A história repete-se vezes sem conta! O ano de 2008 assemelha-se às fortes quedas ocorridas durante praticamente todo o ano de 1998. Esse ano foi passado a descer, diminuindo o índice cerca de 50% em valor, desde o ponto mais alto efectuado nesse mesmo ano. O máximo do pessimismo atinge-se no dia 19 de Outubro, precisamente um ano depois do crash. A tendência de queda persistente provocou um acentuar da descida durante uns dias seguida de uma alta súbita.
Este ano a bolsa de Lisboa tem sido uma das mais fustigadas na Europa encontra-se com uma queda de 45% dos máximos registados em 2007. O clímax deu-se à pouco mais de um ano com máximos históricos em alguns mercados emergentes. O mercado nacional, europeu e americano visitaram os máximos históricos registados na bolha das dot.com em 2000. O clima de euforia desmedida contrastada agora com um estado de pânico crescentes onde o que interessa é desalavancar a qualquer custo e de qualquer maneira independentemente do valor das acções. Mas será o fim do mundo? Eu defendo que a história se irá repetir novamente.
Ao longo dos últimos 90 anos o mercado tem superado todas as crises. Os períodos de declínio e arrefecimento nos mercados não costumam ser superiores a 3 anos. Este ciclo de quedas começou há um ano. É legitimo esperar que este arrefecimento/contracção se possa prolongar pelo menos por mais dois anos. Vive-se actualmente tempos conturbados e difíceis. O mercado nacional encontra-se actualmente nos 6700 tendo registado um máximo em 2007 nos 13730 e um mínimo em 2002 nos 4940. Aproximadamente 30% é o que separa o mercado nacional dos mínimos registados em 2002. Abaixo dos 8000 pontos o mercado encontra-se fragilizado sendo que uma visita a valores próximos de 2002 deverá ser encarada como uma oportunidade de compra.
A segunda semana de Outubro foi marcada por fortes quedas em alguns títulos superiores a 20%, logo a não colocação de stops leva a perdas não controladas o que desrespeita as regras básicas. Tal como havia abordado no artigo: gerir risco preservar capital. Quando se gere uma carteira de títulos é preciso ter presente que não é por um título ter uma grandes desvalorização anual ou semanal que não continuará a cair.
As actuais condições do mercado nacional e face às últimas quedas, apresenta um risco menor não só pelas violentas quedas registadas mas principalmente pelo dividend yield (dividendo anual por acção) e pelo PER das acções actualmente. Sendo PER, "Price Earnings Ratio", ou seja, a relação entre a cotação actual e os lucros por acção dos últimos quatro trimestres.
Numa altura de falta de confiança e com as empresas da banca descredibilizadas é necessário voltar a atrair capital para o mercado.
O mercado acarreta risco e para que exista de novo interesse pelo mercado de acções é necessário que esse risco seja bem pago existindo a necessidade de oferecer aos investidores dividend yield atractivos. Um dividend yield atractivo passará por uma rentabilidade superior ao ganho que se obtém nos certificados de aforro e/ou nos depósitos à ordem. Um título com um divindend yield na casa dos dois dígitos deve ser encarado como uma boa aposta a médio longo prazo.
Em relação ao PER, as últimas quedas colocaram o PER das cotadas presentes no "benchmark" no nível mais baixo dos últimos oito anos. Apesar disso não se pode afirmar que a bolsa portuguesa está barata. É até a mais cara, entre os principais índices do "velho continente". No dia 10 de Outubro o PER, das 20 empresas atingiu 10,4, um nível que não se via desde meados de 2000, no fim da "bolha" das tecnológicas. O PER do PSI-20 está baixo, mas não se compara com o dos restantes mercados da Europa. O mercado holandês surge como o mais barato, com um rácio lucros sobre a cotação de pouco mais de 5. Em Espanha, no IBEX, o PER está em 8,17 e no índice alemão DAX estão a negociar a 9,79 vezes os lucros obtidos. Nos Estados unidos o spx 500, um dos índices de referência apresenta um PER de 16 já bem mais perto do ponto médio histórico na zona dos 15 mas ainda longe dos 10. Os 10 apenas foram alcançados por 3 vezes nos últimos 90 anos. A queda dos PER reflecte as fortes desvalorizações registadas nas acções da Europa.
Entre as empresas com o PER mais baixo, ou seja, mais baratas, encontram-se títulos como a Sonae SGPS e os três bancos (BCP, BES e BPI), ainda que no caso destes últimos a comparação com os pares europeus revele uma avaliação pouco atractiva. A EDP Renováveis surge como a mais "cara", com base nos lucros estimados para este ano, mas o PER deverá cair em 2009. A EDP R apesar de apresentar o PER mais elevado, é uma das empresas do índice nacional cuja cotação em bolsa não reflecte o valor expresso no balanço da empresa. Nesta situação estão também as cotadas Sonae SGPS, Sonaecom, Sone Indústria, Teixeira Duarte, BCP, BES e BPI.
Para uma melhor leitura em termos fundamentais será importante aguardar pela apresentação de resultados das empresas nos próximos dois trimestres de modo a auferir qual o impacto que a falta de confiança e a contracção da economia afectaram as contas das empresas cotadas em bolsa.
Atentamente,
Rounders