Dívida da PT em risco de cair pela primeira vez abaixo da classe de «A»
Zeinal Bava é o CFO da PT
A Standard & Poor's baixou o «outlook» para a dívida da PT para «negativo», já que a alavancagem é elevada face à notação de «A-». A capacidade da PT para reduzir a dívida está muito dependente do desempenho operacional, da estabilização do défice do fundo de pensões e do controlo na remuneração aos accionistas e nas aquisições.
A agência de notação financeira Standard & Poor's (S&P) baixou hoje o «outlook» para a dívida da Portugal Telecom (PT) [Cot], de «estável» para «negativo», devido à «forte pressão operacional» que enfrenta a maior cotada portuguesa.
O «rating» da dívida de longo prazo permaneceu em «A-», enquanto a dívida com maturidade mais curta ficou com a classificação de «A-2».
A colocação do «outlook» com implicações «negativas» poderá, pela primeira vez, atirar a classificação da PT para a categoria dos «triple B».
A última vez que a S&P mexeu no «rating» da PT foi em 2003, quando alterou a notação de «A/A-1» para os actuais «A-/A-2». Na altura, a agência citava a exposição da empresa ao Brasil e a dimensão do défice do fundo de pensões.
Para justificar esta nova alteração de sentimento, o analista de crédito Leandro de Torres Zabala diz que «a revisão reflecte, primeiramente, a pressão a nível operacional, combinada com a contínua debilidade nas medidas de protecção da dívida», por parte da PT.
De acordo com o relatório publicado hoje, o desempenho operacional a nível do móvel em Portugal está a dar sinais de abrandamento, num ambiente de pressão por parte do regulador e nas tarifas de interligação, factores que têm contribuído para uma maior concorrência à operadora liderada por Miguel Horta e Costa.
Torres Zabala diz que as operações móveis que a PT desenvolve no Brasil, através da Vivo, enfrentam o mesmo problema de concorrência.
«Apesar da resistência no negócio das telecomunicações fixas em Portugal e da actividade da Multimédia, o EBITDA da PT menos as despesas em capital recuou 16% no primeiro semestre de 2005 face ao homólogo», ilustra o analista.
Acções da PT em seis meses
Habilidade para reduzir dívida depende da estabilização nas pensões
A S&P acrescenta ainda que «o nível de alavancagem [da PT] é mais elevado do que o desejado» face ao actual «rating», num contexto de «fraco desempenho operacional».
Segundo a casa norte-americana, «a habilidade da PT para reduzir o nível de endividamento está muito dependente de uma melhoria do desempenho operacional no segundo semestre de 2005 e nos períodos seguintes; da estabilização do défice do fundo de pensões; do controlo da remuneração aos accionistas e de eventuais aquisições» que possam vir a ser feitas pela PT no exterior.
Zeinal Bava, responsável pela área financeira da PT, disse recentemente que as responsabilidades não fundeadas com as pensões ultrapassava os 2 mil milhões de euros, cerca de 20% da capitalização bolsista da cotada.
Os itens aventados pela S&P podem conduzir a uma revisão em baixa da notação, «se não forem geridos de uma forma adequada».
O caminho apontado pela S&P para que a PT «defenda a sua actual notação» passa pela estabilização da «performance» do negócios móvel em Portugal; pela redução da dívida; e «por alguma restrição nos programas de recompra de acções própria e nas aquisições».
«Caso a PT falhe nestes objectivos», então o «rating» poderá «sofrer uma descida de um grau», que levaria a operadora para «BBB+».
As acções da PT seguiam a subir 0,26% para os 7,57 euros.
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