O que fará Greenspan após o furacão Katrina
No início de Agosto, antes do "Katrina" assolar a costa norte-americana, as opiniões dos especialistas eram unânimes. No final deste ano os juros dos Estados Unidos estariam nos 4% e mais subidas estavam no horizonte. Com os efeitos nefastos do furacão tudo mudou e agora as expectativas apontam para que Alan Greenspan coloque um travão no aumento do preço do dinheiro na maior economia do mundo.
A próxima reunião da Reserva Federal (Fed) ocorre a 20 de Setembro e os economistas ainda estimam uma subida nos juros em 0,25 pontos percentuais, para 3,75%. Mas depois disso espera-se que a autoridade monetária liderada por Alan Greenspan faça uma pausa e mantenha o preço do dinheiro inalterado.
É que a economia americana já estava a dar sinais de abrandamento e o "Katrina", que terá provocado prejuízos de 50 mil milhões de dólares, veio agravar a situação, gerando expectativas que a Fed possa abrandar a agressividade na subida dos juros.
Desde que iniciou o ciclo de agravamento dos juros, em Julho de 2004, todas as 10 reuniões da Fed têm culminado com a notícia de subidas nos juros em 25 pontos base. Os economistas aguardavam que esta tendência continuasse até estes ascenderem a 4,5%, um nível que é considerado neutro para a economia. Contudo, para ajudar a economia americana neste período difícil, Alan Greenspan, a poucos meses do final do mandato, deverá manter a política expansionista por mais tempo.
Na próxima reunião da Fed os juros ainda devem subir, mas nas agendadas para 1 de Novembro e 13 de Dezembro, as expectativas apontam para as primeiras manutenções de juros.
Com o "Katrina" a ter um impacto negativo na economia e os preços do petróleo em níveis recorde, foram já várias as casas de investimento a rever em baixa as suas perspectivas de crescimento para o PIB dos EUA. Ainda assim, a taxa de crescimento da economia americana deverá continuar acima de 3%.
Euro dispara e acções "aguentam-se"
No mercado cambial esta perspectiva já se fez notar, com o euro a registar o maior ganho semanal contra o dólar desde Novembro passado, negociado em máximos de três meses.
Parte da valorização que a moeda americana regista este ano era suportada pelos juros mais elevados nos EUA, contra os "eternos" 2% do BCE, pelo que a moeda europeia tem agora mais espaço para continuar a recuperar face à divisa americana.
Já os mercados accionistas tiveram uma boa reacção à já considerada maior catástrofe natural dos EUA. As bolsas americanas conseguiram subir na semana e em Lisboa o PSI-20 amealhou uma subida de 1,6% em cinco sessões.
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