Actividade económica mantém perfil descendente em Agosto
O indicador coincidente mensal, calculado pelo Banco de Portugal para medir a actividade económica nacional, registou uma variação homóloga negativa pela primeira vez nos últimos doze meses, ao descer 0,1%, mantendo o perfil descendente que se vem a verificar desde meados de 2004. O Banco de Portugal diz que o consumo privado vai continuar a desacelerar no terceiro trimestre.
O banco central chama a atenção para o facto dos números hoje divulgados terem sofrido uma alteração face aos divulgados nos meses anteriores devido à revisão das bases do PIB realizada pelo INE, em relação aos últimos anos. No entanto, a tendência de queda do indicador coincidente mensal manteve-se.
Desde meados de 2004 que este indicador, que agrega as expectativas dos agentes económicos e os últimos resultados concretos registados nos vários sectores de actividade, se encontra em trajectória descendente.
Segundo os números divulgados pelo INE, o PIB nacional cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2005. O Banco de Portugal explica esta evolução com a melhoria da procura externa líquida devido à desaceleração da diminuição das exportações e do aumento das importações.
A procura interna também desacelerou, 0,7 pontos percentuais, devido à redução de 4,5% do investimento e apesar da ligeira aceleração verificada no crescimento do consumo privado, 3% face a 2,9%.
No entanto, a instituição liderada por Vítor Constâncio prevê que o crescimento do consumo privado continue a diminuir durante o terceiro trimestre deste ano.
«Esta evolução, particularmente acentuada no consumo de bens duradouros, deverá estar relacionada com a entrada em vigor da nova taxa normal de IVA, no mês de Julho», explica o Banco de Portugal.
Crédito ao consumo abranda
O crescimento da concessão de empréstimos a particulares diminui em Julho para 9,4%, contra 9,5% em Junho, segundo o Banco de Portugal, que explica esta descida com a desaceleração verificada no crédito ao consumo e a estabilização do crédito à habitação.
A taxa de variação anual do crédito ao consumo e outros fins foi de 3,7%, em Julho, contra 4% em Junho.
No crédito à habitação a subida na concessão de empréstimos praticamente estabilizou, ao diminuir 0,1 pontos percentuais para 10,8%.
O banco central chama ainda a atenção para o facto da «taxa dos empréstimos a particulares para aquisição de habitação ter voltado a diminuir (de 3,69 para 3,67%)».
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