colocar quase todos os ovos no mesmo cesto. A Geico havia sido disso um exemplo, que entretanto tinha vendido para comprar a sua mais recente descoberta - Western Insurance. EPS de $29 para uma empresa que era transaccionada a $3, era o que ele considerava uma slot machine em que o único resultado que saia era a vitória.
É nesta altura também que Warren começa a travar conhecimentos com outras figuras de Wall Street. Na mesma altura a familia alarga-se ao seu segundo filho - Howard Graham Buffett, em 1954.
CAPÍTULO 21 - THE SIDE TO PLAY
Entre 1954 e 1956 Warren trabalhou na Graham-Newman.
Um dos negócios efectuados nesta altura consistiu num processo de arbitragem que envolvia a empresa Rockwood & Co., produtora de manteiga de cacau e de pedaços de chocolate (os pedaços que se costumam encontrar em bolachas com chocolate) Ora, na época, o prelo do cacau tinha sofrido um aumento substancial. A Rockwood, embora fazendo parte do sector, não estava a conseguir aproveitar esta onda, pelo que necessitava de um investidor. A Graham-Newman entrou então em acção e encontrou alguém disposto a investir, de seu nome Jay Pritzer. Pritzer propôs dar a quem lhe vendesse acções da Rockwood, que na altura cotavam a $34, cerca de $36 em grãos de cacau como incentivo. Graham viu isto como uma simples e quase infalível possibilidade de fazer arbitragem, e lucrar $2 por acção. Quase infalível porque sempre havia a possibilidade de o preço do cacau cair e acabar por tornar este negócio em algo potencialmente ruinoso.Para evitar tal cenário, procedeu-se à venda de futuros de cacau de forma a precaver esta situação. Comissões à parte este foi um negócio em que os $2 foram garantidos. Quem ficou de fazer esta transacção foi Warren, que no entanto pensou de forma diferente.
Buffett, ainda que considerasse a arbitragem como algo interessante, achava que se Pritzer queria comprar acções da Rockwood, algum motivo teria. Na verdade a transacção só inclui certa parte dos stocks de grãos de cacau da Rockwood, devido a imperativos legais. Pritzer estava a pagar cerca de 80 libras (unidade de peso) por acção, contudo, Warren chegou à conclusão que na verdade se se dividi-se o numero de grãos em stock pelo numero de acções da Rockwood, um accionista teira acções que valeriam mais dos que 80 libras de cacau. Assim, não fazia sentido vender acções, ao invés comprá-las. Warren comprou 222 acções antes do negócio vir a lume, por cerca de $15. Quando todo o processo se concluiu as acções da Rockwood cotavam a mais de $85. Lucro final para Warren - $13000 (lucro estimado).
Mais uma vez ficava estabelecida a diferença entre Warren e Graham, um disposto a arriscar, baseado em muita análise, enquanto o outro, ainda que também analisando, preferia jogar pelo seguro.
Neste capítulo também vem descrito o negócio da Union Street Railway, uma empresa de autocarros, que transacionava a cerca de $30-$35 e tinha um valor contabilístico próximo dos $60, segundo contas de Buffett. mais uma ineficiência aproveitada. Além disso, a empresa como era uma regulated utility obrigada a pagar dividendos em múltiplos do par value, que era de $25. Nesta época era possível falar com a Direcção de uma empresa cotada, algo que para Warren era já um hábito. Ele veio a saber pela boca do presidente da empresa que na verdade iriam pagar $50 por acção!!
Ora, a partir do momento em que Warren comprasse uma acção, ela não só estaria automáticamente paga pelo dividendo, com algum lucro acrescido, como também ficaria com algo que detinha ainda valor intrínseco, ou como ele gosta de chamar, a slice of the business.
Em 1956 Graham decidiu reformar-se e naturalmente Warren foi proposto como seu sucessor, embora tivesse que ficar como junior partner na empresa. Buffett recusou.
Paff
Nota: os comentários apresentados são meramente artigos de opinião do autor, não devendo em nenhuma circunstância ser entendidos como recomendações de compra, de venda, de sugestão estratégica ou de aconselhamento financeiro.
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