A taxa Euribor a seis meses, a principal referência utilizada no cálculo da taxa de juro aplicada ao crédito à habitação em Portugal, superou os 3% pela primeira vez nos últimos três anos. Os indexantes a três e a doze meses mantêm a tendência de subida.
Na sessão de hoje, a Euribor a seis meses registou a sua 14ª valorização consecutiva. O indexante mais utilizado nos créditos à habitação em Portugal avançou 1 ponto base e superou a barreira dos 3%, ao fixar-se nos 3,002%, o valor mais elevado desde o final do mês de Novembro de 2002.
O outro indexante comum nos créditos à habitação é a Euribor a três meses. A taxa interbancária a três meses mantém a tendência de subida das últimas 14 sessões (nas últimas 40 leituras, o indexante apenas recuou uma vez) e avançou hoje 0,4 pontos base para os 2,822%, renovando o nível atingido a 29 de Janeiro de 2003.
A Euribor a doze meses, que superou a barreira dos 3% à pouco mais de três semanas, atingiu na sessão de hoje os 3,264%, com uma subida de 1 ponto base face ao valor de ontem, renovando o máximo de 18 de Outubro de 2002.
As subidas acentuadas, e constantes, dos principais indexantes estão a reflectir as expectativas do mercado de que o Banco Central Europeu (BCE) vai aumentar a taxa de juro de referência para a Zona Euro até aos 3,25%, no final do ano.
Na próxima quinta-feira, Jean-Claude Trichet, o presidente da autoridade monetária dos doze países que partilham a moeda europeia, vai reunir-se com os membros do conselho de governadores do BCE para discutir a política monetária a adoptar.
Segundos os analistas consultados pela Bloomberg, nesta reunião de 6 de Abril Trichet deverá manter inalterada a taxa directora nos actuais 2,5%, mas deverá sinalizar que o BCE está preparado para voltar a aumentar o preço do dinheiro.
Na passada sexta-feira, Trichet voltou a afirmar que «actualmente, as taxas de juro nominais e reais estão em níveis historicamente baixos», sugerindo assim que a autoridade monetária está preparada para voltar a subir os juros.
Algumas das principais casas de investimento afirmam que a autoridade monetária da Zona Euro deverá subir a taxa directora em 25 pontos base já no mês de Maio devendo terminar o ano nos 3,25%, ou mesmo nos 3,5% como afirmou na semana passada a JP Morgan.
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