Clubeinvest.com
Mercados => Fórum de Bolsa => Tópico começado por: Jameson em Agosto 29, 2005, 19:08
CitaçãoA Sonaecom deverá deliberar, em assembleia-geral extraordinária de accionistas (que deverá decorrer no próximo dia 12 de Setembro), a proposta sobre o aumento do capital social de 70 milhões de euros (passando este de 226,25 para 296,6 milhões de euros) e que deverá servir para a France Telecom entrar no capital da empresa liderada por Paulo Azevedo, em troca das participações que a empresa francesa detém na Optimus, Novis e Clix. A empresa de telecomunicações irá emitir 70 milhões de novas acções (correspondente a um valor nominal de 1 euro por acção) operação que representará um aumento de capital na ordem dos 31%, mantendo-se ainda desconhecidos os detalhes da operação (nomeadamente o preço do aumento de capital). Recorde-se que em Junho a empresa anunciou um acordo estratégico com a operadora gaulesa, que engloba a troca das posições de 20,18% na Optimus, 43,3% na Novis e a 43,3% no Clix por uma fatia de 23,7% na Sonaecom, tornando-se o segundo maior accionista da empresa. Esta entrada da FT (já esperada pelo mercado) no capital da Sonaecom irá à partida permitir uma maior visibilidade do titulo no mercado nacional, que irá atingir uma capitalização bolsista que deverá ultrapassar os 1000 milhões de euros (é actualmente de cerca de 800 milhões de euros) e poderá dar à empresa um papel estratégico no que diz respeito a uma eventual expansão da France Telecom para Portugal a médio prazo. O facto de existir neste acordo uma clausula que estipula um período de lock up de três anos garante a estabilidade do capital da empresa durante os próximos anos, uma vez que a empresa Francesa não poderá assumir uma eventual posição vendedora, com consequente inundação no mercado de acções da operadora nacional.
Entretanto, a Sonaecom apresentou recentemente os resultados referentes aos primeiros seis meses de actividade, tendo reportado um resultado líquido de 5,8 milhões de euros, o que representa uma quebra de 7% face ao reportado em igual período do ano passado. As receitas consolidadas desceram 5% para 405,8 milhões de euros, enquanto que o cash-flow operacional (EBITDA) sofreu uma queda de 14% atingindo os 83,6 milhões de euros, reflectindo uma quebra na margem de EBITDA, que caiu de 23 para 21%, tendo como base os valores correspondentes ao 1º semestre de 2004. No que diz respeito aos custos operacionais, embora tenham registado uma correcção de 1% face ao 1º semestre de 2004, representam agora, 81% do volume de negócios, contra os 73% do segundo trimestre do ano passado, facto que está relacionado com os aumentos relacionados com actividades de Marketing (30%) da Optimus, na sequência do aumento de agressividade comercial levada a cabo pelos concorrentes no mercado, que voltaram a subsidiar a aquisição de telemóveis. No que diz respeito ao endividamento da empresa, a Sonaecom registou uma diminuição de 13%, no segundo trimestre de 2005, comparando com o segundo trimestre de 2004, para 297 milhões de euros.
Os resultados divulgados eram já esperados pelo mercado, sobretudo depois de o grupo ter revisto em baixa o guidance operacional da empresa, e derivam essencialmente de dois factores: primeiro, na sequência da recente decisão da Anacom sobre tarifas de interligação móvel, que entrou em vigor no passado dia 7 de Março onde a empresa de Paulo Azevedo era o maior prejudicado tendo em conta o peso que este tipo de receita tinha sobre as contas da Optimus e segundo, devido à actual agressividade verificada no mercado de comunicações móveis que está associada à conquista de mercado no segmento de UMTS, e que levou ao ressurgimento do fenómeno de subsídio de equipamentos, que constitui um elemento com efeito penalizador sobre as margens (Ebitda) da empresa.
A nossa visão fundamental mantém-se positiva para a Sonaecom, apesar dos resultados terem sido abaixo do verificado em período comparável de 2004. O fluxo de notícias que poderá surgir nos próximos meses para a empresa deverá ser positivo tendo em consideração os eventos já anunciados no primeiro semestre. O acordo recentemente estabelecido com a France Telecom irá permitir à partida, uma maior visibilidade do título no mercado nacional, com uma capitalização bolsista que ultrapassará os 1 000 milhões de euros. Adicionalmente consideramos que o projecto de reformulação do segmento de Banda Larga e da oferta ADSL, através da qual a empresa passará a oferecer serviços de telefone, internet e TV sobre IP deverá constituir um driver bastante importante para o crescimento operacional da empresa, sobretudo se tivermos em conta o potencial desta estrutura tecnológica. Caso se verifique a qualidade do comportamento da tecnologia triple-play, sobretudo no que diz respeito ao sinal de televisão, poderemos estar perante uma transformação importante dentro do segmento, com largo benefício – em termos de potencial de crescimento – para a empresa. Sendo assim, e tendo em consideração o valor fundamental da empresa e o facto de o cenário estar actualmente mais positivo em termos de fluxo de notícias, mantemos a nossa recomendação de Comprar para Sonaecom.
Barclays 25 de Agosto 2005