Iniciado um semiciclo baixista do casino, tal como está acontecendo nos vários casinos por esse mundo fora, o de Lisboa incluído, importa dar atenção ao seguinte:
Muitos dos ganhadores e alguns dos perdedores mais viciados têm uma forte tentação de correr pela escadaria e tentar apanhar ossos e cadáveres logo que lhes cheire a carne putrefacta. :P
Outros, mais racionais e menos precipitados, consultam dossiers e mais dossiers, onde procuram ver nos vários indicadores económico-bolsistas do momento (ou de que dispõem) os fundamentais que justifiquem novas entradas no casino. Devo confessar que fui hoje à minha gaveta buscar alguma papelada para me começar a actualizar... :o
Ora, quanto a estes fundamentais presentes ou passados das empresas, há que rever primeiro os fundamentais futuros, os previsíveis, e não andar com PERs , PCFs, cashs flows , book values e toda essa tralha da AF, tudo isso já ultrapassado pelos trambolhões, ferimentos e mortos causados pelo que esteve na origem da descida desenfreada da escadaria.
E depois é preciso imaginar o que esses trambolhões, ferimentos e mortes provocarão na própria causa que os originou.
Dito de outro modo, é preciso prever os futuros desempenhos das empresas para daí retirarmos novos PCFs, novos cash flows, novos PERs, etc. e também o que o conhecimento ou previsibilidade disso por parte dos jogadores provocará nas temperaturas dos casinos de amanhã.
Vou dar um exemplo, para melhor compreensão:
Suponham que uma acção andava no pico de 2007 a 10,0€. E que agora, após os primeiros grandes trambolhões na escadaria do casino já anda a 6,0 €, portanto uma descida de 40%, uma queda superior à queda média do mercado (cerca de 20-25%).
Será agora altura de comprar?
Se fordes em conversas de AT e de AF com base em dados e projecções passados, sereis tentados a comprar, provavelmente para venderdes dias depois.
Mas os que não têm tempo nem jeito para esses perigosos zigzags, devem ter cautela, porque, entre outras razões, os fundamentais futuros da empresa provavelmente mudarão e muito relativamente aos fundamentais projectados para essa mesma empresa em 2005, 2006 e inícios de 2007. E muito provavelmente mudarão para pior, salvo alguma excepção (também há empresas que ganham com a crise geral). Assim, no exemplo dado, a médio prazo a cotação racional da empresa virá para níveis bem inferiores ao da cotação actual, que é de 6,0 €, apesar de esta cotação já reflectir uma forte queda relativamente ao pico de 2007.
Donde se conclui que as iludências aparudem ;D e que o melhor é manter-se longe do casino para arejar!... Até que o nevoeiro se dissipe e se possa de novo (re)ver ao longe...
Tomai lá nota deste software, que, mesmo que não faça bem, também não faz mal. :'( ;D