A Oferta Pública de Aquisição levantada pela Sonae sobre a Portugal Telecom foi o unicamente o início da luta pelo controlo da operadora.
Para a Lisbon Brokers, a Sonae, SGPS simplesmente abriu uma caixa de Pandora, neste caso de bem e não de mal, no que respeita a PT, podendo haver lugar à formulação de novas ofertas por esta ou outras entidades. «Por exemplo, e apesar de estar ela própria envolvida em processos de aquisições/fusões, pensamos que a Telefónica não irá deixar a sua parceira ser comprada por um preço abaixo do seu valor justo, ou seja, uns meros 10,7 mil milhões, já que a soma-das-partes implica um valor mais elevado».
Porém, «e apesar de considerarmos que a Sonae, SGPS delineou uma boa estratégia de ataque, com o modelo da OPA a inserir-se perfeitamente na nossa tese de investimento para a PT, não estamos inteiramente convencidos do sucesso da oferta, dado que considerarmos o valor demasiado baixo tendo em conta a avaliação da Soma-das-Partes (SoP) que efectuamos e que gere um valor de 12,5 mil milhões de euros, ou 11 euros por acção, 16% acima da oferta de 10,7 mil milhões de euros 9,5 euros por acção efectuado por parte da Sonae, SGPS. Apesar do descontentamento dos investidores privados domésticos, que estão num processo de diversificação das suas carteiras de investimento devido à falta de confiança na visão estratégica da PT e na sua gestão, e estão ansiosos para aliviar posições na PT, podem ainda querer uma preço melhor pelas suas acções».
Na sequência da operação, a Lisbon Brokers hoje o preço alvo que tinha para a Portugal Telecom, para 11 euros, com uma recomendação de comprar. Por outro lado, reforçaram a recomendação de manter nos títulos da Sonaecom, com um preço alvo de 3,7 euros e de comprar para a Sonae, com um valor justo de 1,3 euros por acção, «apesar do eventual sucesso da operação implicar a necessidade de recorrer a um aumento de capital na Sonae, SGPS».
«Conforme tínhamos afirmado recentemente aos nossos clientes, um elevado grau de incerteza que paira sobre a empresa, nomeadamente qual a próxima equipa de gestão que irá gerir os destinos da empresa apôs a Assembleia Geral a realizar dia 21 de Abril próximo, qual o novo modelo de governação da sociedade a adoptar (Corporate Governance), e qual o próximo passo do Estado aquando da obrigação de abdicar da já obsoleta pratica proteccionista das Golden Shares, tornou a Portugal Telecom vulnerável», referem.
«Tendo-se apercebido e bem desta situação, a Sonae, SGPS, de modo a colmatar o progresso lento que a sua subsidiária Sonaecom tem conseguido no sector das telecomunicações, decidiu lançar um Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre o líder do segmento, a Portugal Telecom, oferecendo 10,7 mil milhões de euros, ou 9,5 euros por acção, um prémio de 16% face ao fecho de ontem», refere a Lisbon Brokers,.
Agência Financeira