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Mercados => Fórum de Bolsa => Tópico começado por: euri em Janeiro 02, 2012, 15:35

Título: Saída de Portugal do Euro - como proteger poupanças?
Mensagem de: euri em Janeiro 02, 2012, 15:35
Saudações pessoal,

Antes de mais desejo um Bom 2012 a todos. Com muita Saúde, Esperança e algum trabalho.

Deixo esta simples questão que talvez seja bom começarmos a pensar. Onde podemos investir as nossas poupanças  caso o Euro se comece a desintegrar?

Para quem não quer investir em acções, deve investir em moeda estrangeira? (qual?)

Que outros investimentos nos próximos 3 anos podem ser estaveis (caso o Euro se mantenha) ou rentaveis (caso ele se desintegre)?

Título: Re: Saída de Portugal do Euro - como proteger poupanças?
Mensagem de: bluexip em Janeiro 04, 2012, 19:29
viva,

penso que há fortissimas possibilidades de Portugal sair do Euro, talvez em 2013, e essa deverá ser a princial preocupação e evitar um dia acordar com o saldo da conta transformado directamente em escudos.

quanto à desintegração do euro é bastante menos provável, se bem que a minha opinião pessoal é que há muito menos certezas de que tal não vai acontecer agora em comparação com há uns 2 meses.

uma forma rápida de proteger o dinheiro é a transferência para uma corretora no estrangeiro. outra será abrir conta num banco na Suiça, embora seja uma opção mais onerosa.

em investimento acho que é de preferir cash. por incrivel que possa parecer, dolares americanos numa óptica de investimento a 2 anos.

cumprimentos,
bluexip
Título: Re: Saída de Portugal do Euro - como proteger poupanças?
Mensagem de: skygod em Janeiro 06, 2012, 00:37
"Fortissimas" porquê? Baseias-te em quê?

Ja' agora,quais as vantagens que daí virão para o País e para os portugueses?
Título: Re: Saída de Portugal do Euro - como proteger poupanças?
Mensagem de: bluexip em Janeiro 06, 2012, 12:26
na minha modesta opinião é preciso olhar para o estado actual do país. com a estrutura produtiva que temos, o nivel educacional e cívico da população (variável muito importante e normalmente esquecida), o nivel da dívida que temos, os encargos futuros e a situação internacional tornam praticamente inevitável quanto a mim a saída de Portugal do Euro. não vai haver condições para sustentar um pais que irá sucessivamente pedir dinheiro emprestado ao exterior nem a manutenção de um país numa moeda forte mas sem solidariedade económica e social (a Europa não é os EUA nem se vê que isso se vá alterar nos próximos anos).

basta depois olhar para os sinais que vão sendo dados. começou por ser um ou outro lunático a considerar essa hipótese, depois começou-se a falar na hipótese mas sempre com fortes anticorpos (sair do euro é uma desgraça. impensável. irreversivel.) e agora já se começa a pensar que se calhar não será mal pensado pelo menos ter um plano B (embora o governo se congratule por não ter um plano B)

embora se tente confundir a opinião pública, uma coisa é a Europa e outra é o euro.

as vantagens para o país e portugueses é quase uma não questão. pensar que vamos continuar a beneficiar de uma moeda forte enquanto que ao mesmo tempo vamos passar a vida a pedir dinheiro emprestado ad eternum é, como diria o saudoso Sócrates, "uma brincadeira de criança" :)

a saída de Portugal do Euro tem a mesma vantagem que a entrada da troika em Portugal: obriga à tomada de medidas de fundo, dificeis e impopulares. a capacidade de criar moeda é algo de muito poderoso e que não deve ser menosprezado. que o diga a banca que tem o sistema seguro "by the balls" :)

cumprimentos,
bluexip
Título: Re: Saída de Portugal do Euro - como proteger poupanças?
Mensagem de: skygod em Janeiro 08, 2012, 13:23
Nao serão só virtudes que advirão da saída do Euro. Aqueles que andaram anos e anos a fio a dar o litro e amealhar dinheiro para ter um futuro mais fácil e acessivel para a familia serão prejudicados com a desvalorização dos seus activos financeiros. Eu sou um deles! Posso ter apenas 27 anos, mas trabalho desde os 19 e tenho algum dinheiro guardado que me custou os olhos da cara e nao tenho qualquer intenção de ver o meu património desvalorizar, pelo que se realmente me aperceber que a saída e' de facto algo que esta' em cima da mesa, emigro e levo comigo a minha familia e tudo o que tenho e de preferência para um sitio onde dão valor 'as pessoas e ao seu trabalho. Resumindo, faço a vontade aos chulos dos nossos politicos e deixo de lhes dar de mamar quase €20.000 em impostos todos anos.
Título: Re: Saída de Portugal do Euro - como proteger poupanças?
Mensagem de: fisher em Janeiro 08, 2012, 21:23
Bluxipe diz:
penso que há fortissimas possibilidades de Portugal sair do Euro, talvez em 2013, e essa deverá ser a princial preocupação e evitar um dia acordar com o saldo da conta transformado directamente em escudos.

Caro Bluxipe

Desculpe intrometer-me .
Mas assalta-me  a pergunta: Porque diz isto.  Se isto não faz o mínimo sentido.

Quais as suas razões que o levam a afirmar tal coisa sem sentido.

Que ganhava o governo Português se voltasse as costas ao Euro, se resolvesse, por capricho, sair do euro e adoptar a libra, o dólar, o escudo ,   ou outra moeda qualquer?. Ganharia o quê ?.

Nada,  só perdia dinheiro, e muito. Portanto, se Portugal perdia muito dinheiro se resolvesse adoptar outra moeda qualquer , porquê sair para perder dinheiro.

Mas há alguém que goste de perder dinheiro ?. Eu julgo que não ? Portanto sair do euro e adoptar outra moeda para perder bastante dinheiro só pode ser brincadeira.

Caros amigos é impossivel Portugal sair da moeda euro porque já estamos falidos, e se o fizéssemos ficaríamos, além de falidos,  mendigos e indigentes e ninguém quer isso certamente.

A  nossa sorte é estarmos no Euro, é termos um Euro forte,  uma moeda forte, porque se em vez do euro tivéssemos escudos nós já não tínhamos escudos para comprar electricidade e já tínhamos voltado à velha candeia de azeite do inicio do seculo XX.

Se voltássemos ao escudo, esqueçam porque se calhar seriam precisos 5.000 escudos para comprarmos 1 euro de electricidade, e 5.000 escudos para comprar 1 litro de gasolina . Esqueçam a saída do euro porque é impossível acontecer. O Euro é o melhor que ainda temos no meio desta bancarrota.

Nós não precisamos de sair do Euro . Precisamos é de bons governantes honestos, inteligentes, e com competência que não deixem sair o euro de Portugal, para criarem biliões e biliões de Euros de reservas , não de dívidas.

O Euro não tem mal nenhum . É uma moeda óptima.

O mal não está no Euro , está em quem gasta euros, que gastam o que não têm. e deviam ser responsabilizados.

O mal está em quem não tem capacidade para governar a sua casa quanto mais governar um País !!

Mas imagine que saímos do euro e adoptamos o velho escudo governado pelos mesmos cretinos que recebem 50 e gastam 100. Acha mesmo que o escudo resolve o problema dos cretinos irresponsáveis ??
O problema não está na moeda está em quem põe a mão na massa que devia ser responsabilizado.

Enquanto não voltar a ser colocada a antiga lei que responsabilizava os responsaveis pelos dinheiros publicos por fazerem despeza superior à receita , demitindo-os e levando-os a tribunal, isto vai para o fundo.

Skygod

Não se enerve porque vai ter muitos anos de crise logo que ela comece. O que vê na televisão não tem nada a ver com a verdadeira crise que só deverá começar dentro de 3 anos quando retirarem o resto do dinheiro aos reformados e aos doentes e começarem a tirar aos que trabalham. Aí e que vai começar a crise . Agora ninguém dá pela crise porque quem está a tapar a coisa são os reformados(depósitos acumulados a desaparecerem!!!) e os doentes que já não compram os remédios que deviam comprar e é a venda das ultimas empresas para entregar o dinheiro à Troika que levará tudo !!!!.

Desculpem o desacordo ,com o devido respeito.

Cumprimentos e bons negócios
fisher
Título: Re: Saída de Portugal do Euro - como proteger poupanças?
Mensagem de: bluexip em Janeiro 09, 2012, 13:15
olá Fisher,

o mundo é feito de coisas sem sentido :)

não se trata de virar costas ao euro por capricho. trata-se de uma imposição.

como é que um país literalmente falido se vai manter no euro? vamos criar uma zona protegida dentro do Euro na qual os paises "incumpridores" vão estar sujeitos a regras especiais, sabe-se lá quais? e em que medida serão diferentes das que já temos hoje? e quantos paises irão fazer parte dessa zona especial? a Grécia estará certamente, Portugal tudo indica que sim. mas se alguém pensa que este problema pára por aqui precisa de um teste de realidade :). será preciso incluir a Espanha, a Itália, e quando isso acontecer rapidamente se chega à França, esse país fantástico do eixo Franco-Alemão em excelentes condições económicas. alguém está a ver a Alemanha e outros paises nórdidos ou da europa central a entrar nesta espécie de rede de protecção? mais depressa alinham em nos colocar num sanatório como se ainda fazia há poucas décadas com os malucos e os leprosos :) não é á toa em que falam numa "europa a duas velocidades", numa espécie de euro bom e euro mal. se houver um pouco de dignidade Portugal dirá não. mas eu compeendo. quem não tem dinheiro não tem dignidade. restará então a crueza dos números para mostrar o caminho e nessa altura será como uma perda da  bolsa: pensamos sempre porquê não cortámos a perda a tempo, quando ela era ainda pequena?

não tem mal reconhecer que se deu um passo maior do que a perna. um político tem de ter visão senão para que serve? para isso meto um merceeiro no governo. ao menos saberá fazer contas.

cumprimentos,
bluexip
Título: Re: Saída de Portugal do Euro - como proteger poupanças?
Mensagem de: Magicwater em Janeiro 09, 2012, 13:54
bluexip

Caso Portugal saia do Euro, basta teres levantado o dinheiro todo dos Bancos, e te lo num cofre em casa:)

Certamente se isso acontecer o escudo vai ser uma moeda fraca, ja estaras a ganhar muito em trocar de euros para escudos :)

Logo não vejo a necessidade de meter o dinheiro em bancos suiços, nem em investir noutra moeda :)
Título: Re: Saída de Portugal do Euro - como proteger poupanças?
Mensagem de: Garfield em Janeiro 09, 2012, 15:05
Boas. Eu já afirmei isto várias vêzes e volto a afirmar: não faz qualquer sentido Portugal abandonar a Zona Euro ou, pelo menos, abandonar o euro numa lógica de Europa a 2 velocidades.
Do ponto de vista económico seria uma catástrofe. A nossa divida é enorme e está denominada em euros. Se, por acaso, alguém pensa que voltar ao escudo traria vantagens ou, pelo menos, não traria desvantagens, desengane-se.

A 1ª consequência seria uma degradação acentuada da cotação do escudo face às outras divisas, sobretudo face eo euro. BCE e FEEF deixariam de intervir no mercado da dívida portuguesa, com consequente aumento de juros e desvalorização da moeda. Acho que não será descabido afirmar que, neste cenário, ao fim de 1 ano, veríamos agravado o valor nominal, em escudos, da dívida, na ordem dos 30-50%.

