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Estudo Fundamental da Mota-Engil - Artigo de Opinião
MOTA ENGIL - ANÁLISE FUNDAMENTAL
A Mota Engil apresenta um rácio de endividamento, conforme a tabela anteriormente apresentada, de 11.27, isto é, o segundo mais elevado do PSI20 "não financeiro". Evidentemente, tal rácio pressupõe uma estrutura de endividamento precária, ainda para mais nos tempos que atravessamos.

Como pontos positivos surgem os resultados líquidos positivos e a capacidade que a empresa tem de gerar cash-flows positivos. Contudo, devo referir que um determinado facto (mais valiam) que falarei nas perspectivas para 2010, teve uma influência extraordinária nos resultados, algo que não poderá voltar a suceder de futuro, o que acabou por determinar um ponto positivo (ponto 3) que por certo não aconteceria.
Infelizmente, os pontos negativos sobressaem nesta análise. Desde margens em queda (ponto 8 ), aliás, as margens líquidas são mínimas, daí que não reste muita margem de manobra à empresa caso os problemas de mercado se agudizem (algo que tudo leva a crer que suceda); passando por rácios de liquidez deficitários (ponto 6) até ao facto de as vendas crescerem a ritmos inferiores aos activos (ponto 9).
Ainda assim, o mais assustador passa pelo nível da dívida, que na minha opinião poder-se-á tornar um seríssimo problema caso a empresa não consiga por um lado estancar o endividamento e por outro continuar a gerar meios líquidos por forma a preencher o buraco. Os dois últimos itens da análise ilustram bem o quão acima a dívida da Mota está em relação a um ponto de equilíbrio. Estamos a falar de passivo cerca de 13 vezes superior ao valor do EBITDA, quando algo em torno dos 5 seria um valor razoável (ponto 10). 2,6 vezes mais portanto.
Com as taxas de juro a dispararem, as condições de crédito cada vez mais deprimidas e perspectivas de mercado francamente negras, nomeadamente ao nível das obras públicas, parecem indicar que o futuro da Mota não será fácil. Ponto favorável no entanto, devo referir, é a crescente internacionalização do grupo, fora da Península Ibérica, com a Polónia e Angola a ganharem terreno, e agora o México e a América Central como um mercado a apostar. Veremos se aposta será ganha e se conseguirá compensar o decréscimo de vendas nos mercados mais maduros onde actua. Pessoalmente, acho difícil que tal possa acontecer.
A Mota Engil consegue uma pontuação de 4 valores (3 caso resultados extraordinários não tivessem sucedido).
PERSPECTIVAS
Vendas nos últimos 6 anos:

A taxa média de crescimento saldou-se nos 12.76%, com margens líquidas de 3.75% em 2009 e um PER actual de 5.86. Assim, elaborei os seguintes cenários:

Se se pegasse nos dados históricos chegariamos à conclusão (errada) que a Mota estaria a transaccionar claramente abaixo do que deveria (€2.73). Contudo, não só na pool de analistas, como no cenário onde se descontam (grosso modo) os resultados extraordinários, torna-se claro que a Mota está básicamente a transacionar de acordo com os seus próprios números, senão, ainda assim, acima dos mesmos.
Os analistas prevêem um EPS 2010 de €0.157, que acabará por desaguar em vendas a caírem cerca de 61% face a 2009.
Por outro lado tracei um segundo cenário. Como sabem, a Mota Engil detem uma participação qualificada na Martifer. Ora, em 2009, a Martifer obteve uma mais valia (naturalmente não recorrente) relativa à venda da participação que tinha na RePower.
O quadro seguinte é bem ilustrativo do impacto que tal mais valia teve nos resultados da Mota Engil.

Confesso que não analisei a Martifer, mas se se retirar este ganho nas perspectivas de ganhos de 2010, fácilmente se perceberá que o EPS terá de decair bastante. O valor de 1.85%, refere-se precisamente à margem líquida "verdadeira" (aproximada naturalmente porque a Repower traria alguns resultados indirectos à estrutura de resultados da Mota) em 2009, caso tal evento não tivesse ocorrido. Como se vê, tanto num caso como no outro, a cotação prevista está alinhada com actual. No entanto, optei por utilizar um Per estimado que a meu ver parece sobreestimado, daí eu ter referido num parágrafo anterior que achava que a cotação actual ainda estava acima dos reais valores que se prevêem para 2010.
Pontos a ter em atenção: Dívida e evolução dos mercados de crédito (e em consequência dos mercados imobiliários e de obras públicas).
Paff www.mundocromatico.com

Nota: os comentários apresentados são meramente artigos de opinião do autor, não devendo em nenhuma circunstância ser entendidos como recomendações de compra, de venda, de sugestão estratégica ou de aconselhamento financeiro.
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