Às vezes é frustrante, não é?
Pega-se naquelas poupanças que se conseguiram de forma trabalhosa e suada, entra-se em uma ou mais posições em títulos nacionais e, meses (anos) depois, parece que mais valia ter-mos partido uma perna no momento daquela infeliz decisão. A economia não arranca, a cotação parece estagnar, isto quando não cai, e lá ficamos nós à espera que a maré mude, enquanto que o instituto de meteorologia continua a prever a mesma nortada de sempre. Quantos de nós não nos sentimos assim nos últimos tempos em Portugal?
Contudo, e para nos deixar ainda mais em brasa, quase ao mesmo tempo, vemos uns quantos (poucos) 'iluminados' a conseguirem rentabilizar os seus investimentos quase que por magia. E o pior é que o fazem constantemente ao passo que nós, enfim, marcamos... passo.
Informação privilegiada, inteligência superior à nossa ou acesso a excelente aconselhamento financeiro, um destes, ou mesmo todos, poderão ser a desculpa que encontramos para justificar tão boas performances relativas face à nossa inerente frustração. Mas, e se de facto a raiz do sucesso fosse algo bem mais simples e que, na verdade, qualquer um de nós pudesse replicar?
A lista de soluções poderia ser complexa e exaustiva. Contudo, para o investidor mais desanimado que não sabe o que fazer com aquelas acções do BCP que comprou a um preço 10 vezes superior ao da actual cotação, essa lista poderá ser reduzida a dois itens: (1) não investir na bolsa portuguesa (eu sei, isto é bastante óbvio) e (2) apostar num sector de actividade que simplesmente não poderá ser encontrado na bolsa portuguesa (faz ideia de qual?)
Não ter investido na bolsa nacional teria por si só evitado boa parte das perdas que muitos investidores têm vindo a sofrer ultimamente. Sempre defendi, e continuarei a defender, que o nosso mercado é não só demasiado pequeno, não oferecendo dimensão suficiente para quem pretenda investir a sério; com é também incompleto. Miseravelmente incompleto!
Será que tem a noção que nem um, nem um só sector de actividade se encontra plenamente representado no índice nacional?
Então e os bancos, não representam eles o nosso sector financeiro?
Sim, mas apenas a indústria bancária, que é somente uma das componentes do mais vasto sector financeiro. Para que a representação fosse total teríamos que ter acesso à banca de investimento (e não só a de retalho), a seguradoras cotadas de forma independente (e não sob a alçada de bancos cotados), a re-seguradoras, a bancos regionais, a consultoras financeiras, entre outros, e, na verdade, não temos.
Refiro a industria bancária porque ainda assim é das poucos aceitavelmente representadas, pois ao olhar-se para o restante índice, e para as indústrias que o compõem, rapidamente se conclui a miséria franciscana com que o investidor nacional de depara.
É precisamente desta falta de representatividade que advém uma solução para ultrapassar os muito baixos níveis de rentabilidade que o mercado nacional apresenta. Ao contrário de outros sectores, que embora de forma muito limitada, ainda assim têm alguma representação nos índices nacionais, existe um que não tem qualquer tipo de representação, nem mesmo ao nível de uma das suas indústrias ou sub-indústrias. Refiro-me ao sector dos cuidados de saúde. Tristemente nem uma só farmacêutica esta cotada em bolsa, nem mesmo um pequeno distribuidor de medicamentos ou equipamentos médicos, nem sequer um simples laboratório de análises. Nada!
Ora, no século XXI ter-se uma carteira de investimentos não exposta a este sector, é, a meu ver, uma falha demasiado grande e que acaba por degenerar em retornos sub-par. Não quero com isto dizer só com exposição a este sector se conseguem rentabilidades acima da média, é evidente que não. A minha experiência mostra contudo que são empresas deste sector, nomeadamente as farmacêuticas e as biotecnologicas que não raramente proporcionam as valorizações mais espectaculares. Tal sucede mesmo à custa do sector tecnológico, que se viu ultrapassado pelos cuidados de saúde como alvo principal por parte dos chamados growth investors.
É certo que investir neste sector comporta riscos assinaláveis, até porque para se atingirem tão elevados retornos, acaba por se ficar exposto a perdas de igual magnitude. Além disso, trata-se talvez do sector mais complexo de se entender, com uma linguagem e factores de influencia muito próprios (algo que procurarei desmistificar no livro que me encontro a escrever).
Portanto, para concluir (e ficando desde já exposto às criticas acérrimas dos defensores do PSI), duas das principais razões pelas quais a bolsa nacional não interessa passam pela sua falta de dimensão, e com isso a falta de dimensão de perspectivas de grande parte das empresas que a compõem; e também pela sua própria estrutura interna que é absolutamente incompleta.