A 2ª consequência seria a alteração das condições de acesso ao Mercado Único, com todas as consequências negativas que daí adviriam. Mais de 75% das exportações portuguesas são ansorvidas pelos restantes países da UE.

A 3ª consequência seria o impacto directo nas empresas portuguesas e, consequentemente, na bolsa nacional. Não sei até que ponto é que tal hipótese implicaria a saída da Euronext mas certo e sabido é que a bolsa iria cair a pique, sem possibilidades de recuperar num futuro próximo, com todas as consequências que daí adviriam. Convém não esquecer que muitos dos níveis de solvibilidade de empresas estão dependentes das avaliações de títulos que são dados como garantias, colaterais ou fundos.

A 4ª consequência seria a de total descridibilidade internacional. Julgo que não será preciso explanar este ponto e seus impactos. Basta referir que, fora da UE, Portugal deixa de ser interessante para o investimento estrangeiro.

A 5ª consequência seria um aumento brutal das tensões sociais com aumento da perda de autoridade do Estado. Isto iria levar a tomadas de posições drásticas, radicais e que, no limite, iriam atentar contra a Democracia e o Estado de Direito.

Poder-me-ia alongar por aqui mas, em resumo, agravamento da dívida e encargos, empobrecimento brutal da população, cataclismo económico-financeiro, sublevação social.


A entrada no euro foi como colocar uma equipa da 2ª divisão B a jogar, de repente, na 1ª divisão. Claro que a adaptação tem sido difícil, demorada, enfim, tudo aquilo que sabemos. Nada mais natural. Mas alguém duvida que a única divisão que interessa é a 1ª ?
O graú de exigência é elevado ? Muito! Implica esforço, trabalho, dedicação, visão ? Sim! Que também é aquele que possibilita crescimento mais forte, mais duradouro, mais estável, maior desenvolvimento e notoriedade ? Sem dúvida!
Face ao desenvolvimento geo-político-económico-financeiro mundial, os países mais pequenos serão relegados, cada vez mais, para a irrelevância. Esqueçam os pergaminhos históricos, a língua, os CR7es...
Dentro de umas décadas, o mundo estará a dividir poder entre EUA, Europa, Rússia, China, Japão, eixo sul-americano, tenho sérias reservas se a Índia se tornará player mas eventualmente poderá surgir um grupo que associe alguns países asiáticos que estão entalados entre China/Rússia e Índia. Inclusivé, poderá assistir-se a um movimento de coesão entre EUA, Canadá e México.

Tudo países e/ou grupos com expressão económica e populacional. Tudo o que esteja abaixo desta escala será residual, inexpressivo e votado à categoria de "paisagem".

Cá dentro, importa colocar 2 questões ? A quem interessa a saída de Portugal do euro e porquê ?
O que é que a entrada de Portugal implicou, logo à partida ? Exigência. A todos os níveis. Muits vêzes, não correspondida. Isto foi passando escamoteado à pala de um ciclo de crescimento e expansão económica mundial. E que esta crise evidenciou.
Ora Portugal sempre foi um país muito sectarista, feudal. E o problema dos feudos é que, com o tempo, tornam-se um tanto ou quanto esquizofrénicos e egoístas. Portugal na UE evidencia, mais cedo ou mais tarde, a incompetência, o proveito pessoal, as debilidades dos interlocutores nacionais. E vai-lhes retirando espaço e expressão.
Para bom entendedor...

No que concerne à UE, volto a firmar, eles não estão nada interessados na saída de Portugal e nem isso está na sua agenda. Na deles, entenda-se. Quem também sabe isto são os chineses. Ou por acaso alguém julga que se tal pudesse sêr, para já, um cenário plausível, eles teriam entrado na EDP ? Juízo e cabeça fresca.

Nestas matérias, concordo com muito do que o fisher afirma. Apenas não concordo com uma coisa. O problema não reside nos nossos dirigentes e representantes políticos. Reside na sociedade que os suporta. A sua qualidade (ou falta dela) é sempre reflexo da sociedade subjacente que os suporta. Do seu nível de envolvimento, participação e exigência.

Uma última nota: não afirmem que o euro é uma moeda forte. É que dá a idéia de que o euro apresenta uma valorização acima do que deveria face às outras moedas. Estável, concerteza que é. Mas não está, nem de longe, nem de perto, sobrevalorizada.

Cumprimentos
Garfield
Título: Re: Saída de Portugal do Euro - como proteger poupanças?
Mensagem de: bluexip em Janeiro 09, 2012, 17:59

acho que se insiste em fazer uma confusão entre o que é lógico e do interesse nacional a longo prazo e o que efectivamente se passa.

eu preferia de longe a integração europeia. sou federalista. acho que se caminha de forma inexorável para grandes blocos económicos mundiais e o esbatimento da noção de país.

mas a prática mostra que estamos mais longe do sonho de um bloco europeu do que pensávamos. os interesses nacionais são fortes e foram esbatidos/camuflados numa altura em que as condições económicas foram propícias. essas condições acabaram por vários e penosos anos. basta pensar no exemplo jugoslavo que sofreu uma fragmentação e que agora se vê todos a querer fazer parte do mesmo barco. insano. como se a memória colectiva se alterásse por um passe de mágica ou um agitar de uma cenoura.

há depois que não confundir o projecto europeu com a moeda única. o projecto europeu pode continuar a avançar sem que a moeda única seja indispensável. o euro só tem 10 anos e metade dos paises europeus não está no euro e alguns nem à união europeia pertencem.

a saída de Portugal do Euro implica duas coisas:
1) reformulação e incumprimento de parte da dívida
2) saída controlada para o escudo

são duas coisas bastante sensiveis ao tempo e espero para bem de todos nós que alguém esteja já a "fazer contas". o pior que pode acontecer para Portugal e para a Europa é deixar a situação chegar ao ponto em que a decisão será imposta à força. sobretudo, a atitude dogmática face à hipótese de saída do Euro é para mim indicador de que o pensamento está enviesado.

eu sei que isto é dificil de aceitar. é como estar num início de um bearmarket. metade do tempo é passado depois a discutir se é ou não um bermarket.

pensemos então o que irá acontecer se Portugal se mantiver no Euro. olhemos para a situação económica na Europa e aos sentimentos nacionalistas. o que irá sair daqui? será alguma coisa boa? alguem acredita nisso? a Grécia e Portugal vão alguma vez pagar a dívida? a Espanha e Itália para lá caminham. E com estes vai-se 20% de economia europeia. quem segura isto? nem sequer há capacidade para ligar as impressoras :)

Portugal tem uma posição priviligiada no mundo se a quizer ter. é altura de abrir a pestana e parar com o discurso dos coitadinhos à margem da europa e do reboque das decisões europeias. Europa é um barco a afundar. primeiro salvemos Portugal e depois pensemos na Europa pois é o que os outros vão pensar também.

se é preciso exemplos de que há esperança fora do discurso unicolor, olhe-se para a Islândia e tire-se ideias.

cumprimentos,
bluexip
Título: Re: Saída de Portugal do Euro - como proteger poupanças?
Mensagem de: Garfield em Janeiro 09, 2012, 22:46
Boas bluexip  :)

Concordo contigo em muitas das tuas afirmações e premissas mas é preciso referir-se algo fundamental: o projecto europeu não é sinónimo de Europa. Isto é um dado adquirido embora, verdade seja dita, o objectivo passe por aí e até um pouco mais para além. Em 2º, se é verdade que há países que não adoptaram o euro, também é verdade que esses acabam por estar limitados nos seus âmbitos políticos, não formalmente mas na prática. Veja-se o exemplo do Reino Unido.

Posto isto, afigura-se-me difícil de conceber uma evolução do actual projecto europeu partindo-se do princípio de que recuos e/ou retomar de caminhos divergentes possam contribuir de forma positiva para o mesmo. Aliás, para mim, é completamente antagónico.

Quanto aos sentimentos nacionalistas, e ao "primeiro salvemos Portugal e depois pensemos na Europa pois é o que os outros vão pensar também", já discordo em absoluto. Em 1º porque acredito e defendo que salvar Portugal passa por lutar pelo projecto europeu. Em 2º porque há Estados-membro que lutam, têm lutado e vão continuar a lutar. E isso passa por lutar por nós, Portugal, e para nós.

Que se diga que não é propriamente pelos nossos lindos olhos, não, não é. Que passa pelo facto de, geo-estratégicamente, termos a nossa relevância e potencial, também é verdade. Que também é verdade que todo esse potencial será maior ou menor na medida do nosso enquadramento no projecto europeu, sem sombra de dúvida.

E quanto aos sentimentos nacionalistas, veja-se que a Angelazita, mesmo com todos os percalços, continua a ter as sondagens a dar-lhe a re-eleição. Ou a oposição a pautar-se por discurso europeísta embora possa discordar em termos de forma ou condução, mas sem por em causa a integração/convergência.

O eixo franco-alemão (agora eixo italo-franco-alemão) tudo fará para para segurar isto. E não é por teimosia... Se, em termos nacionais, vamos ter interlocutores à altura ou não, isso vai depender, em grande medida, de todos os portugueses.

E peço desculpa mas, para mim, a Islândia é trivial e não serve de exemplo para quase nada. Salva-se o facto de lá ter nascido a Bjork...  ;D

Cumprimentos
Garfield
Título: Re: Saída de Portugal do Euro - como proteger poupanças?
Mensagem de: fisher em Janeiro 11, 2012, 00:14
Caros amigos

Falaram todos muito bem.

Companheiro  Garfil . Gostei  da sua opinião geral . Todavia não leve a mal mas não concordo com a sua ideia de :

Em 1º porque acredito e defendo que salvar Portugal passa por lutar pelo projecto europeu. Em 2º porque há Estados-membro que lutam, têm lutado e vão continuar a lutar. E isso passa por lutar por nós, Portugal, e para nós.

Não leve a mal , mas não posso concordar , com todo o respeito , porque esta é a ideia da generalidade que põe a defesa da Europa acima de Portugal , e Portugal em 2º lugar , e isto é um tremendo erro, erro  que é responsável pela actual crise portuguesa.

Os portugueses têm que colocar a defesas dos interesses dos portugueses acima dos interesses da europa.

Os portugueses parecem uns cordeirinhos submissos da europa , uns servos , uns criados  .

E isto é o maior erro que se pode cometer. Os portugueses não podem ter medo da Europa , devem assumir-se como independentes e soberanos, nunca como  submissos cordeirinhos.

Este é um pensamento negativo e   responsável pela actual crise , pela divida portuguesa.

Os portugueses têm que se assumir como grandes homens , livres e independentes da europa e exigindo que a europa  respeite os seus interesses económicos, nunca o contrario.

É a europa que tem de aceitar as nossas condições económicas , e nunca o contrário.

É preciso restabelecer o orgulho de sermos portugueses e de sermos descentes dos nossos grandes antepassados ,grandes herois.

Enquanto isto não acontecer desculpe dizer mas nunca vamos ser nada.

Podemos ser uma coisa qualquer, mas nunca vamos ser gente respeitável.

As minhas desculpas pela opinião contraria , no respeito,  como é evidente.

Cumprimentos e bons negócios
fisher
Título: Re: Saída de Portugal do Euro - como proteger poupanças?
Mensagem de: Garfield em Janeiro 11, 2012, 01:39
Boas

Fisher, compreendo e respeito a sua opinião. Também me revejo no seu orgulho de sêr Português. Sou Português e tenho um orgulho tremendo no meu País e nas minhas gentes.

