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Rácios, Estimativas e Ratings do Dow Jones - Update
Boa Noite,
No seguimento do artigo que publiquei hoje focado nas 20 componentes do PSI20, publico também os mesmos dados para as 30 acções do Dow Jones.
Sendo assim, e mantendo as mesmas explicações publicadas para cada tabela, temos a seguinte situação no Dow Jones:
1.) O Dow Jones 30 ordenado por Capitalização Bolsista:

Capitalização Bolsista, ou Market Cap calcula-se multiplicando o nº de acções existentes de uma empresa pela sua cotação, o resultado significa o valor total da empresa tal como está avaliada pelo mercado. Não é um valor que sugira grandes interpretações, serve apenas para se ter uma ordem de grandeza das empresas, é útil para comparar com outras empresas do mesmo sector e ter-se alguma sensibilidade nos valores envolvidos nos seus negócios (ex: um negócio de 1000M pode ser irrelevante para a Exxon e pode ser importantíssimo para a Alcoa).
Repare-se que só a Exxon é quase 4X maior do que todo o PSI20, e que a capitalização total destas 30 empresas representa quase 3.5 Triliões de dólares, uma capitalização 57X superior aoPSI20.
2.) O Dow Jones 30 ordenado pelo rácio Price / Book Value:

O BVSP (Book Value per Share) ou Valor Contabilistico por Acção, representa o que valeria uma acção se subtraíssemos todo o Passivo ao Activo da empresa (Capital Próprio) sem tendo em consideração a parte operacional e potencial do negócio. No fundo representa quanto valeriam contabilisticamente as suas acções caso a empresa decidisse hipoteticamente fechar actividade, vender todos os seus activos e pagar todo o seu passivo. O Rácio P/BV (Price/Book Value), é calculado dividindo a cotação actual pelo valor contabilístico por acção, quando é inferior a 1 é porque a empresa está cotada na bolsa abaixo do seu valor contabilístico. Teoricamente quanto mais baixo for o P/BV, mais "atractiva" estará a empresa, no entanto este rácio não deve ser visto "a solo", muitas vezes por detrás de um baixo P/BV encontram-se razões fundamentais para tal acontecer. As comparações entre estes rácios também não devem ser feitas de qualquer maneira já que cada sector negoceia normalmente a P/BV´s diferentes e este depende muito do tipo de negócio em questão.
A média do P/BV no Dow Jones anda nos 3.41X um valor um pouco superior à média do nossoPSI20 que anda nos 2.24X, trata-se de um diferença perfeitamente normal já que são 30 empresas com muito menos vulnerabilidades e que estão muitas vezes estabelecidas globalmente ao contrário da maior parte das nossas 20 do PSI.
3.) O Dow Jones 30 ordenado pelo Rácio de Endividamento:

O Rácio de Endividamento calcula-se, dividindo o Passivo da Empresa pelo seu Capital Próprio, quanto maior este valor maior é a vulnerabilidade do Balanço da empresa, a sua fragilidade e até a probabilidade de diluição (aumentos de capital).
Aqui nota-se uma diferença abismal quando comparamos com a nossa situação no PSI-20, já que as empresas do Dow Jones apresentam um rácio de endividamento médio de apenas 2.69X (aceitável) enquanto no PSI20 este rácio está próximo de 7X (muito alto), ou seja as empresas do PSI20 estão em média quase 3X mais endividadas do que as empresas do Dow Jones, e isso reflecte-se obviamente no seu risco e no desconto que o mercado lhes poderá dar. Este é um dos principais problemas estruturais do mercado Português, já que nas empresas internacionais que estudo é raríssimo encontrar níveis de endividamento tão altos como os nacionais, rácios de endividamento altos significam grandes vulnerabilidades para as empresas, vulnerabilidades essas que serão expostas a médio ou longo prazo caso as equipas de gestão não tomem medidas (e mesmo algumas dessas medidas, tais como aumentos de capital podem por si só prejudicar a cotação).
4.) Estimativas de EPS em FY10 e FY11

Esta tabela não tem nenhuma ordenação, representa apenas a poll actualizada de estimativas de EPS (Earnings per Share) ou Resultados por Acção, os valores para FY10 e FY11 representam a poll (média) de estimativas dos departamentos que cobrem estas acções, e inclui também o número de departamentos que emite estimativas em cada acção para se ter um pouco a sensibilidade sobre cada estimativa apresentada (obviamente que estimativas resultantes de polls alargadas são mais relevantes ou pelo menos podem ser levadas mais "a sério", neste caso todas as 30 componentes do Dow tem polls bastante alargadas de cobertura institucional).
5.) Controle de Ratings: Buy / Hold / Sell + Price Targets

