Subida do euro pode adiar novos aumentos nos juros
Os membros do conselho de governadores do Banco Central Europeu realizam hoje a sua reunião mensal para definir o nível de juros na Zona Euro. Ninguém espera que a autoridade monetária aumente o custo do dinheiro, que actualmente se encontra nos 2,5%. Aliás, os especialistas acreditam que a subida do euro vai permitir o adiamento de novos aumentos nos juros.
A divisa europeia já acumula um ganho de 6,65% desde o início do ano face ao dólar e, na opinião dos analistas, este aumento dá margem de manobra ao Banco Central Europeu para adiar novos aumentos nos juros directores da Zona Euro.
O "rally" registado pelo euro em 2006 equivale praticamente a uma subida de um quarto de ponto percentual nas taxas de juro de referência, defende o Barclays Capital, o que deverá levar as autoridades monetárias europeias a darem, na reunião de hoje, sinais de que vão adiar o aumento do custo do dinheiro.
Actualmente, os economistas estimam que o BCE mantenha, na reunião de hoje dos membros do conselho de governadores, os juros inalterados nos 2,5%. Até ao final de 2006 devem chegar aos 3%. Por seu lado, os investidores estão a descontar que as autoridades monetárias europeias aumentem o custo do dinheiro em Junho e que os juros terminem o ano nos 3,25%, a julgar pelo comportamento dos futuros sobre a Euribor a três meses.
Os especialistas da UBS também consideram que ainda é cedo para novos aumentos das taxas de juro, uma vez que a Europa dos 12 ainda se encontra numa fase inicial de retoma económica. Ainda assim, a confiança dos consumidores e dos empresários da Zona Euro encontra-se já no nível mais elevado dos últimos cinco anos.
A circulação da massa monetária (que serve de indicador ao BCE sobre o comportamento futuro da inflação) acelerou em Abril ao ritmo mais elevado desde 2003. Os últimos dados disponíveis mostram que a inflação também aumentou mais do que o esperado em Abril, mês em que o petróleo fixou o valor mais elevado de sempre, ao tocar, no mercado nova-iorquino, nos 75,35 dólares por barril.
Para os especialistas destas duas casas de investimento, o comportamento do euro no mercado cambial acaba, naturalmente, por garantir o controlo das pressões inflacionistas, ao tornar as importações mais baratas (em particular do petróleo) e as exportações mais caras. Como consequência desta escalada da divisa, poderemos assistir também a um abrandamento económico, afirmam os especialistas.
A Goldman Sachs também está convencida de que o BCE não irá para já subir o custo do dinheiro e, por isso, está a recomendar aos seus clientes a venda de euros e a aquisição de ienes, a divisa japonesa. "O potencial de subida do iene é claramente mais elevado do que o do euro", adiantou à agência Bloomberg Jens Nordvig, analista cambial da Goldman Sachs.
O mesmo especialista acredita que as autoridades monetárias vão aliar a um menor número de aumentos dos juros directores uma "intervenção verbal", que na sua opinião será suficiente para orientar o comportamento dos investidores, uma herança deixada pelo ex-presidente da Reserva Federal dos Estados Unidos, Alan Greenspan.
A Société Générale considera que o responsável máximo do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, poderá mesmo surpreender o mercado com o anúncio de que não irá aumentar os juros em Junho, segundo a Bloomberg.
Na segunda-feira, o euro fixou o valor mais elevado dos últimos 11 meses contra a divisa norte-americana, ao tocar nos 1,2690 dólares. Hoje seguia nos 1,2590 dólares.
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