2013 e 2014 poderão até ser anos bastante interessantes, em especial para a industria bancária nacional, caso o ambiente económico português se estabilize, mas lembre-se, estamos a falar de uma época muito especial na nossa história económica. Quando se chega ao fundo do poço provavelmente o único caminho que resta seja para cima. No entanto, para as restantes épocas da nossa história colectiva, em que não estejamos num dos extremos do espectro, investir na bolsa nacional é um erro, ainda para mais quando o acto de investir lá for se tornou tão fácil e corriqueiro.
Cumprimentos,
Paff
olá Paff, em condições normais estariamos num fundo. o problema é esse: não estamos em condições normais.
na minha modesta opinião em breve( poucos meses a 1 ano) iremos assistir a um degradar da conjectura internacional que irá agravar ainda mais a situação de Portugal.
cumprimentos,
bluexip
ola
vivemos num País lindo, governado por gente mediocre e egoista.
o que faz a Cofina e Novabase no Psi 20?
Citação de: vip480 em Maio 17, 2013, 13:37
ola
vivemos num País lindo, governado por gente mediocre e egoista.
o que faz a Cofina e Novabase no Psi 20?
A questão é saber o que fazem 80% das empresas no PSI20...
Determinados índices, principalmente os americanos, tiveram melhores performances, em minha opinião porque, alem da procura de investidores estrangeiros, uma grande percentagem da população tem investimentos na bolsa e isso faz com que a procura seja muito superior, sustentando e alimentando por isso as subidas.
Nós e outros países com índices como o nosso, alem de sermos uma percentagem reduzida que investe e arrisca na bolsa, ainda acabamos por fugir para outros índices, reduzindo por isso a procura e tornando-os mais frágeis.
cumprimentos
Serpim
Olá Paff, acho que o timing do post não é o melhor. Nós sabemos que a bolsa portuguesa esteve em bear market e que desceu muito entre 2007 e 2012, mas o ciclo de mercado passou de descendente para ascendente.
É do consenso geral chamar-se bull market quando um índice está acima da média móvel de 200 dias, e isso acontece desde 6 de Setembro de 2012.
Entre 14 de Junho de 2012 e o dia de hoje, 24 de Maio de 2013, o índice de referência português PSI20 aumentou 36,99%, enquanto que o índice de referência das bolsas dos Estados Unidos S&P 500 aumentou apenas 25,10%. Portanto, a bolsa portuguesa aumentou 10% a mais que a bolsa americana.
Citação de: João-D em Maio 24, 2013, 19:17
Olá Paff, acho que o timing do post não é o melhor. Nós sabemos que a bolsa portuguesa esteve em bear market e que desceu muito entre 2007 e 2012, mas o ciclo de mercado passou de descendente para ascendente.
É do consenso geral chamar-se bull market quando um índice está acima da média móvel de 200 dias, e isso acontece desde 6 de Setembro de 2012.
Entre 14 de Junho de 2012 e o dia de hoje, 24 de Maio de 2013, o índice de referência português PSI20 aumentou 36,99%, enquanto que o índice de referência das bolsas dos Estados Unidos S&P 500 aumentou apenas 25,10%. Portanto, a bolsa portuguesa aumentou 10% a mais que a bolsa americana.
Boa tarde João,
Remeto-o para o ultimo parágrafo do artigo, onde considero que os próximos tempos serão interessantes, mas a prazo, e de uma forma continuada, não acredito que a bolsa nacional seja um alvo para investidores mais sérios.
Paff
Citação de: Paff em Maio 24, 2013, 19:37
Citação de: João-D em Maio 24, 2013, 19:17
Olá Paff, acho que o timing do post não é o melhor. Nós sabemos que a bolsa portuguesa esteve em bear market e que desceu muito entre 2007 e 2012, mas o ciclo de mercado passou de descendente para ascendente.
É do consenso geral chamar-se bull market quando um índice está acima da média móvel de 200 dias, e isso acontece desde 6 de Setembro de 2012.
Entre 14 de Junho de 2012 e o dia de hoje, 24 de Maio de 2013, o índice de referência português PSI20 aumentou 36,99%, enquanto que o índice de referência das bolsas dos Estados Unidos S&P 500 aumentou apenas 25,10%. Portanto, a bolsa portuguesa aumentou 10% a mais que a bolsa americana.
Boa tarde João,
Remeto-o para o ultimo parágrafo do artigo, onde considero que os próximos tempos serão interessantes, mas a prazo, e de uma forma continuada, não acredito que a bolsa nacional seja um alvo para investidores mais sérios.
Paff
A bolsa portuguesa está em bull market há quase 1 ano. O que pretendes dizer com investidores sérios? Eu sempre me achei um investidor sério. :)
Voltando um pouco atrás, os primeiros anos de bull market e os últimos anos de bull market costumam ser os mais rápidos. Como tal, acho que seria normal que a bolsa portuguesa continuasse a subir mais que a bolsa dos estados unidos nos primeiros anos de subida.