Mas também me considero pragmático. Os Maias, os Incas, os Gregos, os Persas, os Egípcios, os Romanos, todos eles foram grandes povos e representam grandes civilizações de outrora, tods elas recheadas de seus heróis. De outrora. Isto é a evolução natural do mundo.

Não defendo ser um cordeirinho submisso mas da mesma forma não reconheço a mim mesmo, ao meu país, ou a qualquer outro Estado-membro, qualquer direito à imposição "tout court", que vá para além do aceitável. E numa Europa, o aceitável implica negociar, falar, discutir, apresentar propostas, soluções, equilíbrios e, acima de tudo ideoneidade ao fazê-lo.

Da mesma forma que se todos os Estados-membro assumirem a postura de "a Europa é que tem de aceitar as nossas condições", então, muito provavelmente, não teríamos chegado onde chegamos. Não teriamos chegado a lado nenhum.
Nós não somos livres e independentes. Nenhum Estado no mundo o é, por mais poderoso ou rico que possa sêr. Todos têm o seu grau de liberdade e mais ou menos inter-dependência. Aliás, os Estados que criaram maior graú de inter-dependência são aqueles que mais se desenvolveram numa perspectiva abrangente - económica, política e social.

Tenho orgulho no meu País mas não posso dizer o mesmo sobre muitos dos nossos responsáveis políticos no que toca à gestão do mesmo, dentro e fora de portas.
Orgulho, todos o podemos ter, na medida que se quiser. Mas o orgulho sem respeito vale pouco mais que nada. E o respeito não se ganha ou se compra. Luta-se por ele!

E agora eu pergunto: que é que temos feito para conquistar respeito portas fora ? A Europa é culpada pela nossa dívida "descomunal" ? Ou somos nós, devido à gestão, em muitas situações, irresponsável e parcimoniosa que fizemos ? A Europa é responsável pelo facto de se terem desbaratado os fundos injectados para a modernização e adaptação do sector primário ? A Europa é responsável pelo facto de, ainda hoje, a rede ferroviária, tão importante a nível comercial, ainda não estar desenhada e implementada de acordo com a rede europeia de transportes, matriz essencial para diminuição de tempo e custos e modernização/normalização logística ?

Que respeito é que conquistamos quando o Sr. Barroso, enquanto PM de Portugal, numa altura em que a Europa se tentava afirmar politicamente contra a hegemonia, quase ditatorial, norte-americana, resolveu apoiar a Invasão do Golfo à revelia da ONU quando a Europa tinha concordado em não o fazer ?

Que respeito é que conquistamos com as notícias de passivos acumulados ocultos, salários e mordomias chorudas para CEO's de empresas estatais ou com domínio estatal, à revelia de resultados e/ou competências ?
Que respeito é que conquistamos com a autofagia politiqueira interna, em que um candidato a qualquer coisa promete mundos e fundos e crítica quem está no poder, para, assim que é eleito, assumir que o caminho anterior era o certo ?

Quando projectos de interesse estratégico nacional, são desvirtuados, corrompidos, apenas por terem sido iniciados por um executivo de base partidária diferente ?

O que é que, até hoje, apresentamos à Europa de diferente, coerente, responsável, exequível ? Políticamente falando ?


Heróis de outrora ? Tenho um cuidadoso orgulho, consoante os exemplos. Mas num mundo em mudança, eu quero, enquanto Português, que o meu País possa continuar a fazer parte daqueles que escrevem a História. E como não tenho pretensões (ilusões?) de Portugal voltar a ser a maior potência marítima e militar mundial, prefiro lutar por algo que nos garanta uma parte desse papel. E passa, inevitavelmente, como membro agregado de um grande bloco geo-político. Caso contrário, daqui a muitas décadas, séculos, arrisco-me a que os nossos descendentes apenas saibam o que foi Portugal pelos livros de História. Irremediavelmente, sem mais heróis.

Muitos dos momentos-chave da História ficaram marcados pelo papel desempenhado por alguns homens extraordinários, que estavam no momento certo, no sítio certo. Não enquanto obreiros mas enquanto catalisadores carismáticos e visionários. Independentemente das suas origens. Queremos conquistar respeito ? Lutemos por ser extraordinários, então. Neste momento, não me sinto num País candidato a sêr extraordinário quando tem um PR que assumiu, antes de eleições, ter cometido uma "falha" no que toca à declaração do valor de aquisição de um imóvel e que implicou uma cobrança por defeito do extinto SISA. Que ainda não explicou os contornos da aquisição de acções do BPN. E que, mesmo assim foi eleito. Talvez muito à custa dos mais de 50% de Portuguese com direito a voto que resolveram fazer qualquer outra coisa nesse dia...

Quanto a algumas imposições da Europa, há um ditado antigo, muito português, que corre mais ou menos assim:
"Em casa, quem dá o pão, dá a educação."

Se é triste e vergonhoso estarmos sujeitos a tal situação ?  É.
A culpa é dos outros ? Podemos passar a restante década a repetir e a jurar que sim. Pode sêr que se consiga convencer alguém.

Afirmo e repito: O respeito ? O respeito conquista-se!

Eu entendo perfeitamente o seu ponto de vista, fisher. E quase comungo com esse orgulho e esse desejo de re-afirmação internacional. Só que há limites para o que podemos aspirar. Ter um lugar no mundo vai sempre depender do poder que se detenha no mesmo.

Dentro da Europa temos garantida uma identidade e poder. Fora dela, será uma questão de (pouco) tempo até passarmos para a categoria de "irrelevantes".
Dentro da Europa podemos lutar por sermos respeitados, ouvidos, se tivermos dirigentes políticos capazes, até poderemos liderar processos que congreguem países para além do eixo italiano-franco-alemão (a UE tem muitos Estados-membro) e, dentro do projecto europeu, a nossa posição geo-estratégica poderá ser usada como mais-valia e alavancagem para discutir muita coisa, haja quem tenha visão para investir sábiamente nela.

Fora da Europa, o que temos ? Verdadeiramente ? E qual destes cenários é que nos permitirá melhor lutar pelo País ?

Poder-se-á argumentar que, para isso, é necessário termos líderes políticos capazes. É verdade. Mas se, na generalidade, só nos sairem incapazes, mesmo assim, produzem menos estragos ao País se estivermos na Europa. Basta olhar para trás...

Cumprimentos
Garfield
Título: Re: Saída de Portugal do Euro - como proteger poupanças?
Mensagem de: fisher em Janeiro 12, 2012, 01:39
Caro  Garfield

Temos opiniões  muito diferentes sobre o nosso papel  na Europa. Antagónicas  mesmo , penso eu.

Eu defendo que o português na europa não se pode assumir como um cordeirinho submisso , um cachorro da Europa . De jeito nenhum.

O Português na Europa tem de ser um Homem de pleno direito,  capaz de berrar bem alto , no parlamento Europeu, e não só, na defesa dos seus legítimos interesses , nunca o contrario. O português que não o fizer não é bom português

O Português que está na europa com a mentalidade de cachorro, ou cordeirinho submisso, e se envergonha de defender os seus legítimos interesses, é um palerma , um cachorrinho, um.... .

Defender os legítimos interesses não tem nada de mal é simplesmente uma atitude de Homem , uma atitude nobre. 

Ter vergonha de defender os seus interesses, o que é seu legitimamente,  é atitude burra , cobarde, atitude de cachorro.  Só há uma razão para o fazer : é ser imbecil.

Dou um exemplo de uma atitude de homem . É , sem duvida a atitude recente  dos Ingleses , de David Camerom, que se estiveram nas tintas para prejudicarem os seus interesses , os interesses da Inglaterra ,a favor da Europa, e votaram sozinhos , sem medos ,contra os últimos tratados  por prejudicarem os seus interesses economicos e financeiros . Votaram contra e não houve represálias da Europa contra eles , julgo eu.  Não vejo nenhum português capaz duma atitude destas no actual quadro português.

Os Ingleses, não interessa avaliar se estão certos ou errados . O que interessa avaliar é que ao assumirem a sua posição de defesa intransigente dos seus interesses, bem ou mal não interessa,  assumiram o papel de grandes Homens e não de cordeirinhos submissos e dóceis cachorrinhos .

O que quero dizer é que no quadro actual não temos nenhum português que eu conheça, que fosse capaz de levantar um dedo  para defender os interesses do País , sabendo que podia desgostar a Europa.  Falo pois destas duas atitudes  antagónicas, uma de homem , a outra de cordeirinho submisso ,que em nada são iguais ou semelhantes.

Vou ser mais concreto e dizer o seguinte.  A europa , em tempo, quis prejudicar os portugueses, e prejudicou, atribuindo cotas de produção a um País falido(isto não se faz , empurrar um País para a falência) , o nosso,  cotas de produção do leite e do queijo dos Açores e outras.   Pois acontece que  nós trabalhámos como doidos e excedemos a produção , e depois dizem, os totós ,que os portugueses são calões , preguiçosos ,e não são produtivos , uma aldrabice, são uns aldrabões os que caluniam os portugueses desta vil  maneira.

Excedemos a produção, as cotas,  e os nossos produtores  tiverem de deitar o leite e o queijo dos Açores , e as laranjas para o lixo, uma vergonha.  Viu-se isto na televisão, em tempo.

O que eu quero dizer é que alguns portugueses foram cachorros e cordeirinhos submissos ao aceitarem serem prejudicados na sua economia  por ficarem proibidos de produzir acima do limite imposto traiçoeiramente pelos comerciantes europeus mais espertalhões ,  grandes comerciantes e especuladores é o que são.

Se os portugueses tivessem o sangue dos Ingleses, ou dos portugueses antigos,  teriam dito, por exemplo: Meus amigos ponham os limites que quiserem à produção dos portugueses porque ficará no papel .

Nós não cumpriremos medidas contra nós. Nós, que estamos falidos,  nunca aceitaremos  qualquer limite à nossa produção .  O nosso objectivo é aumentar a nossa produção e exportações para ganharmos dinheiro para vos pagarmos o juro indecente que os srs nos cobram.

E mais ainda , não só não aceitaremos como exigimos solidariedade , e os amigos , mais ricos, deixem-se de fantasias, ganhem juízo,  e  por solidariedade vão ter que nos comprar toda a nossa produção de leite em excesso , queijo , laranjas , porque não autorizamos que os amigos destruam mais a nossa economia débil.

E mais, se não aceitarem comprar o nosso excedente não levam o pagamento do juro do dinheiro que devemos, e reduzimos as importações dos vossos Países e começamos a importar da China porque é mais barato, ganhem mas é juizo. Isto é  pegar ou largar,  ou uma coisa ou outra e nada mais.  Boa tarde meus senhores, até amanhã.

Isto meus amigos é negociar à homem. Negociar à cachorro é . Pois, pois , senhores comerciantes Europeus  nós fazemos tudo o que vocês quizerem , mas tudo o que os senhores comerciantes quiserem que façamos. Vejam ,se querem que mandemos  , também, a nossa produção de batata para o lixo, para obrigarmos os portugueses a comprarem o excedente da  vossa batata,  digam agora porque não nos custa nada mandar tudo para o lixo.

Meus amigos tenham dó, vamos mas é discutir à Homem, de igual para igual , e deixemos o papel de totós. Vamos mas é defender os nossos interesses económicos e financeiros e não os interesses dos comerciantes Europeus espertalhões,  que são 100 vezes mais manhosos que nós para se saberem defender enterrando-nos.

