Clubeinvest.com

Mercados => Fórum de Bolsa => Tópico começado por: Paff em Janeiro 06, 2013, 20:17

Título: Investir em 2013 - uma opinião.
Mensagem de: Paff em Janeiro 06, 2013, 20:17
 
    Com o início de um novo ano muitos investidores optam por (re)analisar as suas carteiras, procurando perceber o que resultou, o que não resultou,  o que deve ser mantido, o que obteve rentabilidades acima da média e que contudo não resultará em 2013, ou mesmo, quais as novas situações e possibilidades que melhor se possam adaptar ao que aí vem.

   Em jeito de resumo, o ano de 2012 ficou marcado por uma apreciável recuperação do setor financeiro, tendo mesmo sido o setor em destaque, tendo a mair rentabilidade face ao SP500, ainda que tal tenha ocorrido num ambiente particularmente aceso de crise político-económica. Para os que se recordam, no ínicio do ano procedi a um conjunto de alterações da carteira que estou a gerir - Ubik Investments (//bolsa/rec_member_profile.php?internalID=2) - alterações essas que passaram não só por uma maior focalização no setor financeiro (entradas no Bank of America, Lloyds e no etf XLF), bem como, devo admitir, num rebalanceamento da exposição de toda a carteira no que ao peso da liquidez dizia respeito. Durante boa parte do ano a carteira apresentou um equilíbrio, em torno dos 50%, entre posições longas e liquidez. Devo também destacar, no âmbito das posições efetivas, um foco particular nos setores dos cuidados de saúde. Este setor é-me especialmente caro, sendo que inclusivamente tive a oportunidade de lançar uma aplicação android que visa auxiliar os investifores que tencionem investir neste setor específico. Para os interessados, a aplicação designa-se de Drugdates podendo ser encontrada na Google Play Store (https://play.google.com/store/apps/details?id=com.drugdates.android&feature=search_result#?t=W251bGwsMSwyLDEsImNvbS5kcnVnZGF0ZXMuYW5kcm9pZCJd).

   Ao contrário de grande parte dos restantes setores (talvez com a exclusão do consumo não-cíclico e das utilities), os cuidados de saúde apresentam (no meu entender) características que, sendo bem compreendidas,  colocam o investidor numa posição vantajosa especialmente num contexto de mercados ficnanceiros bastante volátil e imprevisível. Questões relacionadas com as pipelines das empresas, os produtos e movimentos da concorrência, bem como as decisões das autoridades reguladoras (FDA nos E.U.A e EMA na União Europeia) quanto à aprovação, ou não, de determinado fármaco, ou mesmo o final de vigência de periodos de exclusividade de patente (com a consequente introdução de genéricos); todas estas questões pesam bem mais na evolução da cotação de título deste setor, do que o ambiente económico propriamente dito.

   Também nesta área tive a oportunidade de abrir algumas posições, de entre as quais destaco a Arena Pharmaceuticals (fecho com valorização de +350%), a Amylin pharmaceuticals (fecho com valorização +175%) e, mais recentemente, e de novo, a Navidea, que embora não tenha resultado num primeiro momento, devido à não aprovação do seu fármaco Lymphoseek, acabou por me dar a hipótese de reentrar nesta ação a um preço inferior e com perspectivas bastante interessantes no curto/médio-prazo (1).

   - E em 2013, onde investir?

O ano não se perspetiva fácil, e quando digo isto, faço-o com uma visão geral e internacional (não me referindo à demasiadamente óbvia situação nacional). Aproveito também para relembrar algo que, para quem costuma ler os meus artigos, já não constitui nenhuma novidade. Para mim, a bolsa portuguesa não existe enquanto meio sólido e confiável de investimento. Pode de facto dar origem, de tempos a tempos, a rentabilidades assinaláveis (pessoalmente até considero que tal deva suceder em breve num dos seus "pseudo-setores"), mas, de uma forma geral sempre se perfilou como um mercado demasiado pequeno e incompleto para quem pretenda investir com mais seriedade.

