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Estudo Fundamental da Cimpor - Artigo de Opinião
CIMPOR - ANÁLISE FUNDAMENTAL
A CIMPOR é uma das cotadas que apresenta um dos mais baixos rácio de endividamento com um valor de 1.6. É também uma das cotadas (senão mesmo a cotada) com maior e melhor exposição internacional, expandindo os seus negócios por Espanha, Turquia, Marrocos, Tunísia, Brasil, África do Sul, Moçambique, Cabo Verde, Índia e China.

Começo pelo fim desta vez. A Cimpor apresenta um resultado global de 7 valores, se bem que na minha opinião deverá ter tudo para poder apresentar um resultado de 9 ou 10 valores a breve prazo. Passo a explicar...
Com pontos positivos saliento em particular o crescimento dos activos a um ritmo bem mais elevado que o passivo (ponto 5), as margens brutas que apresentam valores elevados e crescentes (ponto 8 ) e em especial o ponto 11, que mostra um serviço da dívida dentro dos parâmetros aceitáveis por forma a manter os actuais ratings. Em boa verdade, a Cimpor sofreu um downgrade no início de 2009 por parte de uma das tão em voga agências de rating. De imediato foi iniciado um plano que visou a renegociação de parte da dívida, nomeadamente no sentido do alargamento de prazos. O outlook passou então de negativo a estável, só voltando a ficar sob revisão graças à tão falada OPA, e em particular, devido ao rating que a CSN tem.
Os pontos negativos não são na verdade tão negativos assim. Por um lado, apesar do rácio de liquidez ter caído, mantém um valor superior à unidade (ponto 6); por outro lado, embora não conseguindo gerar meios líquidos na casa dos 25% do passivo total, consegue um valor superior a 20% (ponto 11), o que enfim ao cabo demonstra uma capacidade de gerar recursos, e um equilíbrio no balanço, razoavelmente saudável.
Com diferenças tão marginais, julgo estarem criadas as condições para que em 2010, quando este estudo for feito, se possa apresentar uma pontuação ainda mais interessante.
PERSPECTIVAS
As vendas nos últimos 6 anos:

A taxa média de crescimento das vendas foi de 9.81%. Antes mesmo de expor as minhas perspectivas para 2010, gostava de falar um pouco de um ponto com que me deparei na análise.

O gráfico de cima mostra que nos últimos 6 anos as margens líquidas sofreram um decréscimo de 41%. À partida, tal queda será de levar em conta como algo de preocupante, embora no mesmo período as vendas tenham crescido cerca de 58%. Julgo conseguir explicar em boa parte este decréscimo devido ao início de actividade, ao longo dos anos, de um conjunto de fábricas localizadas em países como a Índia, Brasil e a China, com mercados muito competitivos e, naturalmente, onde as margens são sacrificadas com vista a ganhos de quota de mercado. Note-se que tais negócios começaram a ganhar especial tracção a partir de 2006/2007, precisamente a altura em que as margens começaram a decair a maior ritmo.
Quanto ao ano de 2010, perspectivo dois cenários, um de acordo com os resultados históricos, nomeadamente consubstanciado num crescimento das vendas de 9.81% e de uma margem líquida semelhante à de 2009 (11.78%); o outro cenário parte da média de EPS previsto por uma poll de analistas (€0.38) que acaba por radicar num crescimento de 2.68%.

Bem vistas as coisas, o cenário histórico acaba por ser mais optimista do que os próprios analistas, quando na maioria das vezes costuma suceder precisamente o oposto. Parece-me a título pessoal que neste momento a CIMPOR se apresenta como uma aposta interessante no contexto do PSI20. Interessante não só para o investidor comum, como também para alguém menos comum que este...
Uma última referência para algo que está muito na ordem do dia... o Euro. Com a moeda única a cair tanto, naturalmente que uma empresa tão exposta internacionalmente com a Cimpor, poderá beneficiar desta conjuntura. Ainda que não tenha dados, não me custa acreditar que, por exemplo, as receitas provenientes do Brasil possam estar já neste momento a contribuir para resultados melhores em 2010.
Paff

Nota: os comentários apresentados são meramente artigos de opinião do autor, não devendo em nenhuma circunstância ser entendidos como recomendações de compra, de venda, de sugestão estratégica ou de aconselhamento financeiro.
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4260 euros
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