OPA da Prisa sobre Media Capital nas mãos da CMVM
Uma OPA da Prisa sobre a Media Capital vai depender da interpretação sobre a partir de que altura se vai considerar que a Prisa detém direitos de voto superiores a 33%. Segundo o BCP, o preço de uma eventual OPA pode oscilar entre 7,03 e 8,41 euros. O BPI diz que a RTL poderá ter ainda uma palavra a dizer.
Miguel Pais do Amaral, Nicolas Berggruen e Courical Holding, Berggruen Holdings, Partrouge e o grupo de «media» espanhol Prisa celebraram um acordo através do qual, os três primeiros atribuem à empresa espanhola um direito de preferência relativo às acções da Vertix, detentora de uma participação de 28,48% do capital social da Media Capital.
São ainda imputáveis à Vertix mais 12,26% dos direitos de voto, resultantes do acordo parassocial entre os accionistas supra e da detenção de opções de compra de acções da Media Capital à CGD, Fidelidade e BES.
Por seu turno, Miguel Pais do Amaral e a Berggruen Holdings têm uma opção de venda da totalidade do capital social da Vertix à Prisa, a ser exercida num prazo entre 3 a 6 meses, desde que a Vertix detenha 33% (e não mais) do capital social e direitos de voto da Media Capital.
O pagamento destes 33% corresponderia a 189,6 milhões de euros, mais 24% da Prisa Division Internacional, participação avaliada em 45 milhões de euros.
Operação avalia acções da Media Capital entre 7,03 e 8,41 euros
«Num cenário em que se considere a Vertix como não tendo dívida (o que se desconhece), esta oferta avaliaria a Media Capital a 8,41 euros por acção», segundo os analistas do Millennium bcp investimento.
Este valor resulta dos 234,6 milhões de euros (189,6 milhões pagos mais os 45 milhões da Prisa Division Internacional), a dividir por 27,9 milhões de acções correspondentes a 33% da MC.
Dependente do exercício da opção de venda de 100% da Vertix (com 33% de Media Capital), Miguel Pais do Amaral, Courical e a Berggruen Holdings têm uma opção de venda de um mínimo de 12% e um máximo de 13,32% da Media Capital (num prazo de 24 a 27 meses após a venda dos 33%), por um mínimo de 71,3 milhões e um máximo de 79,1 milhões, o que avalia a Media Capital a 7,03 por acção.
Limite de 33% evita OPA a curto prazo
Segundo o analista Pedro Mendes, o limite de 33% destina-se a que a operação não implique qualquer oferta pública de aquisição (OPA) a curto prazo.
Contudo, uma vez exercida a opção relativa aos 33% da Media Capital (via compra da Vertix), «tal conduziria a uma OPA», no caso de Miguel Pais do Amaral e Nicolas Berggruen optarem, daqui por pelo menos 27 meses (24+3), exercerem a opção de venda dos 12% a 13,32% adicionais.
Segundo o Millennium bcp, duas questões se levantam neste momento.
Por um lado, a da interpretação das entidades oficiais sobre se, para todos os efeitos, a partir de que altura a Prisa será considerada como detendo direitos de voto superiores a 33%: se agora, se após a aquisição dos 33%, ou somente quando e se for exercida a opção de venda dos 12-13.32% adicionais. Dessa interpretação dependerá a exigência e o «timing» de uma possível OPA.
Preço de eventual OPA oscilará entre 7,03; 8,04 e 8,41 euros
A outra questão prende-se com o valor de referência da OPA, que no entender do Millennium bcp deveria corresponder a um mínimo de 7,03 por acção (considerando os 71,3 a 79,1 milhões pagar pelos 12-13,32%); 8,41 euros (considerando os 189 milhões de euros mais o 45 milhões pelos 33%), ou 8,04 euros (considerando o preço global pelos 33% mais os 12-13.32%).
Nestas duas últimas possibilidades, o analista Pedro Mendes está a assumir, por hipótese, que a Vertix tem dívida líquida nula.
Em qualquer destes cenários, e mesmo que não decorra OPA, o múltiplo EV/EBITDA implícito «é elevado» (13,1x 2005 e 11x 2006), já compara com valores de 9,0x e 8,4x do sector, respectivamente.
Prisa e Media Capital podem tentar entrar nos jornais
«A concretizar-se, esta aquisição terá ainda consequências sobre o sector de media em Portugal», vaticina o banco de investimento.
«Apesar de não esperarmos grandes alterações a nível de televisão, é provável que a Prisa/Media Capital desenvolva esforços no sentido de vir a ter presença importante em imprensa, o que faz adivinhar alterações substanciais na estrutura competitiva deste sector, o que implicaria um impacto negativo no actuais "players", nomeadamente Lusomundo Media, Impresa e Cofina».
Ainda em relação a Impresa, no entanto, «consideramos que este acordo entre a Vertix e e Prisa poderá servir de referência para o mercado em termos de valorização transaccional dos seus activos, o que é positivo (a Impresa transacciona a múltiplos claramente a desconto da Media Capital EV/EBITDA de 9,9x 2005 e 8,3x 2006)».
No entanto, «tal não deverá reflectir-se na totalidade na sua cotação, uma vez que o principal accionista não parece vendedor a curto/médio prazo».
RTL poderá ainda ter uma palavra a dizer
Os analistas do BPI dizem que este acordo não descarta «novas especulações em torno da Media Capital», já que a Prisa poderá, no final desta operação, ficar com 40,5% a 41,8% da Media Capital, ou seja, sem o controlo maioritário. O «free float» da Media Capital ronda os 40%.
No entanto, este cenário avançado pelo analista Tiago Anjos não contempla uma OPA ou pressupõe que esta não venha a ser aceite pelos restantes accionistas.
«A RTL expressou recentemente o seu interesse em aumentar a sua posição no capital da Media Capital, tendo mesmo aventado para a possibilidade de lançar uma oferta a médio prazo», recorda o banco. O grupo alemão detém 11,55% da MC.
O banco de investimento tem um preço-alvo de 6,75 euros para as acções das MC, com uma recomendação de «manter».
«Com estes acordos, os principais accionistas do grupo estão a reduzir significativamente a sua participação na Media Capital, sendo substituídos por um importante grupo de "media" espanhol, com um prémio implícito de cerca de 10% face à cotação de fecho de ontem», comentam os analistas do Caixa – Banco de Investimento.
Esta casa avalia as acções da MC em 6 euros, com uma recomendação de «manter». O BCP tem um preço-alvo de 6,55 euros e uma recomendação de «reduzir».
As acções da Media Capital subiam 4,5% para os 6,74 euros.
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