Economia portuguesa continua «deprimida» e sem sinais de recuperação
Os relatórios divulgados hoje pelo Banco de Portugal e pelo Instituto Nacional de Estatística revelam que a economia portuguesa continua «deprimida» e sem sinais de recuperação, apontando para que se mantenha a situação de recessão técnica.
Os dois relatórios hoje divulgados vêem confirmar a nota de conjuntura publicada ontem pela Direcção-geral de Estudo e Previsão (DGEP) do Ministério das Finanças. Esta dizia que, no primeiro trimestre do ano, «os dados disponíveis apontam, para uma evolução menos favorável da actividade na generalidade dos sectores».
A economia nacional terminou 2004 em recessão técnica (dois trimestres consecutivos com crescimentos em cadeia negativos) pelo que estes dados indicam que a situação negativa deverá ter prosseguido no início deste ano.
Indicador do Banco de Portugal em queda
O indicador coincidente mensal, calculado pelo Banco de Portugal, que mede a evolução homóloga da actividade económica continuou a descer no mês de Abril ao registar 0,4 pontos negativos contra 0,3 pontos negativos em Março e 1,4 pontos no mês homólogo.
Este indicador, que mede a evolução da actividade económica, está a apresentar um perfil descendente desde meados de 2004.
Em relação ao consumo privado, o Banco de Portugal refere, no relatório mensal, que «sugere algum abrandamento do seu ritmo de crescimento no início do segundo trimestre, embora a informação apresente sinais contraditórios».
Por um lado o indicador de confiança dos consumidores aumentou e os inquéritos realizados pelo INE ao Comércio a Retalho mostram maior optimismo relativo à actividade corrente e futura.
Mas os inquéritos ao Comércio a Retalho relativos ao volume de vendas e encomendas a fornecedores mostram menor confiança. Além disso, as vendas de veículos ligeiros de passageiros diminuíram 2,2% em Abril.
Também a formação bruta de capital fixo em material de transporte e em construção teve uma evolução desfavorável.
INE diz actividade económica mantém-se «deprimida»
Na Síntese Económica de Conjuntura o Instituto Nacional de Estatística diz que a actividade económica manteve-se «deprimida» no primeiro trimestre do ano, destacando contudo que «não se tenha agravado o clima de confiança dos agentes económicos».
«Os principais sectores de actividade económica continuaram a revelar fraco dinamismo, a avaliar pela generalidade dos indicadores disponíveis», refere o INE.
O indicador de actividade económica caiu para 1,3 pontos no primeiro trimestre, um valor abaixo do verificado nos dois períodos de três meses anteriores. No terceiro trimestre o índice ficou nos 2,6 pontos, tendo descido para 1,7 nos últimos três meses de 2004.
O INE assinala que «do lado da procura interna, o consumo privado manteve um elevado ritmo de crescimento, enquanto as indicações disponíveis apontam para uma evolução desfavorável do investimento».
O valor das importações continuou a crescer significativamente, embora em abrandamento face ao ritmo do trimestre precedente, tendo-se registado uma aceleração do crescimento do valor das exportações, indiciando uma melhoria da contribuição da procura externa líquida para o crescimento do produto.
A produção na indústria transformadora continuou a diminuir, a um ritmo idêntico ao do trimestre anterior, e na construção e obras de engenharia manteve-se «a evolução negativa da produção, e a taxa de quebra continuou muito elevada». Já nos serviços «observou-se um forte abrandamento, até se atingir a quase estagnação».
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