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Estudo Fundamental do PSI20 (01) - Artigo de Opinião
ESTUDO FUNDAMENTAL DO PSI 20 - PARTE 1ª
Ao longo das próximas semanas, irei expor um estudo relativo às características fundamentais das cotadas que formam o actual PSI 20. Tenho notado que no fórum do Clubeinvest, existem cada vez mais pessoas interessadas em perceber como olhar para uma empresa, sem ter de perder uma vida e meia a analisar relatórios ou a depender da análise de outros. Este estudo é sobretudo feito para eles.
Devo fazer contudo uma ressalva inicial. Este estudo não visa propriamente determinar de forma taxativa em qual das empresas se deve investir, ou sequer, em que momento esse hipotético investimento deveria ser efectuado. Não é esse aqui o intuito, até porque no caso temporal, a utilização da análise técnica é um método complementar a tal propósito. Pelo menos assim o é na minha forma de investir.
O que aqui se pretende é expor o enquadramento fundamental de cada uma das empresas, procurar mostrar qual a sua solidez financeira e deixar pistas para que o investidor comum possa daí retirar as devidas conclusões. Como será aliás visível, nem sempre a AF é acompanhada por uma cotação a condizer.
Na primeira parte do estudo baseei-me no Rácio de Endividamento como ponto de partida para uma primeira diferenciação entre empresas.
Este rácio,
[PASSIVO /CAPITAIS PRÓPRIOS]
que mede a capacidade que cada empresa tem de se fazer valer de capitais próprios para financiar a sua actividade, face ao recurso a capitais alheios (nomeadamente a dívida ou possível diluição de capitais) apresenta-se como uma ferramenta básica para a escolha de um título/empresa.
A divisão que aqui faço é entre um valor inferior a 0.5, em que considero a empresa como possuidora de uma dívida baixa; e um valor superior a 0.5, sendo que neste caso já será considerada como tendo uma dívida elevada. Se bem reparam, 0.5 consiste em capitais próprios que duplicam o valor do passivo, isto é, um valor que poderá ser tido como bastante saudável. Naturalmente que quanto menor ou maior forem estes números, menor ou maior será o grau da mesma dívida.

*Dados conforme os últimos relatórios anuais disponíveis
Ao mesmo tempo, consoante a empresa se situe num destes dois quadrantes, será diferente o tipo de análise a ser feita. Para o primeiro quadrante, de dívida baixa, será feita uma análise de Cash-burner, uma análise em si mais simples e rápida, até porque (teóricamente) o risco associado é menor por via do menor nível de dívida.
Já no caso da dívida se cifrar em valores superiores a 0.5, isto é, empresas com elevada dívida, a análise terá de ser mais detalhada, consistindo em 11 pontos de análise. Devo desde já adiantar que, infelizmente, todas as componentes do PSI 20 se inserem neste quadrante, o que só nos pode deixar no mínimo preocupados. Pessoalmente, tenho uma visão muito crítica da nossa Bolsa, e continua a olhar para a mesma e para a enorme maioria das suas componentes como títulos com perspectivas especulativas. Espero que o tempo se encarregue de mudar as coisas e possam surgir casos que tal contradigam. Até lá, com o actual endividamento, resta-nos olhar para as mesmas de forma detalhada... bem detalhada mesmo! Mas isso fica para a segunda parte deste estudo.
Bom, quanto à análise rápida para o caso das Cash-Burners, e à falta de exemplos práticos de aplicação, deixo os pilares teóricos da mesma, aplicáveis em empresas que a tal se possam adaptar.
Para esta análise bastam duas informações constantes em qualquer relatório anual: Working Capital e Cash-Flow Operacional.
O working capital mede basicamente a capacidade da empresa em fazer face às despesas correntes, portanto de curto-prazo, através de receitas também elas de curto-prazo. Para tal, basta recorrer-se a dois componente do balanço, o Activo Circulante e o Passivo Circulante. Naturalmente, caso o AC seja superior ao PC, o Working Capital é positivo e a empresa estará em melhores condições para fazer face às suas necessidades de tesouraria. Como forma de simplificar, não vou aqui entrar em linha de conta com possíveis casos em que o Working Capital seja tão elevado que nos levaria a crer que a empresa estaria a utilizar mal recursos que tem em excesso. a única diferenciação que aqui se fará será entre um valo
r positivo e negativo.
Quanto aos Cash Flows Operacionais, basta consultar o mesmo relatório e contas e do mapa de fluxos de caixa nele existente, daí retirar o valor. Mesma análise, positivo ou negativo. De referir, que os cash flows operacionais medem a capacidade da empresa gerar fluxos de caixa, i.e., dinheiro, com base na sua actividade primordial (daí o operacional).
Findo isto, o analista será confrontado com 4 diferentes cenários:
1) CFO positivo e WCapital positivo - Trata-se de uma empresa na situação ideal. Por um lado tem uma situação estável e positiva do ponto de vista da tesouraria, e, além disso, continua a gerar recursos de caixa, o que só poderá levar a uma melhoramento da sua situação de tesouraria.
2) CFO positivo e WCapital negativo - Possivelmente poderá ser uma empresa ainda em crescimento, com gastos elevados no passado, mas que começa a dar a volta e está já a gerar recursos positivos de caixa. O investidor deverá procurar saber se tais recursos serão suficientes para tapar o "buraco" já existente e se, tal capacidade de gerar fluxos se mantem. Aconselho uma análise a 3 anos pelo menos, para perceber a estabilidade da actual situação.
3) CFO negativo e WCapital positivo - Em poucas palavras: empresa ainda com espaço de manobra mas, a queimar dinheiro. Neste caso, deve-se calcular a taxa de queima (burn rate) mensal para tentar perceber quantos meses mais a empresa poderá subsistir sem tem que tomar medidas mais drásticas (empréstimos; mais diluição ou algo ainda pior!).
Por exemplo: CFO=-600.000 e WCapital= 300.000 Divide-se o CFO por 12, de forma a se determinar a burn rate mensal - 600.000/12=50.000. Com esta burn rate, a empresa poderá subsistir nesta situação por 6 meses (300.000/50.000) até começar a ter problemas de tesouraria.
4) CFO negativo e WCapital negativo - Bem, a menos que as coisas se alterem do ponto de vista do CFO muito rápidamente, e digo, mesmo muito rápidamente, o conselho que posso dar ao possível investidor é virar a agulha para a próxima empresa, porque esta poderá estar a ouvir o ca
nto do cisne. Com tantas empresas para se investirem, porquê perder tempo com uma que levanta tantas questões?
Na segunda parte do estudo, irei em primeiro lugar explicar em que consiste a análise de 11 pontos de que falei e posteriormente analisarei cada uma das 17 componentes do PSI 20. Quanto às 3 financeiras que de certo já repararam faltar no quadro de cima, aí, a análise terá de ser outra e ficará para mais tarde.
Cumprimentos,
Paff

Nota: os comentários apresentados são meramente artigos de opinião do autor, não devendo em nenhuma circunstância ser entendidos como recomendações de compra, de venda, de sugestão estratégica ou de aconselhamento financeiro.
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