Agência Internacional de Energia corta previsões de procura de crude
A estimativa de consumo de petróleo em 2005 foi reduzida em 50 mil barris diários pela Agência Internacional de Energia, que justificou a alteração com o aumento das exportações nos primeiros meses do ano e com o abrandamento da procura da China.
O ritmo de crescimento da procura deverá ser de 1,77 milhões de barris por dia, contra o aumento de 2,7 milhões de barris que se registou ao longo de 2004, segundo a AIE.
No total, o consumo mundial de petróleo a nível global será de 84,3 milhões de barris diários, o que representa um crescimento de 2,1% face aos 82,5 milhões de barris consumidos diariamente no último ano.
A AIE adianta que a redução de 50 mil barris na procura diária fica a dever-se a um «aumento substancial» das exportações da região da antiga União Soviética e a uma quebra no ritmo de consumo por parte da China. Nos dois primeiros meses de 2005, a procura chinesa cresceu a um ritmo de 5,4%, bem abaixo dos 20,8% registados há um ano atrás.
Ao mesmo tempo a que se assiste a uma redução da procura, verifica-se um aumento da oferta – segundo a AIE, a produção em Março subiu em 365 mil barris diários para os 84,2 milhões de barris – o que leva os analistas da AIE a dizer que, agora, «há menos razões para preocupações»
«Do lado da procura, parece que, pela primeira vez em dois anos, há uma tendência de diminuição. (?) Já por várias vezes defendemos que uma repetição do extraordinário crescimento do consumo na China em 2004 é fortemente improvável», lê-se no relatório mensal da instituição, que refere, ainda assim, que há factores condicionantes da evolução dos preços que vão pairar sobre o mercado durante algum tempo.
«A limitada capacidade de produção adicional é um elemento que vai demorar tempo a sair do mercado e entretanto é necessário criar uma 'almofada' de inventários para lidar com flutuações sazonais. Uma crise na oferta pode levar a picos de preços, mas há reservas de emergência que podem ser utilizadas caso haja perturbações relevantes», refere o relatório.
Esta perspectiva de redução da procura está a ser, para já, insuficiente para travar a subida dos preços do petróleo. O crude [Cot], em Nova Iorque, seguia a subir 0,26% para os 53,85 dólares e o «brent» [Cot], em Londres, ganhava 0,56% para os 53,58 dólares.
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