O que quero dizer é que estamos falidos porque nos últimos 20 anos não tivemos nenhum português , que eu conheça, que soubesse defender a nossa economia, as nossas finanças . Por isso está falida e o desemprego infelizmente a aumentar e a trazer miséria às famílias portuguesas, infelizmente. E tudo por falta de cabeça,  e.... .
e aguardem mais 3 anos com as mão na cabeça para verem como vai ser o nosso desastre económico daqui por 3 anos . façam as contas e vejam.

Hoje não tenho tempo para dizer mais .

Caro garfiel  , não leve a mal porque esta retórica não tem nada contra si.

Respeito ,sinceramente, que tenha opinião diferente.
A opinião diferente não é nenhum mal . A opinião diferente é uma coisa boa.

Cumprimentos
Título: Re: Saída de Portugal do Euro - como proteger poupanças?
Mensagem de: Garfield em Janeiro 12, 2012, 03:57
Caro fisher

Já tinhamos trocado opiniões sobre alguns dos pontos em que toca. Resumindo, temos o nosso orgulho enquanto Portugueses mas concepções diferentes da realidade.

Pelo que li, presumo que entenda que Portugal deve impor tudo o que bem entender, nem que, para isso, use como argumento a possibilidade de entrar em default (não pagar os juros é não pagar uma parte da dívida e isto pode ser considerado default).

Quando se fala de legítimos interesses, convém não esquecer o que legitimidade implica:

"...O conceito de legitimidade, embora pressuponha uma relação de dominação (Herrschaft) entre a pessoa ou grupo investido de autoridade e as pessoas predispostas a obedecer, comporta a ideia de um mínimo de consentimento ou submissão 'voluntária'... "

Portanto, ou somos nós os submissos, ou os outros! Como afirma que nós não deveremos assumir nenhuma posição de submissão e impor a aceitação de todos os interesses e prerrogativas nacionais, teremos que cair num cenário em que 10 milhões de Portugueses irão submeter 310 milhões de Europeus (apenas da Zona Euro) aos seus critérios, vontades e exigências!

Claro que todos nós somos livres de ter as atitudes relacionais que se bem quiser mas, assim à 1ª vista, parece-me um tanto ou quanto... desproporcionado.
E, de repente, faz-me recordar um certo indivíduo, eleito por sufrágio regional como Presidente de uma região autónoma Portuguesa, que assume um comportamento mais ou menos dentro desses termos. Assim sendo, segundo essa lógica ele terá toda a legitimidade para impor o que quiser ao "resto" do País.
Quanto aos restantes Portugueses, não sei mas, por mim, esse senhor bem pode ir plantar batatas!

Ora, Portugal representa 3,4% da população da Zona Euro, representa apenas 1,4% do PIB e nós é que vamos impor o que bem entendemos ? E eles só têm mais é que aceitar ? Por alma de quem ? Pelos nossos lindos olhos ?
Quando, por exemplo, quase 80% das nossas exportações são absorvidas pelos restantes países da UE, muito graças ao facto de nós estarmos integrados na UE ?

E de nada vale andar a usar a UE como desculpa para os nossos descalabros. Relativamente às cotas de produção, refira-se, desde já, que Portugal tem beneficiado das mesmas num rácio superior ao seu peso relativo. Em 2º lugar, a grande razão para a existência de cotas assenta na protecção dos produtores através do estabelecimento de valores máximos que não ponham em causa rendibilidade e rentabilidade da produção agrícola. A história está recheada de exmplos catastróficos de desequilibrios de mercado por excesso de oferta, com a agravante de quando ocorreram situações dessas, terem gerado abandonos das explorações agrícolas e de população activa no sector primário, por sua vez, difícil de repor.
E não vamos estar cá com tretas no que toca à produção agrícola porque, se por um lado, ao nível dos produtores temos bons exemplos, conheço muitos mais que não passam de maús exemplos e quanto a isto sei bem o que afirmo com conhecimento de causa.

Quer um exemplo ? Um belo dia, fui abordado por um indivíduo que me indagou se eu tinha alguma forma de saber quando é que "os satélites faziam o controle das plantações". Porque o individuo queria cortar o fornecimento da água sem colocar em causa o pagamento do subsídio ao cultivo a que tinha direito. E, com jeito, acabaria por solicitar um outro para suportar as "perdas" de produção!
Só foi mais um a quem eu, muito respeitosamente, mandei plantar batatas!

Quanto aos juros "indecentes" que nos cobram, parece-me estar equivocado. É que, se bem me recordo, Portugal foi amplamente protegido pela UE da escalada de juros que a Irlanda e, sobretudo, a Grécia, sofreram por parte dos mercados e está, neste momento, a usufruir de empréstimos por parte do FEEF a taxas muito razoáveis. Mais baixas do que as que o FMI impôs!

Quanto à pobreza do País, deixe-me recordar-lhe que há 25-30 anos atrás, os vencimentos, na generalidade, eram muito mais baixos, o acesso a serviços como Saúde e Educação, muito mais baixo, que há 25-30 anos atrás não faltavam exemplos de fabricantes de calçado que contratavam famílias inteiras, com menores incluídos, para coser sapatos, pagando-lhes uma miséria!

A UE é culpada por tudo isto ? Se ainda estivessemos "orgulhosamente sós, juntamente com o nosso Escudo, este já teria desvalorizado de tal forma que seria impossível, sequer, pensar em ter viatura própria devido aos custos dos combustíveis.

Dentro da UE nenhum Estado-membro afirmou que "éramos preguiçosos". Ouviram-se algumas opiniões individuais de uns, muito poucos, "tristes" sobretudo de países nórdicos. O que foi afirmado é que o trabalhador português apresenta um baixo índice de produtividade e isto é a mais pura das verdades, do ponto de vista económico! Não quer dizer que o trabalhador português trabalha pouco e mal. Em média, até trabalha mais horas! O problema está na organização do trabalho e das empresas! Isto é que eles afirmaram!

Mais. Foram representantes políticos nossos que resolveram distorcer esta abordagem económica do trabalho no âmbito da UE e se atreveram a insultar os trabalhadores portugueses afirmando que o problema estava no trabalhador. Esses é que nos insultaram!

E agora vamos criticar e UE porquê ? Pela falta de capacidade, de estrutura, de competência, dos nossos representantes políticos ?
Sabe, eu não me importava de que alguns deles fossem idiotas porque, ao menos, significaria que tinham algumas idéias, por mais disparatadas que fossem.
Mas nem isso temos, neste momento! E isso é culpa nossa! Não é dos outros!
Aliás, olhe-se bem para o que se passa. Tirando algumas ilustres excepções, não se discutem políticas para nada. Apenas orçamentos e execuções! Foi para isto que se elegeu um Governo ? Melhor teria sido ter contratado uma equipa de gestão especialista em insolvências...

As regras dentro da UE até nos dão condições para discutirmos e fazermos valer as nossas idéias, conceitos, projectos, interesses. Se enquanto País não fazemos, a culpa é nossa.

Agora, não contem comigo para fazer o papel do pedinte orgulhoso cheio de fome mas que reclama com quem lhe oferece a comida porque "está um bocadinho quente demais!" Ou com quem lhe oferece trabalho mas ele recusa "porque trabalhar dá-lhe dores de cabeça"...

Quanto a Cameron, sei que tem uma admiração especial pelo que ele está a fazer. Eu mantenho o que afirmei sobre a pessoa. Não passa de um moço de recados da City e está a prestar um maú trabalho ao seu povo, ao fazê-lo. Para mim, seria o mesmo que o Pedro ir a Bruxelas defender o direito a um Ferrari para todos os quadros de empresas financeiras portuguesas.
Convém não esquecer que a prosperidade da City também é distribuida pelos Ingleses. Também...
Veremos se daqui a uns tempos, o "menino" Cameron não o irá desiludir. Quando abordar a Angelazita e o Sarko para chegarem a um entendimento sobre a adopção e aplicabilidade das medidas. E quando esse dia chegar, mais uma vez, não estará a ser um líder. Apenas estará a dar o recado que a City lhe mandar dar...

Com todo o respeito pela sua opinião, fisher

Cumprimentos e bons negócios
Garfield
Título: Re: Saída de Portugal do Euro - como proteger poupanças?
Mensagem de: fisher em Janeiro 13, 2012, 16:26

http://www.youtube.com/watch?v=dLf0wfMFOaw&feature=share

Caro Garfield

Para se perceber melhor o que se está a passar veja o que é um homem a discursar para a Europa , sem medos, á homem.

Isto é que é um português sem medos, um português a serio ? será ?


cumprimentos
fisher
Título: Re: Saída de Portugal do Euro - como proteger poupanças?
Mensagem de: Garfield em Janeiro 13, 2012, 19:12
Boas fisher

Quero começar por dizer que tenho gostado muito desta troca de idéias e opiniões.

Há uma grande diferença entre um homem que discursa sem medos e um arrivista populista.

O sr. Farage é, e sempre foi, um populista anti-europeísta, logo, ele nunca contribuiu para a solução e, por uma questão de honestidade e integridade, nem sequer deveria ter-se candidatado a deputado europeu mas, como afirmou, uma vez, supostamente off-record, é um cargo muito porreiro porque lhe dá muito dinheiro.
Aliás, refira-se que, há uns anos, a BBC relizou um documentário sobre ele e a sua ascensão no Partido Independente, que não chegou a emitir mas o senhor achou-se no direito de solicitar a um amigo, que lhe fornecesse uma cópia do mesmo. Decidiu então replicar a mesma e vende-las...

Não ponho em questão a pertinência de algumas das situações que ele comentou e denunciou no passado mas nesta peça, faz afirmações pura e simplesmente absurdas e revestidas de pruridos mentais. Senão, vejamos:

Começa por afirmar que, por qualquer prisma que se observe, o euro é um projecto falhado. Falhado ? Em que medida ? Porquê ? Só porque ele gosta, ou necessita, de dizer que sim ?
De seguida, afirma que o projecto europeu foi criado para evitar novo domínio da Alemanha. Dá vontade de perguntar o que é que o senhor anda a tomar! Então a UEE foi inicialmente criada com o intuito de limitar a Alemanha ? Passou-se! A própria designação tem origem nas premissas iniciais do projecto!
O que se torna evidente é que o sr. Farage tem uma nítida inveja perante o que a Alemanha conseguiu, desde a 2ª Guerra Mundial! A Alemanha foi reduzida a escombros, bem mais do que o Reino Unido, viu-se desapropriada da sua força laboral especializada em quase todas as áreas, retalhada em duas durante décadas, com toda a estrutura política e social anulada, e que, mesmo assim, emergiu das cinzas renovada, pujante, sólida e acima de tudo, enterrando o passado e tudo o que ele significou e implicava de maú, enquanto que o Reino Unido, apesar de benificiar muito mais amplamente do Plano Marshall, de ter sido, à altura, o país da Europa com maior poder, cresceu muito menos, conseguiu muito menos e está refém do sector mais forte da sua economia - o sector financeiro.
O problema do sr. Farage é que ele desejaria que o Reino Unido estivesse na posição em que a Alemanha está.

Aliás, diga-se de passagem que a sua postura não espanta nada já que, tal como afirmei, a UE é uma "ameaça" para o poder e influência da City e, não sei se sabe, mas este senhor começou a trabalhar na City e chegou a criar uma empresa de intermediação financeira com sede em Londres. Neste momento, os EUA e a UE têm um índice de regulação bem mais elevado sobre o sector financeiro do que o RU. A City tem benificiado disso mesmo e não quer abdicar e muito menos, perder o seu estatuto e liberdade, independentemente disso pouco ou nada benificiar o cidadão comum. Antes pelo contrário!

