Teixeira dos Santos substitui Campos e Cunha nas Finanças
Fernando Teixeira dos Santos, até agora presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), vai substituir Luís Campos e Cunha como ministro das Finanças, depois deste ter pedido a demissão alegando motivos pessoais, familiares e cansaço.
Segundo a Lusa, citando fonte oficial, o primeiro-ministro solicitou hoje ao Presidente da República a exoneração do ministro de Estado e das Finanças, a pedido deste.
José Sócrates, «no mesmo momento, propôs ao Presidente da República, Jorge Sampaio, a nomeação de Fernando Teixeira dos Santos como ministro de Estado e das Finanças», acrescenta a mesma fonte. 130 dias após a tomada de posse, o Governo de José Sócrates sofre assim a primeira alteração, e logo na fulcral pasta das Finanças.
Com a saída de Luís Campos e Cunha, ficam também demissionários os seus quatro secretários de Estado: Manuel Baganha (Adjunto e do Orçamento), Maria dos Anjos Capote (Tesouro e Finanças), João Amaral Tomás (Assuntos Fiscais) e João Figueiredo (Administração Pública).
Fernando Teixeira dos Santos presidia à entidade reguladora do mercado de capitais desde 2000, foi secretário de Estado do Tesouro e das Finanças de António Guterres entre 1995 e 1999.
O Conselho de Ministros aprovara, em Maio passado, a recondução de Fernando Teixeira dos Santos na liderança da CMVM, depois do prazo do mandato ter terminado em Fevereiro, em vésperas de eleições.
Na altura de formação de Governo por parte de José Sócrates, Teixeira dos Santos já era apontado como um dos mais fortes candidatos para a pasta das Finanças.
Vozes dissonantes no Governo
A saída de Campos Cunha ocorre depois do ministro demissionário ter escrito um artigo de opinião no jornal «Público» no passado domingo em que colocava em causa algum do investimento público realizado em Portugal nos últimos anos.
O documento foi interpretado por alguns analistas como uma crítica implícita ao Programa de Investimentos em Infra-estruturas Prioritárias (PIIP) apresentado na semana passada pelo ministro da Economia Manuel Pinho, em que se contemplam projectos como comboio de alta velocidade e a construção do aeroporto na Ota, em alternativa à Portela.
«A ideia de que o investimento é sempre algo de bom é errada», defendeu o responsável acrescentando que «hoje viveríamos melhor se certos investimentos não tivessem sido realizados», afirmara Campos e Cunha.
Adicionalmente, Campos e Cunha defendera ontem na comissão parlamentar de Economia e Finanças para a apreciação das Grandes Opções do Plano (GOP) – documento base de suporte ao orçamento rectificativo - que a alta velocidade e a Ota teriam que ser avaliados.
O ministro das Obras Públicas argumentou hoje, na mesma comissão, que os projectos vão avançar nesta legislatura uma vez que as decisões já estavam politicamente tomadas.
O Governo já tomou a «decisão política», assegurou aos jornalistas Mário Lino à entrada da comissão parlamentar de Economia e Finanças para a discussão das Grandes Opções do Plano (GOP).
Separadamente, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Freitas do Amaral, numa entrevista publicada hoje no «Diário de Notícias», veio criticar implicitamente o Governo do qual faz parte, por não ter sido capaz de explicar aos portugueses o motivo pelo qual, em campanha eleitoral, prometera não mexer nos impostos e, após a tomada de posse, os subiu na sua generalidade.
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