BPI quer acabar com privilégios dos bancários
O Banco BPI quer acabar com os automatismos de progressão de carreira dos funcionários e integrá-los no regime geral da Segurança Social, segundo adiantou o presidente da instituição financeira, Fernando Ulrich, na apresentação da «Proposta de Novo Modelo Social para o Sector Bancário.»
O pacote de medidas, que ainda será debatido com a Associação Portuguesa de Bancos e com os sindicatos, pretende colocar o sistema de regalias do sector bancário equiparado ao do resto das empresas.
A justificar estas medidas, o responsável da instituição adiantou que «o sector bancário é um caso especial na nossa economia. Não foi suficientemente adaptado para o futuro».
Entre as medidas que o BPI deseja implementar está a eliminação dos automatismos de promoção, a possibilidade de despedimentos individuais, a flexibilização dos contratos a prazo, a integração no regime geral da Segurança Social e a integração no Serviço Nacional de Saúde. «Gostava de frisar que estas medidas só serão aplicadas aos novos empregados bancários», adiantou Ulrich, apesar de ter confirmado que os trabalhadores antigos que decidam mudar de banco terão de ser adaptados a esta nova realidade.
No caso concreto do regime de Segurança Social dos novos trabalhadores bancários, o BPI pretende colocar os «novos trabalhadores no Serviço Nacional de Saúde, por forma a colocar, faseadamente, as instituições de crédito numa situação de plena igualdade em matéria de custos com pessoal com as demais empresas dos restantes sectores de actividade». Na prática é o fim das contribuições para o SAMS.
No caso dos despedimentos individuais a instituição quer a possibilidade da rescisão de contrato por iniciativa unilateral do empregador, mediante uma indemnização superior à prevista por lei. Ainda no que toca aos trabalhadores, propõem a extensão para cinco anos do regime de contrato a termo para os trabalhadores com menos de 45 anos.
Pretende-se ainda eliminar os níveis mínimos de remuneração na admissão ao banco, actualmente nos 664,7 euros, o fim das promoções obrigatórias por antiguidade e a prestação de trabalho ao sábado, ou domingo, caso se justifique.
Fernando Ulrich adiantou na conferência de imprensa que «se não se mudar nada, temos de mexer retroactivamente, que é o que não faremos com este projecto. Queremos evitar mexer nas pessoas que já estão no activo».
Agência Financeira