Relativamente ao referendo, numa base de princípio, concordo com o que ele afirma, pese embora o facto de eu acreditar que a pressão sobre Papandreou e o referendo foi no sentido de não dar a possibilidade de agravar uma situação já de si grave que, diga-se de passagem, é resultado de uma "guerra" contra a UE que tem vindo a ser alimentada e apoiada por um eixo com início nos EUA e que passa pelo RU.
Foram as palavras certas ditas pela boca errada.

Quanto à intervenção directa que faz a Van Rompuy, é caso para lhe perguntar: com que direito ou moral é que ele se atreve a questionar a Europa ? O que é que ele fez, até hoje, pelo projecto ? Que moral tem um homem que acredita que o projecto europeu nem sequer devia existir mas que gosta de usufruir do retorno económico e financeiro que ser deputado europeu lhe dá ? Um homem que está em representação de um país que pouco contribui para a Zona Euro, participa marginalmente nos esforços económicos da mesma (mas gosta de usufruir do facto de estar integrada no Espaço Económico Europeu) e que, mesmo assim, chegou a ter a distinta lata de exigir que o RU pudesse ter o mesmo poder de decisão que qualquer país de Zona Euro, pela boca do moço de recados.

Eu nem sequer vou abordar o nível de educação pelo qual o sr. Farage gosta se pautar. Apenas vou afirmar isto: espremam-se os seus discursos, retire-se deles as intervenções populistas e as pessoais, e veja-se o que resta. Nada. Não há uma idéia, um conceito, uma discussão de factos que suportem argumentos. Vazio de conteúdo. Apenas alguém que está contra tudo e contra todos. Porquê ? Porque sim.

Dou-lhe o crédito de ser alguém que consegue explorar muito bem o seu mediatismo mas, muito sinceramente, ouvi-lo faz-me recordar algumas más peças de teatro de revista.

Para mim, um homem que teve a coragem de dizer o que tinha que ser dito foi Sarkozy. A Cameron. Disse-o sem papas na língua, sem perder a compustura, foi mais do que assertivo, clarinho como água, e em duas frases condensou o que a esmagadora maioria dos representantes europeus pensa sobre as posições de Cameron e, consequentemente, do Reino Unido. E atenção que eu não tenho particular simpatia por Sarko.

Como caso português, e isto sem qualquer conotação político-partidária, tenho gostado muito de muitas das intervenções do Miguel Portas. E este, na minha opinião, tem um pouco mais de idoneidade e moral do que o sr. Farage...

Cumprimento e bons negócios
Garfield

Peço desculpa, fisher, mas é a minha opinião.
Título: Re: Saída de Portugal do Euro - como proteger poupanças?
Mensagem de: fisher em Janeiro 14, 2012, 18:10
Caro Garfield

Gostei de discutir o futuro consigo embora tenhamos ideias opostas ou diferentes sobre a solução para salvar a situação.

A nossa solução para a crise , para resolver a nossa falência, é oposta, penso eu, mas não tem problema nenhum.

Eu tenho uma solução excelente , a melhor , modéstia à parte, muito simples, e posso garantir que resulta, e que se resume a defendermos intransigentemente os nossos interesses económicos e financeiros, e não admitir de jeito nenhum que os Europeus , Alemães, Franceses, Ingleses,  Italianos , gregos etc.  nos prejudiquem  economicamente e financeiramente .

Não admitir de jeito nenhum que esta gente nos agrave mais o nosso estado de Falência, o nosso sofrimento.

Não admitir de jeito nenhum fazer favores comerciais a esta gente, favores que nos prejudiquem e que agravam mais a nossa bancarrota camuflada.

Não admitir cotas à nossa já ínfima produção deficitária.

Este é o meu plano muito simples mas muito eficiente, eficaz, e que se resume a estas palavras simplesmente: defender nossos interesses  económicos e financeiros mesmo que vão contra os interesses dos Alemães , franceses e Italianos, e outros europeus .

E tenho a certeza que uma vez posto em pratica o desemprego reduziria 5 a10% ao ano , e o crescimento economico aumentaria 2 a 3 % ao ano.
 
Tudo isto com redução das importações e desenvolvimento do Comercio Externo com o inevitável aumento das exportações  significativamente.

Não tenho a menor duvida que esta é a grande solução , o grande plano económico tão grande efeciente quanto simples, e que se resume apenas em defender os nossos interesses económicos e financeiros junto da Europa e obrigar os europeus a aceitarem  o direito que temos à defesa que temos dos nossos interesses económicos.  

Este é um direito que nos assiste do qual não abro mão de jeito nenhum.

O direito à defesa dos interesses é básico , e é um direito natural inquestionável.

Garfil , o direito que temos à autodefesa não se negoceia com a Europa , exige-se e impõe-se !!! quer a Europa aceite ou não , pouco importa. É como o direito à vida não se negoceia , exige-se.

Mas para não ficar céptico e triste deixe-me dizer-lhe que o defender os nossos interesses económicos  não implica necessariamente prejudicar a Europa, os Franceses e Alemães.  Implica apenas  que a Europa , a França , a Alemanha a Italia  não nos prejudiquem economicamente e financeiramente , e respeitem as nossas opções simplesmente , mesmo que não gostem nada.

Acabo de apresentar, pois,  o meu plano de salvação Nacional.

Caro Garfil é claro que respeito a sua opinião, diferente, mas  pelo que percebo a sua ideia é próxima  , julgo eu,  à de 10 milhões de portugueses (99%) que defende  que o melhor é sermos servos ,criados da Europa, cachorrinhos dos Europeus, que defendem que o melhor é fazermos  tudo o que eles querem, Europeus e troikanos,  para não se aborrecerem connosco .

E como eles, e os troicanos, querem a nossa Edp , e todas as nossas empresas, e julgo que até  a CGD ,o melhor é, só porque eles querem , dar-lhes tudo , mesmo prejudicando os nossos interesses,  porque o ideal é ficarmos sem nada , ficarmos na miséria.  Um disparate!!, un nonsense !.

Bom este pensamento da maioria Portuguesa , desculpe que diga ,mas, é um disparate sem sentido , um absurdo , uma burrice inqualificável, uma ignorância colectiva,  e eu não me revejo nela.

Desculpe que diga mas este pensamento que tem conduzido, e conduz, à miséria portuguesa , à dívida para o nivel de lixo,  revela de facto que somos uma geração rasca muito rasca,  muito rasca, sem dúvida como já é apelidada nos Média Portugueses, e que  assumimos  recentemente quando  fizemos uma manifestação de rua sob este titulo, para mostrarmos a todo o mundo que somos uma geração rasca, uma tristeza a que chegámos..

Bom e depois de lhes darmos todas as nossas empresas ,  e até possivelmente a nossa  CGD ,  o dinheiro depositado  das reformas dos nossos pais e  avós , o dinheiro dos nossos  doentes  que por isso deixarão de comprar os remédios de que precisam , e depois de lhes darmos os ordenados dos trabalhadores que vamos mandar para a rua para o desemprego , bom depois  de não termos empresas para dar , ordenados para dar porque o povo está todo no desemprego , eu pergunto damos o quê ??.

É uma burrice entregar a edp e as outras empresas à troika , e tudo o resto , reformas , ordenados etc. para pagamento de juros.

Depois de não terem mais empresas para dar  à troika , dão o quê ? como pagam os juros sem empresas e sem dinheiro .? não pagam  !!

Responda quem souber.

Há ! e eu pergunto valeu a pena darmos tudo  o que tínhamos para ficarmos na miséria ?. depois de darmos tudo ficámos ricos,  ou ricos miseráveis? .

Abram a pestana amigos, porque de nada vale dar as nossas empresas .
Quanto mais damos mais miseráveis ficamos.

Não acreditem nos pseudo doutores que falam na televisão afirmando que temos que fazer o que a Troika quer que façamos porque, na sua maioria, são uns ignorantes , só dizem asneiras, são os responsáveis por esta miséria.
Eu pergunto e se a Troika os mandasse ajoelhar e dissesse: agora que ajoelhou tem de rezar !. Será que eles o fariam ?. Esqueçam .  

Eu pergunto valeu a pena porquê ?? eu pergunto depois de estarmos na miséria eu pergunto a divida externa, foi paga ? ,  é maior ou menor ?  depois de entragarmos tudo, os nossos tótos responsáveis por esta desgraça reduziram a divida monstruosa , amortizaram alguma coisa ? . É claro  que não !!. é claro que depois de tudo darmos a divida externa cresceu , e  aumentou astronomicamente certamente. E depois de nada termos para dar  e da divida externa ser um monstro que nos engole vivos,  acham que temos dinheiro para pagar os juros ou não ? e acham que na miséria temos dinheiro para pagar a divida ou não ?.

Então e acham que nesta miséria a Europa nos empresta dinheiro  quando não temos 1 cêntimo para pagar juros ou seja o que for ??

Meus amigos respondam vocês  se souberem , mas a resposta é óbvia e simples.

Caro Garfil desculpe que lhe diga mas o seu plano económico de  subserviência da Europa só pode acabar na bancarrota e na desgraça, e na miséria .  A divida já está ao nivel de lixo.

A solução nunca foi nem será a subserviência cega ! .

A solução é a que defendo  :
defender intransigentemente os nossos  interesses económicos e financeiros , o nosso comercio externo e dificultar ao máximo a entrada de material importado com impostos elevadíssimos na casa dos 200%, igual ao produzido aqui,  mesmo contra a vontade da Europa, da França , da Alemanha da Italia da Grecia,  etc. se assim tiver que ser.

Não há outra forma de sobrevivermos.  

Se optarmos por sermos cachorrinhos doceis , servos da Europa , seremos sempre bons mendiguinhos , seremos sempre uns miseráveis de mão estendida.

Meus amigos deixem-se fantasias . Daqui por 3 anos as fantasias acabaram , trata-se de sobrevivermos apenas.

Bom, pior que tudo isto é sabermos que nada está a ser feito para nos salvarmos da miséria.  

Os governos nada fazem para travarem este caminhar acelerado para a miséria !!!.  É de pôe as mãs na cabeça, tanta incompetencia e.....

Os politicos mostram não saber  nada . A unica coisa que fazem porque é fácil, é castigar o povo com austeridade mais austeridade avulsa e burra. Austeridade que  não se sabe para que serve porque todos os anos há mais e mais austeridade sobre o povo.

Estará em marcha algum plano nacional para estancar a correria para o caos ?

infelizmente não conheço que exista qualquer plano para evitar a nossa queda no Buraco.

Meus amigos precisamos urgentemente  de  um plano que nos tire do buraco !!

È preciso agir rapidamente na defesa dos nossos interesses  sejam eles a favor ou contra a Europa, isso pouco importa.

Desculpe que diga mas esta é a minha opinião .

Claro que aceito e respeito opiniões contrarias o que não quer dizer que concorde com elas.

Caros amigos , acreditem que se nada se fizer rapidamente dentro de 3 anos estamos num inferno, uma miséria. É uma pena.

Bom para verem que tenho razão vejam o que disseram os independentes da Standard and  Poors  esta semana, que já não acreditam nas balelas dos portugueses ( governo) que quer fazer crer que tudo está bem  , e não está .

è tudo mentira como diz a Standard and Poors  a nossa divida ficou pior, e já  é lixo.  

