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Estudo Fundamental da JMT - Artigo de Opinião
JERÓNIMO MARTINS - ANÁLISE FUNDAMENTAL
A Jerónimo Martins (JMT) é a meu ver uma das mais interessantes componentes do PSI, com um rácio de endividamento (2.6) próximo da média, uma exposição internacional limitada, mas bastante interessante e, até pelo carácter próprio do seu sector, tem apresentado resultados sólidos e pouco voláteis.

A solidez das contas da JMT estão aqui bem evidenciadas. se por um lado, a dívida está ainda acima do desejável (embora com uma melhoria em 2009 face a 2088), tal valor está apenas ligeiramente acima do valor suficiente para a pontuação unitária; por outro, de uma forma geral, a empresa apresenta resultados crescentes, tanto em valores absolutos (pontos 1 e 2) como ao nível das margens (ponto 8 ). Uma menção particular para o ponto relativo ao rácio de liquidez (ponto 6). Neste sector de actividade é comum que tal rácio se situe abaixo da unidade, até porque como é sabido os prazos médio de pagamento diferem substancialmente dos prazos médios de recebimento, que, grosso modo, são imediatos. Deste modo é fácil perceber que a tarefa ao nível da tesouraria acaba por estar facilitada, não sendo tão fundamental que este rácio de liquidez esteja próxima da unidade. Contudo, é sempre algo a acompanhar, nomeadamente se se registarem variações substanciais.
A JMT consegue a pontuação de 8 valores, sendo que julgo poder pontuar próximo da pontuação máxima.
PERSPECTIVAS
Vendas nos últimos 6 anos:

A partir de uma taxa média de crescimento de 15.93%, de uma margem líquida média de 3.88% e de um PER actual de 23, elaborei o seguinte quadro:

Antes de comentar os números, gostava de fazer uma referência a uma medida utilizada neste sector. Nos EUA os analistas referem-se a esta unidade de comparação como same store sales, sendo que por cá é utilizada a expressão vendas like-for-like. A JMT define este critério como:
Vendas das lojas que operaram sob as mesmas condições nos dois periodos em análise. Excluem-se as lojas que abriram, encerraram ou sofreram remodelações profundas num dos dois períodos.
O importante a reter é que ao longo dos anos os termos de comparação vão-se modificando, daí o necessário cuidado a ter aquando da comparação entre períodos numa mesma empresa. A JMT tem enveredado por uma forte política de expansão de lojas, nomeadamente na Polónia (Biedronka) o que leva a que não se torne directa a comparação de vendas de um ano para o outro. Só para terem uma ideia, segundo dados do relatório e contas, a vendas do grupo like for like cresceram em 4.4% em 2009, face a 2008 (crescimento total de 6.14%). Contudo, optei pela utilização da taxa média de 15.93%, porque é a própria empresa a afirmar que a política de expansão não está ainda finalizada, o que permite perspectivar que tal taxa de evolução possa ser alcançada.
Quanto às perspectivas numéricas, torna-se evidente que a JMT encontra-se a cotar, na minha visão, a desconto face ao que os seu fundamentais mostram. Inclusivamente, parece-me mesmo que os analistas estão a ser algo cautelosos face à evolução histórica, talvez porque as perspectivas macroeconómicas se encontrem algo enevoadas. Existe inclusivamente o receio, como tive a oportunidade de ler em alguns artigos de opinião, que os problemas da Hungria possam de algum modo se estender à Polónia. Devo contudo recordar que este sector de actividade tem características claramente defensivas e anti-cíclicas, ainda para mais no caso da Biedronka que visa um conjunto de produtos de primeira necessidade, low-cost por assim dizer, e naturalmente menos expostos ao decréscimo dos rendimentos disponíveis das famílias.
Um outro factor (importante -reparem no gráfico seguinte) é o peso do câmbio EUR/PLN (Zloty) na estrutura de receitas da JMT. O ano de 2009 foi bastante volátil mas, caso se confirmem as crescentes dificuldades da zona euro, e, pelo contrário, a melhor forma da economia polaca, será de prever que este câmbio venha a favorecer as contas da empresa. Para já isto é mera futurologia cambial, mas as perspectivas assim parecem indicar.

Por fim, deixo-vos um link de um artigo bastante interessante da Reuters, de como a inflação (moderada) deverá beneficiar as várias empresas deste sector. A JMT é uma das mencionadas.
Paff www.mundocromatico.com

Nota: os comentários apresentados são meramente artigos de opinião do autor, não devendo em nenhuma circunstância ser entendidos como recomendações de compra, de venda, de sugestão estratégica ou de aconselhamento financeiro.
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