Lisbon Brokers reduz recomendação da PT para «manter»
A Lisbon Brokers reduziu a recomendação para os títulos da Portugal Telecom de «comprar» para «manter», subindo o preço-alvo das acções da operadora para os 9,10 euros. A participada PT Multimédia mantém a recomendação de «manter» com um alvo de 10 euros.
A casa de investimento aponta como principal fonte de preocupação na Portugal Telecom a «composição da nova direcção, que deverá ser anunciada este ano», apesar de alguns dos principais accionistas a apelidarem de mudança na «visão estratégica».
«De acordo com os últimos rumores de mercado, Zeinal Brava deverá continuar no seu posto (CFO), enquanto que Henrique Granadeiro e Rodrigo Costa, foram apontados para o conselho executivo da PT, que será constituída por sete membros, em vez dos actuais cinco». A casa de investimento afirma que uma vez que estas duas individualidades já pertenciam ao conselho de administração «a reacção do mercado deverá ser positiva, com tudo a indicar que Granadeiro deverá ser o próximo presidente executivo da Portugal Telecom».
Na nota de «research» de hoje, a Lisbon Brokers aponta como principais pontos para 2006 o «aumento da competitividade em toda a sua linha de negócios», nomeadamente no serviço de televisão por cabo, com a PT Multimédia a ter como concorrente mais directa a Sonaecom, que vai passar a oferecer «triple-play», apesar de ser lançado comercialmente no segundo semestre de 2006.
Apesar do aumento da concorrência na oferta de cabo, a casa de investimento atribui um preço-alvo para a PT Multimédia de 10 euros, face aos anteriores 9,90 euros, mantendo a recomendação de «manter».
Segundo o analista John dos Santos, a PT vai «ter que apresentar aos investidores alternativas de crescimento», podendo a nova direcção utilizar como guias de crescimento as «holding» regionais PT Ásia e PT África.
O «research» da casa de investimento refere também a questão da «golden share» do estado português na PT que mereceu o aviso por parte da Comissão Europeia.
«Apesar de tudo o que o governo diz», Portugal «não vai ser o único estado com 'privilégios especiais' sobre uma empresa cotada em bolsa», como tal, «a PT vai ter de passar a ser o caçador, se eventualmente não quiser ser a presa».
A mesma fonte afirma que a limitar a renovação do programa de «share buy back» de acções, está a dívida da companhia, que ascende a 3 mil milhões de euros.
«Esperamos que a empresa remunere os accionistas soba a forma de um dividendo melhorado, com um 'dividend yield' de 4,5%, bem como a estimulação do preço das acções através de um renovado programa de crescimento», refere a mesma fonte.
A revisão em baixa da recomendação está relacionada com a subida das acções da empresa em bolsa, que limita o potencial de valorização a apenas 3,6%.
Os títulos da Portugal Telecom [Cot] seguiam a valorizar 1,26% para os 8,86 euros e as acções da PT Multimédia [Cot] recuava 0,53% para os 9,46 euros.
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