Bom e se foi, e está a ser, efectuada ,pelos nossos políticos irresponsáveis e incompetentes só se pode concluir que se a divida é lixo eles se calhar pouco melhores serão , ou estarei enganado ?.

Com a confirmação dos calculos da Standard and Poors posso garantir-vos que a seguir ao lixo vem a miséria e falência  declarada  o que é uma pena porque os governantes nada estão a fazer para o evitar, pensam que tudo está bem , e para eles está, porque quando lhes falta dinheiro para os seus ordenados  milionários , têm sempre a hipótese clássica de retirarem o dinheiro ao povo com mais e mais impostos.

È triste ver os nossos políticos da treta acharem que as contas da Standard na Poors estão erradas ,porque afinal estamos mas é ricos , não estamos nada mal como diz a agencia de rating.

Ao que chegou  o descaramento , a imcompetencia, a irresponsabilida, a ignorância, e tudo o mais.

Mas eu digo a estes imcompetentes e..... se estamos bem ,como dizem, porque descem os ordenados e as reformas ,e sobem os impostos.  È porquê ?
Grandes irresponsáveis imcompetentes , e..............

Bom, caro Garfil , desculpe se me excedi na prosa porque não tenho nada contra si , apenas apreço pela forma como se defende das questões que lhe deixo.
Acho que os dois démos o nosso contributo e cumprimos a nossa obrigação como bons portugueses e démos a nossa solução para se acabar com a crise e a miséria que estão certas com estes políticos que temos.

Eu acho que as coisas vão piorar bastante e os portugueses que se omitirem serão também responsáveis.

Deixo um apelo aos companheiros politicos deste club, e aos outros:
ganhem juizo , percam o medo façam  o que tem de ser feito , defender intransigentemente os nossos interesses económicos e financeiros mesmo que tenhamos que ir contra a Europa. Primeiro os portugueses , depois os portugueses , e só depois a Europa. Nada de medos.

Atenção :

Isto é apenas uma opinião pessoal ,  de quem gosta deste País, nada mais.

Cumprimentos e bom fim de semana , e desculpem a prosa, mas custa-me que nos empurrem  para o fundo sem nada dizer.


Título: Re: Saída de Portugal do Euro - como proteger poupanças?
Mensagem de: Garfield em Janeiro 16, 2012, 19:32
Boas, fisher

Confesso que, lendo as 1ªas linhas, a solução parece estar à vista mas não deixei de ficar com algumas dúvidas mais práticas. Assim:

1º - qual seria o modelo de planeamento fiscal a aplicar tendo em conta que propõe a aplicação de taxas sobre a importação de produtos específicos ?

2º - sendo o conceito de aplicação, "produto concorrencial", de que forma é que tal iria ser avaliado e determinado ?

3º - tendo em conta a natural dinâmica de qualquer economia, a aplicação iria ser realizada anualmente ou à medida que o País fosse apresentando produtos/bens concorrentes ?

4º - de que forma iria assegurar a capacidade de resposta da DGCE ao aumento da complexidade fiscal ?

5º - de que forma iria assegurar que tal medida não provocaria um aumento de processos contenciosos no âmbito do direito comercial ?

6º - de que forma iria conciliar tal medida com a respondabilidade do País para com os acordos firmados existentes, tanto no âmbito da UE como da OMC ?

7º - de que forma iria impor a violação dos limites de cotas tendo em conta que Portugal, na esmagadora maioria dos casos, tem cotas atribuidas acima do seu peso relativo ?

8º - ao nível do sector primário de que forma iria prevenir a possível pressão negativa sobre os preços (logo, sobre os rácios de rentabilidade/rendibilidade dos produtores) por aumento da oferta decorrente da eliminação das cotas ?

9º - tendo em conta que a aplicação de taxas sobre bens importados iria assumir-se como um bloqueio comercial, que medidas tomaria para impedir os países de origem de recorrerem a medidas idênticas para com as nossas exportações

10º - em que dados suporta a afirmação de que tal medida produziria um aumento do PIB de 2/3% anuais, uma redução média anual da taxa de desemprego de 7,5% e aumento inevitável das exportações ?

11º - no caso de tal poder provocar idêntico bloqueio comercial à produção nacional, qual seria o impacto na economia/emprego e que medidas preconiza para fazer face à possibilidade de tal bloqueio provocar uma recessão ?

12º - em que dados suporta as afirmações "não admitir de jeito nenhum que os Europeus , Alemães, Franceses, Ingleses,  Italianos , gregos etc.  nos prejudiquem  economicamente e financeiramente" e "Não admitir de jeito nenhum que esta gente nos agrave mais o nosso estado de Falência, o nosso sofrimento" dado que tal pressupõe situações conducentes a danos mensuráveis específicos

13º - qual o seu conceito de "empresas nossas"

14º - quais foram as "nossas empresas" que foram "dadas" ? E a quem, especificamente ?

15º - que medidas tomaria para garantir que as "nossas empresas" permaneceriam nossas ? Passaria pela nacionalização ? E como evitaria a constituição de impedimentos à internacionalização das "nossas empresas" decorrente da provável reacção ao proteccionismo das medidas que propõe ?

16º - em que se baseia a sua afirmação de "independentes da Standard & Poors" ?

17º - (e para não alongar em demasiado) a afirmação "contra a Europa" pressupõe, como medida, um pedido de desvinculação à Zona Euro/UE ?

Com cumprimentos
Garfield
Título: Re: Saída de Portugal do Euro - como proteger poupanças?
Mensagem de: fisher em Janeiro 17, 2012, 16:59
Caro Garfil

Antes de mais o meu sincero obrigado pelas questões que levantou, de extrema importância.

Depois para lhe dar os parabéns porque mostrou ser pessoa interessada nas importantes questões que afligem a nossa sociedade , e isso é coisa rara nos dias de hoje em que no geral toda a gente assobia para o lado, de um modo geral.

Passarei a responder com bastante prazer a todas as questões deste plano de salvação apresentado, alterando a ordem, se necessário,  de acordo com as conveniências de oportunidade.

Ponto 1º - qual seria o modelo de planeamento fiscal a aplicar tendo em conta que propõe a aplicação de taxas sobre a importação de produtos específicos ?

R. Eu tornaria tudo muito simples.  A complexidade é inimiga do bem.
Faria um lista dos produtos fabricados em Portugal pelas nossas empresas , agricultura e pescas,  e defendia intransigentemente estes produtos portugueses dos ataques , por vezes desonestos ,dos produtos estrangeiros concorrentes contra  a nossa  débil economia debilitando-a mais ,  matando-a, o que provoca o crescimento desemprego, infelizmente.  
Depois criava um imposto muito pesado ( cerca de 100 a 200%, o que seria bom para as finanças e evitava e redução absurda dos salários)sobre a importação de produtos da referida tabela para dissuadir a importação de produtos concorrentes.  Aliás isto não é novo. Este imposto já está a ser praticado numa lista de produtos muito curta. Alargava portanto a lista.
Depois criava uma comissão  do Estado  para regular o preço de venda destes produtos, de marca Portuguesa, a fim de evitar exageros nos preços, e proteger o povo da ganância desenfreada de alguns gananciosos.
Não tenho duvida que a defesa da economia aumenta o emprego. Não há necessidade de um modelo especial  de planeamento fiscal, mas faria as coisas muito semelhantes ao que fazem os Holandeses  , Dinamarqueses ou Finlandeses.  Faria de forma moderna ,de acordo com o principio : poluidor pagador. Isto é os mais ricos pagariam mais , como reclamam os capitalistas Americanos .
Fazia a vontade aos capitalistas Americanos  e recebia uma percentagem dos lucros dos mais ricos, como defende Warren Buffet, sem bloquear a sua capacidade de iniciativa e expansão.
Proibia o fisco de perseguir os mais pobres , e os trabalhadores, e os pequenos empresários, evitando subidas de impostos a esta gente.  

Protegia as pequenas empresas  e proibi-as de pagarem impostos desde que o seu lucro anual não excesse 50.000 Euros (por exemplo)de forma a que pudessem crescer , desenvolverem-se e a criarem empregos.  
A partir de 50.000 euros começavam por pagar um pequeno imposto . Quando o lucro atingisse 1.000 milhões pagariam 500 milhões . quando o lucro fosse acima de 5.000 milhões pagariam 3.000 milhões .  nota: estes valores seriam a acertar nos pormenores.

O fisco era desenhado para proteger os pobres , os trabalhadores , e os  pequenos empresários.

Fazia um fisco mais justo . Os pobres pagariam menos . Os ricos pagariam mais.

2º - sendo o conceito de aplicação, "produto concorrencial", de que forma é que tal iria ser avaliado e determinado ?

R. O conceito "produto concorrencial" tem muito que se lhe diga, e actualmente pode ser adulterado e usado para o mal, para subverter as coisas , os preços, como sabe.
Alterava o conceito, antiquado ,e introduzia um novo conceito e mais moderno , á maneira das melhores empresas estrangeiras , nomeadamente a empresa "Louis Vuitton".

A concorrência sobre o preço passaria para 2º lugar.

Em 1º lugar a concorrência centrava-se na qualidade dos produtos à maneira de Louis Vuitton.  
A concorrência estaria , essencialmente, na qualidade dos produtos vendidos . Venderiam mais as empresas que oferecessem o mesmo produto, pelo mesmo preço, mas de melhor qualidade.

A escolha do produto deixaria de ser pelo preço porque seria igual, e passaria a ser efectuada pela qualidade.

Obrigaria o Estado a defender, o povo, e a economia , interferindo nos preços , determinando valores máximos e mínimos , para evitar a especulação,  apenas nos produtos básicos e essenciais , carne , peixe , ovos , pão , agua, electricidade , transportes públicos, e saúde.

A avaliação dos preços seria efectuada por uma comissão reguladora de preços presidida pelo Estado e com elementos representativos dos produtores , consumidores, e Estado.

Os membros desta comissão mudavam de 2 em 2 anos para evitar maus hábitos(Corrupção).

O produto concorrencial era avaliado pelo comprador que escolheria pela melhor qualidade uma vez que o preço estava condicionado pela comissão reguladora de preços , na caso dos bens essenciais . Nos outros produtos o preço deixaria de estar condicionado ao preço , em principio. Talvez possa haver aqui um compromisso maior com o preço, a ver nos pormenores.

3º - tendo em conta a natural dinâmica de qualquer economia, a aplicação iria ser realizada anualmente ou à medida que o País fosse apresentando produtos/bens concorrentes ?

R. A aplicação seria ajustada de acordo com as necessidades do mercado há medida que este fosse evoluindo.

4º - de que forma iria assegurar a capacidade de resposta da DGCE ao aumento da complexidade fiscal ?

R. É tudo muito simples porque não haveria nenhuma complexidade fiscal.
Seriam criadas leis de acordo com as taxas  desejadas,  e as pessoas teriam apenas ,de livre vontade,  cumprir a lei tal como já fazem com o IVA e outros impostos.
Claro que há sempre quem não cumpra mas isso faz parte do sistema e correm o risco de serem apanhados e multados.

Não haveria nenhuma complexidade fiscal porque isto já está a ser feito, na pequena lista existente. Limitava-me a ampliar a lista de produtos a defender.

Veja um exemplo. O caso da importação dos automóveis, que faz parte da pequena lista existente.

Veja que já se cobra uma taxa de 100% sobre a compra de automóveis , nomeadamente Mercedes, e BMW.

Um Mercedes C220 compra-se por cerca de 30.000€ na Alemanha. Depois para poder entrar em Portugal, o Estado cobra a taxa de cerca de 100%, e vende-se aos portugueses por cerca de 60.000€. Isto já é feito hoje.

