O facto de se falar constantemente da crise dos deficits soberanos da Europa, não se deve desperceber de que esta crise teve como resultado a crise nos mercados financeiros iniciado em Março de 2008. A primeira manifestação aberta da crise económica mundial ocorreu no segundo semestre de 2007, com o fim da bolha especulativa existente no mercado imobiliário dos Estados Unidos e começou a estender-se a nível internacional.
A situação piorou com a queda do Lehman Brothers, um dos grandes bancos de investimentos dos EUA, acompanhada por situações críticas em outros grandes bancos norte-americanos e europeus (tal como na Islândia e Inglaterra). A crise aprofundou-se. Dois semestres (o último de 2008 e o primeiro de 2009) foram de grande queda no PIB (Produto Interno Bruto) dos EUA e da Europa (a pior em várias décadas). Por outro lado, o sistema bancário e financeiro mundial estava a um passo de cair qual peças de dominó.
Um segundo momento, ou fase, foi marcado pelos megapacotes de ajuda lançados pelos governos aos bancos e aos mercados financeiros. Os estados atuavam como "companhias de seguros" do setor financeiro e endividavam-se para injetar diretamente, ou a se comprometer em forma de pacotes, milhares de milhões de dólares. Assim, conseguiram salvar os bancos e evitar um colapso no sistema financeiro mundial. Por outro lado, os megapacotes conseguiram também refrear a dinâmica de "queda livre" da economia mundial, iniciando uma frágil recuperação no segundo semestre de 2009.
O salto nos défices públicos
(http://www.google.pt/imgres?hl=pt-PT&biw=1920&bih=895&tbm=isch&tbnid=wJ9_yNOzwSKsxM:&imgrefurl=http://www.hipersuper.pt/2011/09/06/saida-da-zona-euro-pode-custar-ate-11-500-euros-por-pessoa-num-ano-diz-ubs/&docid=fcH0V9CjQrEahM&imgurl=http://www.hipersuper.pt/wp-content/uploads/2011/09/euro1.jpg&w=430&h=302&ei=Obp-UJf0BZGzhAfy2oEw&zoom=1&iact=hc&vpx=981&vpy=139&dur=879&hovh=188&hovw=268&tx=173&ty=80&sig=113437752293651394742&page=2&tbnh=136&tbnw=203&start=44&ndsp=51&ved=1t:429,r:28,s:20,i:278)Os megapacotes de ajuda geraram um grande endividamento dos países, tanto nos EUA como na Europa, atingindo percentagens recordes em sua relação com os PIB nacionais. Em todos os casos, os países europeus superaram várias vezes o défice máximo de 3%. Portugal atingiu um deficit de 9%. Para minorar a crise financeira e o seu impacto em Portugal, o estado lançou vários pacotes anticrise, mas ao fazer isso estava a endividar-se em larga escala. As empresas de rating, como a standart & Poors, começaram a transferir o risco de incumprimento dos bancos para os países que tentavam salvar esses mesmos bancos.
Resultados e consequências
É verdade que o impacto da crise financeira foi minorado, pois podia ter havido um colapso financeiro à semelhança do que aconteceu em 1929. Mas, por outro lado, deixou os estados Europeus à beira da falência ou pelo menos com muito pouco dinheiro para continuar não só a gerir as despesas correntes, como até para honrar os seus compromissos financeiros com as entidades internacionais. Entendemos assim a razão de Portugal e outros países mais expostos à debilidade da sua economia caírem na teia da dívida pública sem ser sustentada pela sua economia e a capacidade de gerar receita.
Como estão os mercados financeiros agora? De saúde ou em crise?
Para isso temos de olhar para como estavam os principais mercados internacionais na altura do início da crise e para onde eles se encontram neste momento. As conclusões são incríveis: os mercados financeiros estão praticamente recuperados ou em vista da conclusão da sua recuperação. Os principais índices americanos e Europeus estão perto dos níveis de Janeiro de 2008, semanas antes das quedas agressivas das bolsas mundiais. Veja-se o caso dos índices Alemães como é o DAX (ver gráfico anexo), está ao nível de Janeiro de 2008, zona onde tudo desmoronou para a atual crise.
No entanto, os mercados financeiros de países que tiveram de recorrer a ajuda externa, como é o caso de Portugal, ou países que estão pressionados a pedir essa ajuda, como no caso de Espanha, não estão a conseguir acompanhar a recuperação e em algumas ocasiões têm andado em sentido contrario às suas congéneres.
Portanto, será que se pode dizer que os mercados financeiros internacionais estão em crise? Com certeza que não. Claro que os investidores andam mais nervosos fazendo com que os mercados estejam mais voláteis. Mas não há dúvida de que o que originou a crise de 2008 está ultrapassada e que o que ficou foram os sinais destrutivos de um tsunami económico de que ainda estamos a tentar reconstruir.
Assim, a crise financeira já lá vai, mas a crise da divida publica irá perdurar pelos próximos anos com todas as consequências económicas, sociais e politicas que daí resultarão.
Luís Maia
http://www.facebook.com/pages/Academia-Trading-Futuros-Infinitos/185033784856519
http://www.dinheirovivo.pt/Mercados/Artigo/CIECO064492.html