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Uma Opinião - Tópico em Destaque
Desde que comecei a escrever no ClubeInvest me tenho deparado com os mais diversos tipos de investidores. Desde os iniciantes, que pretendem adquirir conhecimentos básicos da melhor forma de como podem investir as suas poupanças, até a investidores mais veteranos e informados, que têm a boa vontade de partilhar os seus conhecimentos e visão do mercado. Contudo, e um pouco na sequência do artigo escrito pelo Diogo Castro sobre o comparativo de corretoras, tomei a decisão de escrever e partilhar convosco a minha opinião sobre o motivo pelos quais tantos investidores insistem em cingir os seus investimentos à “Bolsa” nacional.
Porque será que tanta gente opta por escolher acções nacionais em detrimento de acções internacionais, que à partida oferecem vantagens que por cá não poderão ser encontradas?
- Mas eu não conheço as empresas internacionais, como posso comprar acções do que não conheço?
Em primeiro lugar, será que não conhece? Ou, por outro lado, será que conhece verdadeiramente as empresas nacionais?
Quanto a mim esta é mesmo a mais falsa questão, ou desculpa, que ouço muita gente referir para justificar o não investimento em activos internacionais. Talvez seja de facto mais fácil ouvir falar de uma PT ou Galp num qualquer telejornal ou jornal da especialidade emitido ou publicado em Portugal, mas, será que na era da informação automática e da internet, nos devemos limitar a tão parcas fontes de informação? Qualquer site internacional facilmente informa o investidor minimamente diligente sobre as principais empresas cotadas a nível internacional, daí que o motivo do desconhecimento ou falta de informação não poderá colher. Mais. Para os mais reticentes, façam o seguinte exercício: desde que se levantam até ao momento em que repousam a cabeça na almofada à noite, anotem o nome das empresas responsáveis pela fabricação de produtos e prestação de serviços que vão utilizando ao longo do dia. Desde a corriqueira pasta dentífrica, passando pelo automóvel que vos leva ao trabalho ou mesmo o ecrã pelo qual lêem este artigo. Uma dica, não se esqueçam de passar pela vossa dispensa!
Quase que consigo apostar que, de entre os casos de empresas cotadas em bolsa, uma enorme maioria de produtos/serviços será de empresas internacionais, uma maioria das quais cotadas ou no NYSE ou no Nasdaq. Experimentem, vão ver que não me engano.
No que concerne ao acesso à informação (a menos que não saiba inglês, o que no caso de ser investidor, lamento, mas é apenas um motivo extra para aprender), considero por experiência própria ser bem mais fácil de aceder, bem como bastante mais completa, diversa e actualizada, a informação sobre cotadas no NYSE ou Nasdaq. E não me refiro apenas a relatórios de contas, que por si só são mais facilmente comparáveis, devido à forma como são elaborados de acordo com as normas da SEC; mas a toda a informação geral sobre as várias empresas, nomeadamente as notícias diárias, o acesso a fóruns e opiniões de analistas, ou quaisquer outras informações relevantes. Investir por cá, apenas porque poderá ser mais simples ler em português, é fraca justificação numa sociedade que caminha para o século XXII.
- Para quê investir lá fora, se em Portugal tenho acesso a empresas tão diversificadas?
Pode parecer chocante para alguns, mas, não existe um único sector representado na bolsa portuguesa, e estou a falar do PSI Geral. Antes que avancem com o exemplo do sector bancário, e digam que está plenamente representado, lamento informar que nem mesmo nesse caso isso é verdade. Sim, todas as principais instituições bancárias estão representadas e… é só isso. Nem seguradoras, nem re-seguradoras, nem empresas de corretagem, nem grandes consultoras, nem banca de investimento, nem nada. Uma bolsa que na sua generalidade, aposta em serviços, utilities/monopólios e subgrupos mal representados, como pode ser efectivamente considerado como uma bolsa? Como pode um investidor minimamente sério e prevenido, querer proceder a uma saudável diversificação de activos e a uma exposição a diferentes condições e momentos de mercado, quando está restringido a um mercado tão, mas tão, incompleto? Muito sinceramente não me parece possível.
Quantos de vós já se medicaram? E que interessante seria poder investir numa qualquer farmacêutica ou biotecnológica que, ainda para mais, não raras vezes, oferecem retornos só atingíveis por growth stocks. Pois bem, por cá, infelizmente, nem uma única acção deste género de empresas é possível comprar.
Quantos de vós têm um iPod, ou iPhone? Acho que já perceberam a ideia…
- Se tiver de ganhar dinheiro, consigo fazê-lo em acções nacionais, porquê perder o meu tempo em outros mercados?
Bem, de facto não estou a dizer que não seja possível ganhar dinheiro na bolsa portuguesa. Muito boa gente fá-lo diariamente. Contudo, pessoalmente encaro todos os passos envolvidos na pesquisa e análise de qualquer empresa cotada como uma forma de me colocar do lado certo das probabilidades. Cada informação extra, cada processo de análise, fundamental ou técnica, ajudam-me a chegar a uma decisão final, que procuro que seja fundamentada e, já agora, o mais acertada que conseguir. Como é evidente, nunca se conseguirá encontrar uma fórmula mágica ou infalível de escolha, mas, pelo menos, devemos procurar aumentar as probabilidades de acertarmos o máximo que se puder.
Pois bem, e a título de exemplo sem me alongar muito no tempo, desde o momento em que comecei a gerir o portfólio Ubik Investments aqui no CI, e comparando apenas as valorizações dos índices neste mesmo período, o S&P valorizou 43%, ao passo que o PSI20 se ficou por uns bem mais humildes 9,07%! Significa isto que mesmo um muito bom gestor, que tenha ficado restrito ao mercado nacional, teria de o ter superado em mais de 4 vezes apenas para se equivaler à valorização do S&P. Isto já para nem falar em valorizações superiores…
- Tudo bem, eu até já pensei em comprar ações americanas, mas, é tão caro comprar e vender ações neste mercado!
Quanto a esta questão, o Diogo teve a oportunidade de, num artigo superiormente redigido, retirar muitas das dúvidas. Remeto a vossa leitura para este.
Muitos dos que me lêem podem achar que tenho uma opinião demasiado radical e depreciativa sobre a bolsa portuguesa. Tenho de concordar com eles, tenho mesmo. Acho-a incompleta, sem escala, com oportunidades reduzidas e, para cada um dos títulos que dela fazem parte, consigo sem demasiado esforço encontrar uma ou duas dúzias de títulos bem mais versáteis e capazes. Não é assim por acaso que, quer no Ubik Investments, quer no meu portfólio pessoal, o peso dos títulos nacionais no computo geral seja irrisório (no portfólio pessoal nem sequer fazem parte, pelo menos desde o tempo das OPV’s).
É também verdade que existem diversos perfis de investidores, mas, mesmo para os menos informados julgo ser tristemente redutor ficar preso a umas curtíssimas dezenas de títulos que, na maioria dos casos, representam empresas com perspectivas limitadas de crescimento e expansão.
Assim, e porque aqui exprimo uma opinião, e não um facto consumado, gostava de ouvir as vossas opiniões sobre este tema, até para perceber os vossos anseios e, quem sabe, ajudar na medida das minhas capacidades e limites. Gostava de ouvir especialmente os membros que optam por investir apenas no mercado português, e tentar perceber as suas motivações.
Obrigado pela vossa atenção,
Paff


Nota: os comentários apresentados são meramente artigos de opinião do autor, não devendo em nenhuma circunstância ser entendidos como recomendações de compra, de venda, de sugestão estratégica ou de aconselhamento financeiro.
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