Deve ampliar-se para toda a entrada de produtos importados iguais aos nossos, para defender-mos os nossos produtos , a nossa economia e o crescimento do emprego jovem.

5º - de que forma iria assegurar que tal medida não provocaria um aumento de processos contenciosos no âmbito do direito comercial ?


R. ainda bem que faz esta pergunta que acho sacramental.
A justiça está num caos . Como diria alguém : estamos no século XXI e temos uma justiça do seculo XVII.

A justiça precisa de ser remodelada, precisa de  prazos mais curtos para as sentenças, e é preciso responsabilizar os juízes com multas quando atrasam as sentenças.

É muito simples . Seria criada nova lei para estes processos que obrigaria o Juiz do Tribunal , por lei claro, a resolver todos os processos em muito pouco tempo.
O juiz teria apenas 2 ou 3 meses para decidir, dar a sentença, e não havia desculpas, nem direito a adiamentos ou prorrogações ardilosas .

Caso não o fizesse o Juiz pagaria pesada multa( digamos 100€) e levaria um processo disciplinar porque estava a prejudicar o povo.

Desta forma como Vê tudo era rápido e acabavam-se os processos atrasados.

Deixava de haver processos atrasados.

O tribunal teria nova concepção .  Seria concebido como uma máquina de fazer salsichas :
Dum lado entra a carne , o processo, e  do outro sai a salsicha , sai a sentença,  tudo com rapidez e eficiência, máximo 3 meses.

Os críticos poderão dizer : há mas não há tempo para fazer um trabalho sério. Há sim,  claro que há . A razão é simples.

Alguém que se queixe tem de ter provas do que se queixa. Se não tiver provas o processo é arquivado logo ao balcão no dia da entrega , e o queixoso paga uma multa de 100 euros por apresentar uma queixa sem provas.
 
O tribunal existe para julgar as provas apresentadas , não existe para fabricar novas provas , isso compete aos advogados .

Caro Garfild  peço desculpa ,mas como estou sem tempo fico por aqui depois respondo ao resto das perguntas que são muito interessantes sim senhor.  Aceite O meu apreço às questões colocadas .

Isto é tudo muito fácil e simples. Como dizia um amigo , é tudo uma questão de organização.

Nota:  Isto é uma opinião pessoal

Cumprimentos e bons negócios.

fisher

Título: Re: Saída de Portugal do Euro - como proteger poupanças?
Mensagem de: Garfield em Janeiro 17, 2012, 21:39
Boas, fisher

Apenas alguns reparos:

1 - Portugal não tem qualquer tipo de imposto específico proteccionista relativamente ao comércio intra-comunitário.

2 - actualmente, a regulação de preços é efectuada apenas em casos muito específicos, como a energia, o que tem toda a lógica. Tudo o que vá para além disto impede qualquer crescimento económico, quer seja por via da limitação do normal funcionamento do mercado, quer porque inibe a motivação empresarial. Isto não é retórica ou teoria. Veja-se o exemplo das consequências desse tipo de medidas das décadas de 70 e 80 na ex-URSS.

3 - A regulação de preços por parte do Estado implica que este assuma um determinado nível de responsabilidade perante as empresas.

4 - A regulação de preços poderia funcionar como factor inibidor de investimento nos sectores abrangidos o que poderia provocar, não só, uma diminuição de novos investimentos nessas áreas, como também poderia provocar um efeito de desinvestimento do já existente. Isto provocaria um efeito inverso ao que pretende já que provocaria desemprego e desincentivo à produção.

5 - relativamente aos países que dá como exemplo, a Dinamarca não aderiu ao Euro, com todas as limitações inerentes. O princípio poluídor-pagador é o conceito de base para aplicação de um imposto não-proteccionista, logo, não se enquadra como exemplo para o que propõe.

6 - Proíbir o Fisco de "perseguir os mais pobres, os trabalhadores, os pequenos empresários" poderia dar maú resultado. Não entendo como iria operacionalizar tal medida mas dado que assume os contornos de uma carta-branca para a impunidade, creio que a fuga maciça aos impostos seria a nota dominante.

6 - Tendo em conta que agravaria os impostos à medida que as empresas fossem cada vez mais bem sucedidas, como é que tal poderia funcionar como incentivo ao crescimento empresarial ? Quer-me parecer que tal política apenas iria diminuir a fasquia do sector, ao desincentivar a aposta no crescimento o que, mais uma vez, não só funcionaria como um factor negativo sobre o emprego como, ao limitar o crescimento das empresas, estas ficariam mais vulneráveis a grandes grupos internacionais.

7 - "Fazia um fisco mais justo . Os pobres pagariam menos . Os ricos pagariam mais."

Posso estar enganado mas, neste momento, creio que esta já é a base do nosso sistema fiscal.

8 - pelo que entendi, não só pretendia que o Estado regulasse os preços como também imporia os padrões de qualidade técnicos às empresas. O que implicaria que o Estado praticamente controlasse todo o processo. Peço desculpa perguntar isto mas qual seria, então, o papel do empresário/investidor ?

9 - "A concorrência estaria , essencialmente, na qualidade dos produtos vendidos . Venderiam mais as empresas que oferecessem o mesmo produto, pelo mesmo preço, mas de melhor qualidade".

Isto não implica retirar poder de decisão ao cidadão ? Porque é que eu não posso escolher o produto que bem entender se sou eu que o vou pagar ?

10 - Essa da regulação dos preços dos transportes públicos já deu maús resultados. Nomeadamente, ao nível da actual dívida pública.

11 - Mais leis=maior complexidade. Peço desculpa mas isto é incontornável. Não faltam estudos sobre planeamento fiscal vs. eficácia fiscal a demonstrar esta realidade. E isto acarretaria mais custos para o Estado, mais burocracia e maior desincentivo ao investimento.

12 - O caso dos impostos sobre os automóveis é tudo menos um exemplo. Porque não é um imposto proteccionista sobre importações. O caso que deu do Mercedes, como bem sabe, deve-se a 2 factores: cilindrada/emissões, IVA nacional. Aplica-se a qualquer veículo automóvel e caso o tal Mercedes fosse construido em Portugal, pagaria os mesmos impostos.

13 - A acumulação de processos nos tribunais portugueses deve-se mais à complexidade jurídica e processual do que propriamente a maú trabalho dos juízes. Ora você propõe aumentar ainda mais essa complexidade fiscal e penalizar os juízes caso não resolvam os processos dentro dos prazos que pretende, independentemente de tudo. Isto parece-me algo irrealista...

14 - "Alguém que se queixe tem de ter provas do que se queixa. Se não tiver provas o processo é arquivado logo ao balcão no dia da entrega , e o queixoso paga uma multa de 100 euros por apresentar uma queixa sem provas".

E quem faria a avaliação do que pode ou não ser admitido como prova ? A funcionária administrativa do balcão ?

15 - "O tribunal existe para julgar as provas apresentadas , não existe para fabricar novas provas , isso compete aos advogados ".

Não, o Tribunal não existe para julgar apenas provas. Esta é uma frase típica de quem não tem noção do que é a Justiça.

Cumprimentos
Garfield
Título: Re: Saída de Portugal do Euro - como proteger poupanças?
Mensagem de: fisher em Janeiro 20, 2012, 11:57
Garfil
O meu obrigado pelo comentário . porque é muito extenso comento agora só a parte do tribunal. Depois vaio resto.

13 - A acumulação de processos nos tribunais portugueses deve-se mais à complexidade jurídica e processual do que propriamente a maú trabalho dos juízes. Ora você propõe aumentar ainda mais essa complexidade fiscal e penalizar os juízes caso não resolvam os processos dentro dos prazos que pretende, independentemente de tudo. Isto parece-me algo irrealista...

Eu não quero aumentar mais a complexidade dos Tribunais . São os Tribunais que complicam o que é simples.  Pelo Contrário eu quero simplificar mais , mas muito mais os tribunais , reduzindo o tempo de resposta a cerca de  3 meses mais ou menos,  apenas , como principio  , admitindo outros acertos para casos especiais, mas muito pouco,e os magistrados que não cumprissem seriam responsabilizados, pagando multa.

Isto é importante  porque neste país todos falham e não se responsabiliza ninguém , o que está errado.

Eu não tenho dúvidas nenhumas  que a acumulação  de processos nos tribunais portugueses se deve ao mau trabalho , má organização,  dos agentes e dos Juizes .

A razão é muito simples . Os processos entram e em vez de serem decididos rapidamente , digamos 3 meses , eles inventam complicações para não decidirem e mandam-nos para a prateleira do esquecimento onde ficam anos a fio , 3-4-5-7-10 e mais anos, uma vergonha.

Mas se quer  um exemplo , veja o caso muito mediático que corre agora nas televisões,  do miúdo Rui Pedro , da Lousã, raptado, segundo se julga,  á cerca de 10 ou 12 anos.

Só ao fim de 10 anos é que decidiram que o caso merecia  ser julgado porque esteve  na eminência de ser arquivado e nem ir a julgamento, uma vergonha , uma incompetência.

Por sorte um magistrado corajoso ,fora do baralho, resolveu entesar-se e mandar fazer o julgamento ao fim de 10 anos , ao fim de 10 anos veja-se.

Diga-me que complexidade tem o processo para depois de ter entrado no tribunal  que alguém  disse-se : julgue-se , e com urgência,  para se encontrar o miúdo raptado?. 10 anos de espera para Quê ??

Complexidade ?  Veja qual é a complexidade em julgar uma pessoa que não paga a renda ?.

Porque é que o tribunal leva 3-4, ou mais anos ?. fácil é apurar se a renda foi paga ou não .

Uma semana basta porque o queixoso que  já  leva as provas e o acusado tem de as ter (os recibos do pagamento).

E veja que tenho razão porque a nova rei do arrendamento vem ao encontro do que  defendo (redução de prazos) porque de facto vem reduzir  os prazos ,  tal como eu defendo, e exige agora muito pouco tempo para o tribunal decidir , julgo que são , ou 3 , ou 6 meses . Como vê não estou longe  da realidade.

Como vê a solução é esta : resolver rápido sem complicar o que é simples.

Como Vê não há nenhuma complexidade  , mas sim mau trabalho dos agentes da justiça , com honrosas excepções que fazem trabalho excelente,  felizmente.

Complexidade fiscal como, se o que proponho já existe com a taxa que se cobra, de cerca de 100% ,para um automóvel entrar em Portugal , e não há complexidade nenhuma. 

É só fazer  o mesmo  para uma dezena ou duas de produtos. Aliás também julgo que se faz coisa semelhante com a gasolina que é muito mais cara que em Espanha, porque para entrar no nosso território tem de pagar uma taxa de entrada que não sei que nome lhe deram, e não tem complexidade nenhuma, julgo eu. 

E aliás com a cobrança, justa ,destes produtos  garanto-lhe que a nossa economia desenvolvia bastante , as importações reduziam, e o desemprego diminuía,  não seria preciso dar porrada no povo como se está a dar.

Bom , mesmo que tivesse alguma complexidade ,mas não tem, valeria a pena para salvar os portugueses  do aumento de impostos desnecessários, quem vêm aí  , o desemprego ,que vem aí  ,, e a destruição do Estado social ,que vem aí.

Como vê isto não é irrealista . Isto é realista . Dei-lhe provas realistas.

E mais para ver que tenho razão veja a este propósito os comentários do homem que mais sabe destas coisas o Dr: Marinho Pinto, Bastonário da ordem dos advogados.

