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Mercados => Fórum de Bolsa => Tópico começado por: notiCIas em Junho 08, 2006, 09:31

Título: BCE sobe hoje os juros
Mensagem de: notiCIas em Junho 08, 2006, 09:31
O Banco Central Europeu deverá confirmar hoje a expectativa de um novo aumento das taxas de juro na Zona Euro que tem vindo a ser incorporada pelo mercado. A maioria dos especialistas aponta para uma subida de 25 pontos base, mas há quem acredite numa maior agressividade do BCE, como forma de manter a inflação sob controlo. Mas mais do que a decisão, espera-se pelo tom do discurso. Enquanto isso, o mercado de capitais e os consumidores mostram algum nervosismo.

O Conselho de governadores do Banco Central Europeu reúne-se hoje em Madrid para definir o nível dos juros na Zona Euro e a expectativa geral é a de que irá anunciar o terceiro aumento desde que iniciou o ciclo de subida do custo de endividamento, em Dezembro do ano passado.

Os economistas contactados pelo Jornal de Negócios são unânimes: o aumento será de 25 pontos base, o que, a confirmar-se, eleva para 2,75% os custos de endividamento. No entanto, esta expectativa dos especialistas portugueses, embora seja a dominante em termos internacionais, não é consensual. Há quem acredite que o presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, será mais agressivo na contracção monetária e altere o padrão que tem seguido até agora, subindo 50 pontos base. Os defensores desta tese sustentam a sua convicção no facto de estarem a aumentar os receios em torno da formação de pressões inflacionistas, dada a forte aceleração da massa monetária na Zona Euro e dos elevados montantes de crédito concedidos à economia. A melhoria do crescimento económico confere, na opinião destes especialistas, às autoridades monetárias europeias mais margem de manobra para um aumento mais expressivo dos juros.

Os especialistas portugueses consideram que um aumento de 50 pontos base nesta fase seria excessivo, embora «se seguíssemos à letra o manual do BCE, haveria condições para um aumento desta dimensão, uma vez que as expectativas de inflação estão a aumentar e os agregados monetários estão a evoluir a um ritmo de crescimento muito acima do que seria desejável», explica Rui Constantino, economista-chefe do Santander. Para Carlos Andrade, economista-chefe do BES, um aumento de 50 pontos base, «poderia introduzir mais incerteza nos mercados, algo que não é muito positivo na actual conjuntura», em particular, porque «já estão bastante nervosos em relação à evolução dos juros».

Atenções redobradas

A reunião de hoje assume uma particular importância por ajudar a clarificar a posição do BCE quanto ao ritmo que pretende impor na retirada da política acomodatícia e por se esperar que dê novas indicações quanto às perspectivas de crescimento económico e da inflação.

Carlos Andrade admite que «as autoridades monetárias mostrem uma expectativa de abrandamento da actividade económica e um aumento da inflação para 2007,». Este cenário não altera contudo as estimativas do BES, que continua a acreditar numa subida gradual dos juros, com acréscimos de 25 pontos base no final de cada trimestre, terminando 2006 nos 3,25%.

Teresa Gil Pinheiro, economista do BPI, partilha da mesma opinião, mas admite que o BCE possa colocar os juros nos 3,5%, logo no início de 2007. Quanto ao discurso de hoje, o BPI espera uma confirmação de um «maior optimismo face ao crescimento, uma vez que já se observam melhorias no mercado de trabalho, o que tem efeitos positivos ao nível do consumo, uma das variáveis que tem mostrado maior resistência na recuperação».

Juros podem chegar aos 3,75% em 2007

As autoridades monetárias procederam a um conjunto de alterações metodológicas desde as previsões económicas e da inflação em Março, o que tem, logo à partida, impacto nos números a apresentar, lembra Rui Constantino. As estimativas de Março apontavam para um crescimento económico de 2,1% este ano e de 2,2% em 2007 e uma inflação acima do limite de 2%. Para o especialista do Santander «se, mesmo com as alterações metodológicas, se verificar que a inflação média para o próximo ano é de 2,2%, então os juros de 3,25% esperados para o final deste ano poderão ser insuficientes para manter a inflação sob controlo, o que poderá levar o custo de endividamento aos 3,75% no próximo ano.

Teresa Gil Pinheiro considera que «existe alguma incerteza» em relação à evolução económica da Zona Euro no próximo ano. «Os dados deste ano reflectem dois factores, relacionados com a economia alemã, que têm um carácter excepcional: o Mundial de Futebol e o anunciado aumento do IVA para o início do próximo ano, que pode estar a levar os consumidores a antecipar despesas». Perante estes dois factores, resta saber se a economia da Zona Euro se irá ressentir no próximo ano. A economista considera que os juros não deverão ir muito além dos 3,5% em 2007.

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