BPI diz que venda de posição na PT se deve à queda das acções
A venda da posição de 1,65% do Banco BPI na Portugal Telecom (PT) ficou a dever-se ao facto da actual cotação das acções da operadora onerarem o balanço da instituição financeira e daquele investimento ser «demasiado grande» para uma actividade fora do «core business» do banco, explicou o presidente executivo Fernando Ulrich à Bloomberg.
O Banco BPI anunciou hoje que alienou uma posição directa de 1,65% do capital da Portugal Telecom a investidores institucionais, numa operação em que realizou um encaixe de 149,4 milhões de euros, com um preço unitário por acção de 7,75 euros.
O quinto maior banco nacional tem vindo a reduzir a sua participação na Portugal Telecom de forma gradual. No final do ano passado, detinha 2,46%. Após a operação anunciada hoje o Banco BPI assegura apenas posição directa 0,05%, apesar de Fernando Ulrich ser membro do conselho de administração da PT.
«Era uma participação demasiado elevada num negócio que não está relacionado com a nossa actividade 'core"», afirmou Ulrich em declarações telefónicas à Bloomberg. Aquela posição «não era boa para as acções do banco», acrescentou.
Menos-valia com impacto praticamente neutro
As acções detidas pelo Banco BPI na PT estavam contabilizadas a um preço unitário de 7,84 euros no balanço do banco no final de Junho passado, um valor 1,14% abaixo do preço da venda anunciada hoje. O valor da participação de 1,7% da PT estava contabilizado em 151,2 milhões de euros na mesma data, abaixo dos 149,4 milhões de euros (por 1,65%) a que foi alienada.
A diferença entre estes dois números situa-se nos 1,8 milhões de euros, mas o facto do banco já ter realizado o «impairment» em relação a esta posição, torna o impacto da venda praticamente neutro para as contas do banco, ao situar-se nos 1,7 milhões de euros.
A descida recente das acções da PT ocorreu depois da maior operadora nacional ter anunciado uma revisão em baixa para os resultados da sua actividade móvel - a Telecomunicações Móveis Nacionais (TMN) – resultante de um maior investimento que a empresa está a fazer para subsidiar terminais de terceira geração por forma a atingir cerca de 20% de quota de mercado, ou um milhão de assinantes, até final do próximo ano.
«É possível ter uma perspectiva de que as acções da PT têm um potencial de subida no médio prazo», mas no curto prazo «é impossível prever a sua 'performance'», afirmou Ulrich, vincando que, «no próximo mês ou no próximo trimestre, não teríamos a certeza de que (as acções detidas na PT) não teriam impacto (negativo) nos resultados do banco».
«É uma decisão de posicionar o BPI com um perfil mais conservador», afirmou ainda Ulrich, salientando que a «PT não é um caso isolado».
Institucionais e Basileia II condicionam política de investimentos
O banco tem vindo a alienar na totalidade ou a reduzir participações em outras empresas. São os casos da Águas de Portugal e da estação televisiva SIC, entre outros.
O presidente executivo do banco sedeado no Porto justificou esta estratégia com o facto de, ao conversar com investidores institucionais e agências de 'rating', ter ficado «com a impressão de que eles preferiam que nós não tivéssemos essas participações».
Também a introdução do Basileia II, um acordo entre a banca mundial que levará a um reforço dos rácios de capital das instituições financeiras, contribuiu para o prosseguimento da estratégia.
«Quando o Basileia II chegar, as participações (detidas em outras empresas) obrigarão a empatar mais capital», justificou Ulrich.
As acções do Banco BPI [Cot] seguiam nos 3,39 euros, a cair 0,29%, enquanto os títulos da PT desciam 0,64% para os 7,78 euros.