Veja o que ele diz da Justiça .Depois diga se as coisas estão bem como estão !

Garfil, vá por mim , isto não está bem, os tribunais têm de decidir rápido , não podem mandar os processos para a prateleira do esquecimento( talvez com medo de tomarem decisões , ou desleixo , não sei) porque não é justo.

Se não o fizerem devem ser responsabilizados , pagando multa.

Felizmente que a redução de prazos vai acontecer com a nova lei arrendamento. Já é um começo , mas é preciso mais , muito mais . É preciso eficiencia.

Nota , isto é uma opinião pessoal.

Cumprimentos e bons negócios.

fisher
Título: Re: Saída de Portugal do Euro - como proteger poupanças?
Mensagem de: Garfield em Janeiro 20, 2012, 13:21
Boas, fisher.

Devo dizer que me agrada muito perceber que há quem tente reflectir e debater o nosso País, independentemente da diversidade de opiniões, algo raro nos nossos dias.

Apenas alguns reparos:

Relativamente aos tribunais, o próprio Bastonário da Ordem dos Advogados tem vindo, sucessivamente, a afirmar 2 coisas: considera que há alguns maús juízes mas que a maior parte dignifica a sua posição e carreira; e que uma das grandes causas da ineficiência dos tribunais se deve ao complexo ordenamento jurídico nacional (que chega a apresentar legislação perfeitamente antagónica e as suas consequências, embora, na prática, se traduzam em processos demasiado morosos, tal não pode ser imputado aos juízes), bem como à complexidade processual em si.

Aliás, você acaba por apresentar um exemplo claro que defende o que eu afirmo: a nova lei do arrendamento. Foi necessário criar-se uma nova lei, mais clara, específica e concisa para se tornar nais célere as situações de contencioso entre arrendatário e senhorio. A responsabilidade não pode ser imputada oas tribunais.

A complexidade do nosso ordenamento jurídico só pode ser imputada aos sucessivos Governos e Assembleia da República.

Quanto à complexidade processual, se, por um lado, é desejável que tal possa sêr simplificada o mais possível no sentido de ser célere, eficiente e menos dispendiosa, deverá sempre assegurar o direito constitucional de acesso à Justiça, bem como a equidade no seu acesso, sem esquecer o cumprimento integral da presunção de inocência, isto no caso do Direito Criminal.
Por essa razão é que a organização judiciária portuguesa compreende 3 níveis (Supremo, Relação e 1ª Instância).
Isto é imprescindível para assegurar uma melhor qualidade da Justiça.

Claro que se se quiser fazer tábua rasa destes princípios devido a contingências economicistas, poder-se-á faze-lo...

Agora, é incontornável que aumentar a complexidade jurídica, criando impostos específicos (suportados em legislação, obrigatóriamente), aumentará a ineficiência fiscal, aumentará a carga processual judicial e, inevitavelmente, aumentará os custos operacionais do Fisco e Tribunais.
Aliás, refira-se que países que pretenderam reduzir os custos operacionais dos serviços tributários e aumentar a sua eficácia e eficiência, adoptaram um modelo de flat rate, independentemente das iniquidades que possa acarretar.


Continua a haver alguma confusão sobre fiscalidade. Antes de mais, a incidência de imposto sobre os automóveis não é de 100%. Não é verdade que se paga um imposto específico sobre veículos importados dentro da UE. Aliás, repito, nem Portugal e nem qualquer outro Estado Comunitário tem qualquer imposto aplicável a produtos importados em termos de comércio intra-comunitário.

Quanto aos combustíveis, o único imposto específico aplicado é o ISP (mais IVA em cima). O diferencial de preço de combustíveis entre Portugal e Espanha deve-se ao diferencial das taxas/valores aplicados, sem qualquer relação com o comércio intra-comunitário.

Se já existem imensos casos práticos, mais do que estudados, de que a aplicação de impostos sobre importações com base proteccionista provocam, a médio prazo, consequências muito negativas sobre a produtividade, emprego/remuneração, dinamização empresarial, entre outras...

Claro que, no meio de todas estas questões, uma questão subsiste: se é de entendimento generalizado que muita da responsabilidade da actual situação económica do País se deve a má gestão e desperdício de dinheiros públicos, como é que impostos proteccionistas e "divórcio" com o resto da Europa vai melhorar a qualidade dos nossos gestores e dirigentes governativos ?

Uma sugestão de melhoria da gestão pública, por exemplo, do SNS: acabem-se com as nomeações políticas para a gestão hospitalar e avance-se para um sistema de contratualização de gestão, com dois níveis claros - gestão económico-financeira e gestão clínica. É que as administrações hospitalares têm vindo a servir a actividade político-partidária consoante a côr dos inquilinos do Palácio de S. Bento...

Cumprimentos
Garfield
Título: Re: Saída de Portugal do Euro - como proteger poupanças?
Mensagem de: fisher em Janeiro 20, 2012, 19:03
Caro Garfil

Gosto de debater estas questões importantes  consigo porque é um adversário á altura.

Mas não me vou alongar porque temos soluções diferentes para os problemas , e não nos conseguimos convencer um ao outro  da justeza das nossa posições, e, por isso, teremos de ficar condenados a ficar cada um com a sua.

Todavia ainda em defesa da minha dama direi ainda o seguinte:

As leis que temos até que servem muito bem, na generalidade . Na generalidade não é a lei que está mal mas sim os agentes da lei que usam e abusam dela e a pervertem, por vezes.  

Vou dar-lhe  mais um exemplo.

A lei , o código do processo penal,  diz que o tribunal ,depois da pessoa apresentar queixa, o tribunal tem 6 meses para organizar o inquérito (instrução)  e decidir se leva o caso ou não a julgamento.  E diz a lei ainda que se se tratar de um roubo de um automóvel no estrangeiro o prazo é alargado para 2 anos, devido à sua complexidade maior.

Pois veja , eu conheço um caso de pessoa amiga que apresentou um caso destes , roubo e burla de automóvel clássico muito valioso no estrangeiro, e  que o tribunal virou as costas , esteve-se nas tintas para o cumprimento do prazo máximo de 2 anos,  e só ao fim de 7,5 é que decidiu emitir opinião e por azar, ao fim de 7,5 anos resolveu que era um caso sem importancia,que não merecia ser julgado e foi arquivado.  E ao fim deste tempo o dono do carro entretanto morreu sem que se tivesse feito justiça. Acha isto bem ?.

Isto para dizer que a lei que admite dois anos para investigar ,  até  se  pode aceitar como boa , os agentes do tribunal é que viraram as costas e não cumpriram a lei cometendo eles próprios a ilegalidade de ultrapassarem o prazo determinado pela lei, os 2 anos .

Ora bem se houvesse responsabilidade, estes magistrados deveriam levar um processo disciplinar e pagar uma multa para exemplo de outros.

Concluindo a culpa dos atrasos , não é da lei , é dos agentes da lei, é dos magistrados que não decidem a tempo, por desleixo, ou falta de capacidade, ou as 2 coisas , e empurram os processos para a prateleira dos esquecidos sem que nada lhes aconteça.

Deviam ser responsabilizados com o pagamento de multas.

Portanto o acumular dos processos não da sua complexidade , é culpa e só dos maus agentes que os gerem e deviam ser responsabilizados pagando multas.

Bom mais poderia dizer mas fico por aqui.

Cumprimentos e bons negócios
fisher
Título: Re: Saída de Portugal do Euro - como proteger poupanças?
Mensagem de: fisher em Janeiro 25, 2012, 13:19
Caro Garfil

Continuando na brincadeira, permita-me que diga que ontem vi o nosso primeiro ,e o ministro das finanças afirmarem que o dinheiro que os Troikanos cá puserem  (80 biliões) é suficiente e não é preciso pedir mais porque este chega para acabarmos com a crise.

Eu penso que estes dois não iam fazer tal afirmação sem que primeiro fizessem contas. Eu penso que não iriam falar à sorte , ou iriam ?. Será que fizeram contas ?? Eu acho que eles não sabem do que estão a falar !!.

Eu penso que, se não defenderem, protegerem,  a nossa economia e finanças intransigentemente isto vai tudo para o buraco como previsto.

E como não vejo ninguém a tomar medidas para defender e proteger, a economia portuguesa contra as investidas dos estrangeiros, pelas minhas contas, quer o nosso Primeiro  , bem como  o ministro das finanças, já erraram , já mostraram não saber fazer contas, porque sem a proteção da economia , industria , pescas , e agricultura , eu aposto que as contas estão erradas, e os 80 biliões não chegam para nada . Vai ser precisa nova dose.

Aposto que os 80 biliões não duram mais de 3 anos. Não duram até ao fim de 2015.

Alguém quer fazer contas e apostar um almoço. Podem apostar até economistas que sabem fazer contas esquisitas , e eu não sou economista, só sei fazer contas simples,  mas aposto.

Caro Garfil vou-lhe provar, com esta situação, que tenho mais uma vez razão infelizmente. os 80 biliões que a Troika Pôs às nossas costas estupidamente ,não vão chegar para nada , nem que dêem  todos os meses uma EDP à Troika.

Andam a dar a EDP aos Troikanos e outras empresas , as poupanças dos reformados da banca(uma vergonha) não sei porquê porque não serve para nada. Quanto mais dão maior é a dívida e mais pobres ficamos , uma estupidez. Se desse-mos as empresas e reduzisse-mos as dividas ainda se compreendia o esforço. Agora dar empresas , dar ordenados , dar reformas e aumentar a divida , é estupidez , é burrice, desculpem que diga.

Os portugueses , erradamente,  não vaõ defender , proteger, a economia nacional porque pensam que é errado proteger a economia nacional e que o bom é estarmos de peito aberto num mercado global, selvagem , apenas controlado pelos grandes abutres.

Como sabe eu acho que este mercado global, de abutres, vai-nos engolir vivos, se continuarmos a teimar, ingenuamente ,a estar no mercado sem qualquer protecção.

Protecção na minha opinião, como sabe,  é sobrecarregar as importações de materiais iguais aos que produzimos com pesadas taxas de 100 e 200%.

Vai uma aposta, a um almoço, que se não fizerem o que digo  os 80 biliões não duram até ao fim de 2015 e os Troikanos e o nosso PM e ministro das finanças, vão ter que nos martirizar com nova divida, e muitas, e muitas,  medidas de austeridade e mais desemprego , e miséria, e muitos impostos e redução de salários,  a carregar sobre o povo português .

Eu não sei quanto é que ainda resta dos 80 biliões. Se calhar apenas restam 10 ou 20 biliões que não servem para nada, tendo em conta os gastos superfulos que o Estado está habituado e não quer cortar .

Acredite , pelo que se vê vamos ficar muito piores que os Gregos. Só se safam os que ganham mais de 5.000€ ou 10.000€ por mês , a fina flor.

Só para terminar uma pergunta díficil aos que defendem o aumento da Divida.
Até quanto é que acham que devemos aumentar a divida ? digamos 300-400-500 biliões , um trilião , 2 triliões ?

E até quanto é que a Troika estará disponivel para nos endividar? , até aos 500 biliões , até ao 1º Trilião , até ao 2º trilião , até quanto é que a Troika está disponivel para nos ir dando dívida ?? isto é tudo um disparate.

Qual será o limite ??
Ou não haverá limite ??

Que o diga quem souber !!

Atenção , isto é apenas uma opinião pessoal !!

Cumprimentos e bons negócios
fisher