Esta tabela para mim não tem grande interesse, embora seja este o tipo de dados mais populares e procurados pelos jornais talvez para "vender papel". Por detrás de cada recomendação estão racionais diferentes, muitas vezes inseridos em visões macro especificas ou para time-frames diferentes, muitas vezes temos departamentos com estimativas melhores e depois com ratings inferiores, não costumo dar grande validade aos ratings especialmente quando vistos fora do contexto da tese de investimento (nota de research), servem mesmo só para se "sentir" a postura institucional.
6.) O Dow Jones 30 ordenado pelo P/E estimado em FY10

O P/E ou PER (Price Earnings Ratio) é um múltiplo que se obtém pela divisão da cotação pelos resultados por acção (EPS), interpretando-se o resultado como o nº de anos que uma empresa demora a dar o seu valor actual em resultados ou por outro prisma a ter-se o retorno total do investimento. Em teoria, quanto mais baixo for o P/E, mais atractiva ou mais "barata" está uma empresa, embora mais uma vez não se possa olhar para o P/E a "solo", já que depende muito do contexto de cada sector e de cada empresa em particular, P/E´s baixos por vezes escondem fragilidades da empresa e empresas com grandes expectativas de crescimento tendem a negociar a P/E´s mais elevados que muitas vezes parecem pouco atractivos, em ambos os casos podemos ter oportunidades (empresas com P/E baixos por ineficiência do mercado ou empresas com P/E altos meramente porque os resultados futuros serão muito maiores do que o estimado). Por exemplo, os investidores não pagam mais do que poucos anos de lucro por uma empresa na qual detectam riscos (PER Baixo), e estão dispostos a pagar mais anos de lucro por empresas nas quais têm expectativas muito fortes (PER Alto).
Há muitas formas de se calcular o P/E, dependendo "do" EPS que se vai utilizar nos cálculos, tradicionalmente usa-se os resultados do último ano por serem o último valor confirmado de resultados anuais por acção, no entanto este é um valor passado e que na minha opinião não serve de muito em termos analíticos. Há falta de dados de estimativas, há quem use a projecção dos dados trimestrais do próprio ano de forma anualizada (ex: no primeiro semestre uma acção teve 0.10€ de EPS, extrapolando para um ano, podemos considerar um EPS anualizado de 0.20€ para obter o P/E provisional do próprio ano). E depois há a corrente de se usar a poll de estimativas para extrapolar o múltiplo no próprio ano ou nos anos seguintes, que é o que eu pessoalmente utilizo na maior parte das vezes, ou seja, usar o valor estimado de resultados proveniente da média de todos os analistas que cobre determinada acção (é importante também classificar a "qualidade" da poll).
A tabela que publiquei tem o Dow Jones ordenado pelo P/E estimado para 2010, ordenado da mais "barata" para a mais "cara" do índice medida por esta métrica.
7.) O Dow Jones 30 ordenado pelo Rácio Price / Sales FY10:

O P/S (Price to Sales) obtém-se pela divisão da cotação pelas vendas por acção, ou alternativamente pela divisão da Capitalização Bolsista pelas Vendas (ou receitas) anuais. Quanto mais baixo, teoricamente mais atractivo está o preço de uma acção, embora cada indústria tenha P/S´s muito próprios, provenientes de margens operacionais diferentes. É bastante mais útil para se comparar acções do mesmo sector embora se possam por vezes encontrar valores excessivamente altos ou baixos "a solo".
No caso desta tabela, usei o valor de vendas estimadas na poll para 2010 para o cálculo deste múltiplo.
Temos substancialmente acima do PSI20, com uma média de 1.68X no Dow contra 1.18X no PSI, de alguma forma reflectindo o desconto de risco que continua a existir em Portugal.
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Estes são alguns dos dados que utilizo quando faço os primeiros "testes" comparativos dentro de um mercado, tal como mencionei nenhum deles poderá ser interpretado "causa-efeito", embora se consiga ganhar alguma sensibilidade, especialmente cruzando alguns dos valores. Obviamente que para se fazer stock picking ou selecção micro é necessário aprofundar muito mais, mas genericamente esta é uma forma de se ganhar uma primeira sensibilidade dentro de um mercado.
bons negócios,
Diogo Castro www.clubeinvest.com

Nota: os comentários apresentados são meramente artigos de opinião do autor, não devendo em nenhuma circunstância ser entendidos como recomendações de compra, de venda, de sugestão estratégica ou de aconselhamento financeiro.
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