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Estudo Fundamental da Portucel - Artigo de Opinião
ESTUDO FUNDAMENTAL DO PSI 20 - PARTE 2ª
Na primeira parte do estudo, básicamente falei do tipo de análise que faço para as empresas que considero como tendo um baixo nível de dívida. A forma/fórmula que utilizo veio aí enunciada, bem como o quadro final aplicado à realidade nacional. Infelizmente, nenhuma das empresa que integram o PSI 20 poderá ser considerada como tal, daí que a sua análise recaia num método que procurarei elucidar nesta segunda parte.
Para tal, começarei com o exemplo da Portucel, sendo que farei o restante para todas as restantes empresas em post subsequentes. Esta análise é meramente fundamental e numérica, não contemplando notícias ou outros acontecimentos.
PORTUCEL - A ANÁLISE
O método que utilizo estende-se ao longo de 11 pontos de análise, divididos em 4 áreas distintas. Cada um desses 11 pontos irão definir a classificação total da empresa, de 0 a 11.
Os 4 primeiros pontos visam analisar a área dos Lucros/Resultados.

Neste âmbito, os dois primeiros pontos são bastante simples, bastante que os resultados sejam positivos para a pontuação ser de 1 valor. Tanto os resultados líquidos como o cash-flow operacional o são.
">3º ponto tem pontuação nula pois o crescimento dos resultados é inferior ao crescimento dos activos. Qual a importância disto? Regra geral, caso os activos estejam a crescer a um ritmo superior aos resultados poderá estar a suceder que tanto os inventários como a dívidas de clientes se estejam a acumular, algo que de facto não se deseja. Ponto positivo portanto para quando os resultados suplantam este crescimento dos activos. Não aqui o caso.
4º ponto aparece positivo pois os cash-flows operacionais suplantam os resultados líquidos. Normalmente os cash-flows terão de ser superiores pois as amortizações e outros items diminuem os resultados, mas não os cash-flows. Caso esta relação seja inversa, poderá significar que exista algo a inflacionar os resultados de forma errónea.
Os 3 seguintes pontos estão relacionados com a Dívida e o Capital

5º e 6º pontos são também de análise fácil. Por um lado, é desejável que os activos cresçam mais que o passivo. Por outro, convem que de ano para ano o rácio de liquidez mostre alguma estabilização ou mesmo melhoria, de forma a manter a empresa solvente pelo menos ao nível da tesouraria, isto é, do curto prazo. Infelizmente a Portucel mostra o contrário, daí a pontuação nula também neste item de análise.
O 7º ponto procura perceber se tem havido alguma diluição bolsista. Para tal considero que um aumento inferior a 2% de ano para ano, como algo razoável. A percentagem de aumento é naturalmente discutível, mas é esta que uso.
A terceira área de análise relaciona-se com a Eficiência Operacional.

Ponto nº8 visa analisar a evolução da margem bruta. neste caso essa evolução é positiva, daí a atribuição do respectivo ponto. Margens declinantes mostram muitas vezes uma posição competitiva também decadente, com uma natural erosão das margens de forma a manter quota de mercado. Não raramente existe a tendência para se olhar para o crescimento da vendas como algo absolutamente positivo, quando a realidade esconde mais vendas feitas a menores margens. Este item existe para perscrutar essa possível realidade escondida.
O 9º ponto tenta perceber se o crescimento esta a ser feito com base em vendas superiores, ou por outro lado, através de do crescimento de inventários ou das dívidas a receber. A comparação entre o ritmo de crescimento das vendas e o ritmo do crescimento dos activos procura responder a esta questão. No caso da Portucel essa evolução é negativa.
Os últimos dois pontos são duas formas adicionais que tive oportunidade de encontrar num dos artigo que li de Harry Domash.

O 10º ponto consiste na análise do EBITDA face ao passivo total. Tal teste é interessante porque deriva da análise que muitos dos credores fazem sobre a dívida que têm em determinada empresa. Um rácio abaixo de 5 é tido como positivo, e revela que a empresa tem a situação relativamente controlada, conseguindo ter receitas suficientes para fazer face ao seu nível global de dívida. (A opção aqui pelo passivo total, em vez de simplesmente a dívida de longo-prazo radica do facto de muitas vezes parte da dívida vir escondida em subterfúgios contabilísticos, que nós, enquanto simples analistas e não auditores, não temos a necessidade nem os meios de saber. Usando o passivo total, torna mais dificil que alguma dívida nos passe despercebida). Um valor de rácio entre 5 e 8 é motivo para a não atribuição de ponto, ao passo que qualquer valor superior a 8 é considerado de negativo. Muitas vezes tais valores de rácio redundam na modificação das condições dos empréstimos, daí a penalização que aqui se considera.
Por fim, o 11º ponto visa analisar a capacidade da empresa em se manter solvente, através de cash-flows a patamares razoáveis face ao total do passivo. Valores inferiores a 4 são assim tidos como positivos.
Conclusão
Num total de 11 pontos possíveis, a Portucel consegue 5.
Pontuações abaixo de 4 deverão ser consideradas como preocupantes, em especial se tal situação se mantiver ano após ano. Por outro lado, devo referir que pelo menos no curto/médio-prazos, não existe diferença fundamental entre 5 ou 11 pontos. Contudo, a longo-prazo, tenho muitas dúvidas que tal diferença não queira significar algo.
Do analisado, preocupa-me particularmente a liquidez da Portucel, que piorou consideravelmente no último ano (ponto 6) e o ponto 9, que revela um ano complicado, com inventários em crescimento e vendas decrescentes. os restantes pontos negativos são-o, mas de forma que posso considerar marginal.
Perspectivas
Comecei por analisar a evolução das vendas ao longo dos últimos 6 anos.

A taxa média anual foi de 2.27%.
A partir desse valor, e com base numa margem líquida de 9.63% (2009) e num PER de 13.23 (2009), fiz a seguintes projecções para 2010.

Defini ainda um cenário de acordo com os price targets que tenho visto publicados por vários analistas, em torno dos €2.80/2.90. Para tal suceder teriamos de ter margens a crescer em torno dos 50% face ao ano de 2009, ou então vendas a crescerem a ritmos bem mais elevados dos que tem acontecido históricamente.
Será que o ano de 2010 se avizinha como um ano de forte crescimento em Portugal? Fica a questão...
Cumprimentos,
Paff

Nota: os comentários apresentados são meramente artigos de opinião do autor, não devendo em nenhuma circunstância ser entendidos como recomendações de compra, de venda, de sugestão estratégica ou de aconselhamento financeiro.
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