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Estudo Fundamental da Inapa - Artigo de Opinião
INAPA - ANÁLISE FUNDAMENTAL
A Inapa é uma das empresas mais discutidas aqui no Forum. Talvez pelo seu carácter especulativo, talvez pelas perspectivas que alguns membros nela antevêm, tem estado cada vez mais exposta desde que entrou no grupo do PSI20.
Trata-se de uma empresa com presença internacional, inclusivamente com posição de destaque em alguns dos mercados em actua. França, Espanha, Alemanha, Suiça e Portugal são disso exemplos.

Do estudo que fiz destaco por um lado, a óbvia melhoria dos resultados líquidos e a capacidade que a empresa tem demonstrado em gerar meios libertos positivos (ponto 2).
Ainda assim, e do lado da dívida, existem um conjunto de questões que se levantam. O EBITDA, que devo recordar ser uma medida bastante utilizada pelos credores para perceberem a solidez financeira de uma empresa, continua muito áquem dos valores desejados. Rácio de cobertura do passivo em relação ao EBITDA de cerca de 18 vezes (ponto 11), auguram um futuro de muito trabalho e, diga-se em abono da verdade, bastante dependente das condições de mercado. O novo ano trouxe até agora um mercado da dívida em ebulição, com taxas de juro e spreads a dispararem, algo que a meu ver se deverá agudizar.
A par disto, as vendas têm decaído de ano para ano, algo que a par de margens líquidas mínimas, têm levado a que a empresa se tenha voltado para receitas complementares (publicidade por exemplo). Actualmente, como a empresa prontamente refere, estas receitas já representam mais de 6% do total.
Uma palavra para o ponto 6, que revela uma inversão no rácio de liquidez. Os resultados do 1º trimestre de 2010 parecem corroborar esta opção do conselho de administração Nos vários relatórios que pude ler, tem-se notado uma preocupação da empresa em diminuir o seu activo circulante. Tal medida vem enquadrada no plano plurianual que poderão encontrar aqui.
Assim, no final do ano fiscal de 2009, a Inapa consegue um resultado de 6 valores.
PERSPECTIVAS
Vendas nos últimos 6 anos:

A taxa média de crescimento das vendas cifrou-se nos -2.32%. algo que aliás contradiz as perspectivas do próprio CA. Assim, partindo deste valor médio de crescimento e de uma margem líquida de 0.23% em 2009, elaborei os seguintes cenários:

De entre os 3 cenários, procurei então tentar perceber qual deles de afigura como mais provável. À partida, o cenário que deriva dos indicadores históricos perspectiva uma cotação bastante semelhante à actual, justificando os actuais níveis.
Para deslindar qual dos outros dois cenários (que partem de um EPS de €0.05 conforme os analistas prevêem), recorri à análise das margens líquidas dos últimos dois anos, por comparação com o único trimestre deste ano.

Os últimos dois anos evidenciam um crescimento das margens (excepção 2º trimestre de 2009), embora permanecendo bastante baixas. A elevada concorrência internacional e o próprio carácter quase tradicional da actividade, assim o determinam. Assim, após uma análise a estes dados, parece-me bem mais provável o Cenário 2. Por um lado, a história recente da empresa mostra que será altamente improvável um crescimento de 272% das vendas. Por outro, o primeiro trimestre de 2010 parece indicar um crescimento das margens que, a manter-se, deverá justificar a previsão de margem próxima do valor de 0.88%.
Em jeito de conclusão, não me parece improvável que a Inapa venha a cotar em valores próximos da unidade de euro no curto/médio-prazo.
Já no longo-prazo, não antevejo grande futuro para um modelo de negócio assente numa tecnologia do século passado. Fenómenos como o e-paper ou o i-Pad mostram uma alteração na forma de se aceder à informação. Julgo que o futuro passa por aí e, a menos que a empresa comece sériamente a pensar nesta situação, muito dificilmente consigo antever grande futuro à Inapa. Assim, quando vejo a empresa tão preocupada em sublinhar o papel crescente das receitas complementares, algo me diz que não serei o único a vislumbrar estas sombras.
Paff

Nota: os comentários apresentados são meramente artigos de opinião do autor, não devendo em nenhuma circunstância ser entendidos como recomendações de compra, de venda, de sugestão estratégica ou de aconselhamento financeiro.
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