   Bom, voltando ao ano de 2013 e às suas enevoadas perspectivas, para onde se devem voltar os investidores que pretendam superar os mercados?

   De uma forma geral espera-se que a economia esteja em contração, ou quando muito, numa fase anémica de crescimento. Na Europa, a situação recessiva já começou a alastrar ao centro, com Alemanha e França a sentirem a austeridade dos outros na pele. A situação será ainda assim menizada por um quadro político mais estável, em especial se quando comparado com 2012, e isto é algo que por norma os mercados apreciam.

   Nos E.U.A a situação não está muito melhor, ainda que se tenha evitado (pelo menos para já) a queda no precipício fiscal. A questão da dívida pública continua, e continuará, a ser uma preocupação e, mais cedo do que tarde, a austeridade terá também de cruzar o Atlântico. De notar ainda a recuperação do mercado imobiliário nos últimos trimestres, algo que ainda me penitencio de não ter aproveitado. Mea culpa.

   No resto do mundo, com a China a encabeçar, o ritmo de crescimento parece ter-se amenizado, algo que ficou bem evidente em 2012 com a performance subpar dos setores  energético e da matérias básicas.

Por outro lado, a desalavancagem financeira e bancária prossegue,  já numa fase mais adiantada do que em igual periodo do ano passado, o que permitirá ao setor financeiro (e industria bancária) continuar a ser uma aposta para 2013. No meu caso pessoal, e no que ao Ubik Investments diz respeito,  não conto alterar posições neste setor, a menos que se registem grandes alterações/novidades. Quando muito estarei atento a possíveis correções e à necessidade de colocação de stops.

   Quanto aos restantes setores, tudo dependerá do consumar, ou não, das perspectivas económicas globais que atrás salientei. A suceder, julgo que os investidores deverão estar atentos ao setor do consumo não-cíclico devido ao seu carácter mais defensivo, ou mesmo às utilities, se bem que neste caso as dividend yields não sejam particularmente competitivas face a alguns títulos da dívida e obrigações empresariais. Empresas como a Dollar Tree Stores ou a Big Lots poderão ser alternativas interessantes. Contudo, acredito mais num cenário semelhante ao de 2012, em que o setor financeiro, e a recuperação do crédito terão um papel central em todo o mercado. É curioso que tanto o setor financeiro, como o caso dos transportes e tecnologias costumam ser os primeiros a disparar quando estamos no ínicio de um bull market. Tal sucedeu em 2012, devendo mencionar também que o caso dos transportes, e da sua boa performance em 2012, tende a abrir caminho a uma recuperação de setores mais de meio do ciclo, como a indústria e a energia. Vivemos em tempos estranhos, e esta crise parece evidenciar que os ciclos de mercado nem sempre se comportam como o esperado. Talvez estejamos num movimento em W da economia, talvez não, mas julgo que não devemos esquecer que toda esta crise deriva do problema do crédito e da dívida, daí que boa parte da solução, e do caminho, deva passar por aí. O facto do setor financeiro estar a recuperar deverá impor-se a todas as questões políticas globais, e terá a meu ver um mais forte impacto do que estas nos mercados.

  Por fim, refiro um setor que terá ótimas oportunidades em 2013, 2014, 2015,...2025 - os cuidados de saúde. Por tudo o que já disse, e pelas características únicas do mesmo, continuarei a defender uma exposição de carteira a estes títulos. Mas, atenção, precisamente porque as suas características são tão díspares das dos restantes setores, também a sua análise deve implicar um esforço e atenção diferentes. Certamente que dá mais trabalho analisar empresas em particular, a concorrência que enfrentam, as decisões das autoridades do medicamento, etc; contudo também a recompensa por uma escolha acertada poderá fazer toda a diferença no seu portfólio.

Um bom ano a todos,
Paff

(1) - Conto com novidades da FDA ainda no 1º trimestre de 2013.