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Uma oportunidade chamada FMI - Artigo de Opinião
Setembro/Outubro de 2010,
O tema do momento, e creio que dos momentos que se seguem, é a paupérrima posição financeira em que Portugal se encontra. Atolados em dívidas originadas por um modelo económico novo-rico, o país encontra-se cada vez mais à beira de um precipício que para muitos começa a parecer o caminho inevitável.
Não me vou aprofundar muito no sistema político deste pobre país e no ridículo, cada vez mais evidente, de existir um cidadão deste território a fervorosamente "puxar" por um partido político (muito provávelmente com uma bandeira na mão). Enfim é o país que temos, que uma boa parte de nós não merece (objectivamente os abstencionistas), mas que os restantes merecem na sua plenitude. O aumento de impostos parece ser única solução possível, uma vez que o corte das despesas parece esbarrar na falta de ideias, vontade, força ou ambição. Ainda hoje, a OCDE apresentou um documento com um conjuntos de propostas, óbvias na sua maioria, de como se tentar resolver o assunto. Pessoalmente discordo de algumas, até porque se por um lado parecem visar fundamentalmente o lado da receita, e por outro continuam a deixar esquecidas as verdadeiras falhas do sistema, e a forma como a galopante/asfixiante despesa nos rouba um pouco mais de oxigénio diáriamente.
Ora, o FMI é quanto a mim a solução desejável por duas ordens de razão: a urgência do problema e a descredibilização/credibilização do sistema.
É mais do que notório que o país não tem mais tempo a perder, mas não tem mesmo. A dívida cresce ao ritmo aproximado de 60 milhões de euros dia e tornar-se-á incomportável a muito breve trecho, caso nada seja feito. O grande problema passa pelo medo que tenho que muitas das medidas que sejam tomadas o sejam por tempo determinado (demasiado determinado), e mal as costas folguem um pouco, se volte aos velhos hábitos. O caso das grandes obras públicas e a incapacidade de dizer um "não" definitivo a muitas delas, é apenas disso um exemplo. Tristemente apenas um, saliente-se. E é precisamente para contrariar este clima de lição mal aprendida que a intervenção do FMI é determinante. Reformulo, não determinante mas, absolutamente vital. Desenganem-se os que pensam que qualquer partido político deverá concordar com isto (pelo menos até o fio se partir por completo) porque fazê-lo, seria negar a sua existência e razão de ser. O FMI deverá servir como a solução para abrir muitos olhos e de uma vez por todas se tomar as decisões que há muito deviam ter sido adoptadas... já!
O segundo plano de acção passa não só pela descredibilização definitiva de um sistema político roto e pela abertura de um caminho (ténue ainda assim) de um novo sistema, que se quer mais governativo e planificado. Desde o tempo dos romanos que se tornou a espaços óbvio que não nos conseguimos governar, e que a palavra de quem vem de fora parece valer. talvez isso explique a maior produtividade que temos quando lá por fora trabalhamos ou ainda o velho adágio de que o que vem de fora é que é bom. Talvez seja isto, talvez não, a história e o presente parecem isso evidenciar.
Uma palavra final para os mercados, porque é essencialmente disso que o Fórum do Clubeinvest vive. A minha visão aqui é clara: os mercado antecipam a economia, contudo as decisões devem ser tomadas com esta em vista, e não em pro ou prejuízo dos mercados. Não me causa especial preocupação que tal intervenção pudesse fazer cair os mercados. Nem outra coisa seria de esperar a meu ver, pelo menos no curto-prazo. O problema é que se nada for feito, se o FMI não agir, se ficármos à espera que as decisões internas sejam definitivas, planeadas e estruturadas no tempo (algo que não vai acontecer), se tudo isto suceder, rápidamente assistiremos à mítica capacidade de antecipação dos mercados. Se calhar, contudo, o movimento destes no surpreenda pela direcção.
Paff www.mundocromatico.com

Nota: os comentários apresentados são meramente artigos de opinião do autor, não devendo em nenhuma circunstância ser entendidos como recomendações de compra, de venda, de sugestão estratégica ou de aconselhamento financeiro.
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