|
Estudo Fundamental da Brisa - Artigo de Opinião
BRISA - ANÁLISE FUNDAMENTAL
A Brisa assenta o seu negócio na gestão de um conjunto de concessões rodoviárias, o que por si só, lhe dá um perfil de monopolista, embora não de uma forma pura. Devido a esta posição competitiva, tem mantido ao longo dos anos uma estrutura de receitas relativamente estável, decorrendo daí que os ganhos de produtividade, nomeadamente quanto à estrutura de custos, tenderão a ser a opção cada vez mais preemente. Quanto ao rácio de endividamento, a Brisa aparece a meio da tabela, com um rácio de 2,7.

Tal como já afirmei, e este quadro é disso uma montra, os resultados da Brisa não são nada de espectacular, bastante estáveis, sem grandes subidas, embora uma análise histórica tem mostrado uma tendência de decréscimo dos mesmos. A par dos níveis de divida de que já falarei, o rácio de liquidez (ponto 6) e o decréscimo das margens brutas (ponto 8) são os items que causam mais preocupação. Aliás, a par das margens brutas, também no que concerne às margens líquidas, a tendência de queda é evidente, passando de um valor próximo de 50% em 2005, para os actuais 21,71%.
A dívida, essa, surge como um problema recorrente nas cotadas do PSI, ao qual a Brisa não foge (pontos 10 e 11). Não foge, embora tenha tomada um conjunto de decisões interessantes de modo a, por um lado, tornar maior a proporção de dívida a taxas fixas face à dívida total (74% no final de 2009). Assim, face a um enquadramento macroeconómica que indicia (senão mesmo evidencia) uma subida do nível de taxas de juro, a Brisa parece tentar precaver-se para esta situação, ficando menos exposta ao que os mercados das taxas de juro possam ditar. Outra das medidas que me parecem acertadas, ainda que polémica, passa pela constante inovação nos métodos de pagamento, que deverão desaguar nas inevitáveis reduções de recursos humanos. Enfim, uma decisão típica, mas a meu ver, inevitável.
Contudo, parece que tais medidas parecem para já não convencer as agências de rating, sendo que ainda esta semana a dívida da Brisa sofreu um downgrade da Standard & Poors para BBB-. Julgo também que os próximos anos se podem revelar mais difíceis no que diz respeito à amortização da mesma, tal como o próximo gráfico indica. No longo-prazo, as perspectivas surgem mais desimpedidas.

A Brisa consegue uma pontuação global de 7 valores.
PERSPECTIVAS
Vendas nos últimos 6 anos:

A taxa média de crescimento das vendas cifrou-se nos 2.89%, o que aliado a uma margem líquida de 21.71% no mesmo ano e um PER actual de 17.
Enquanto o cenário "histórico" deixa alguma margem de valorização face à actual cotação, o cenário baseado na pool de analistas aparece como mais pessimista. Difícil perceber quem terá razão (se é que algum dos dois terá), mas a conjuntura macroeconómica, as taxas de juro e o seu peso acrescido na estrutura de custos e a previsível continuação da queda das margens, muito provavelmente indiciam que a Brisa talvez não esteja particularmente atractiva (face aos fundamentais) a estes níveis. Repito, face aos fundamentais, até porque do ponto de vista técnico (algo que não analisarei aqui) a estória parece ser outra.
Paff

Nota: os comentários apresentados são meramente artigos de opinião do autor, não devendo em nenhuma circunstância ser entendidos como recomendações de compra, de venda, de sugestão estratégica ou de aconselhamento financeiro.
Comente este artigo ou coloque uma questão
4026 euros
|