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Mercados => Fórum de Bolsa => Tópico começado por: zimermann em Dezembro 12, 2008, 15:01

Título: Bolha dos Títulos do Tesouro americano...?!?!?!
Mensagem de: zimermann em Dezembro 12, 2008, 15:01


Juro zero e abaixo de zero. Nos EUA .

A conversa sobre nova bolha na praça voltou a ganhar força _a bolha dos títulos do Tesouro americano. O mundo correu para comprar títulos americanos durante esta grande epidemia de aversão ao risco.

Na semana do grande pânico de setembro, os títulos de três meses chegaram a render quase zero _o grande investidor do planeta preferia deixar o dinheiro nesse "colchão", com rendimento real aliás negativo. Foi um espanto.

Nesta semana, foram de fato a zero, e notas ("bills") chegaram a ser compradas com rendimento nominal negativo (quanto maior a procura pelos títulos, maior o seu preço; como são vendidos com desconto, quanto maior o preço, menor o desconto e, pois, o rendimento efetivo). Na terça-feira, o governo americano tomou US$ 30 bilhões em títulos de curto prazo (quatro semanas), com taxa zero. A procura foi mais de três vezes a oferta do governo.

Literalmente, estão guardando dinheiro no colchão em vez de comprar ações, títulos de empresas ou qualquer outra coisa (abaixo, segue uma tabela com o rendimento dos títulos do Tesouro dos EUA em dezembro e por volta do dia 11 de cada mês passado deste ano).

Qual o rumor da "bolha"? Grosso modo e muito resumidamente, se começar uma fuga em massa de tais papéis, seu preço diminuiria rapidamente, derrubando o valor dos ativos de muita gente. Ninguém vê muita possibilidade de isso acontecer, mas o risco aventado é esse. Enfim, para onde iria o dinheiro? Para Marte?

O dólar também começou a perder valor, depois de chegar ao pico, faz pouco mais dois meses. A fuga do risco e a necessidade de liquidar operações em dólar provocou a alta da moeda americana. Desde julho, o dólar se valorizou 23% em relação a uma cesta de moedas (ponderada pelo peso que têm no comércio dos EUA). Desde o pico, perdeu quase 5%. Talvez pudesse se tratar de uma queda na aversão a risco. Mas o preço dos títulos americanos parece negar a hipótese. Ou, então, existiria já um medo de deflação, outro rumor exagerado (mas também parecia exagero quando se dizia, em julho do ano passado, que ocorreria um grande "credit crunch", com paralisia geral do crédito no centro do mundo, como de fato acabou acontecendo).

As estimativas cada vez piores para a economia americana não ajudam, decerto, embora não exista grande economia com perspectivas ao menos razoáveis, afora a China, que no entanto fica em outro planeta financeiro.

As previsões para o PIB deste quatro trimestre nos EUA estão entre declínio de 5% a 6,5% (em termos anualizados), tão ruim como na recessão do início dos anos 80. Para o primeiro trimestre de 2009, a previsão por ora mais comum anda em torno de queda de 4%.


http://blogdovinicius.folha.blog.uol.com.br/arch2008-12-07_2008-12-13.html#2008_12-11_23_22_54-133507641-0


Escrito por Vinicius Torres Freire (Folha de São Paulo- às 23h22 de 11/12/2008)
Título: Re: Bolha dos Títulos do Tesouro americano...?!?!?!
Mensagem de: zimermann em Dezembro 12, 2008, 17:02
Próxima bolha pode estar no mercado de títulos dos EUA, afirmam analistas

Por: Equipe InfoMoney
12/12/08 - 13h20
InfoMoney

SÃO PAULO - A forte demanda pelos títulos do Tesouro norte-americano durante as últimas semanas tem colocado por terra a sua rentabilidade, em alguns casos até abaixo de zero, levando analistas a alertarem para um possível bolha no mercado desses ativos.

Alguns fatos relacionados ao mercado de dívida do governo nos EUA, que movimenta cerca de US$ 5,3 trilhões, que há pouco tempo pareceriam improváveis, pelo menos de um ponto de vista histórico, se tornaram realidade durante esta última semana.

Os investidores assustados pela grande turbulência e volatilidade dos mercados financeiros pelo mundo desenvolveram uma forte aversão ao risco, criando o movimento denominado de "flight do quality" (fuga para a segurança).

Ações caem, Treasuries sobem
Adotando essa estratégia, os investidores liquidam suas aplicações de maior risco, como aquelas relacionadas à renda variável principalmente em países emergentes, e migram para títulos que oferecem mais segurança, apesar de sua menor rentabilidade.

Esse movimento configura uma das relações negativas entre os ativos de maior risco, como ações, e aqueles de menor, como os Treasuries. Simplificando, pela prática, quando as ações caem, os Treasuries ganham popularidade, e vice-versa.

Juro irrisório
Como prova dessa aversão, na terça-feira (9) a procura pelos títulos de dívida de quatro semanas foi tamanha que os investidores chegaram a cobrar quase zero de juro ao Tesouro, chegando ao patamar mínimo de 0,015%.

Nesse mesmo dia em que a taxa para os títulos de três meses se tornaram negativas pela primeira vez desde o início de sua emissão, em 1929, enquanto que os rendimentos para aqueles de 2, 10 e 30 anos caíram para pisos históricos.

Investimento ou prejuízo?
Desde setembro deste ano, os bônus de trinta anos tiveram retorno de 23,6%, incluindo os juros reinvestidos, representando o maior nível desde 1995, quando o rendimento desses ativos chegou a 34,1%. Na média, os papéis de emissão do governo tiveram um rendimento de 11,9% em 2008, enquanto o índice S&P 500 amargou uma queda de 39% no mesmo período.

Demanda quatro vezes superior
Apesar de essas cifras representarem pouca ou nenhuma atratividade quando comparado ao rendimento do mercado durante os últimos anos, e principalmente até a metade deste, a procura por esses ativos tem sido quatro vezes superior à quantidade leiloada durante essa semana. "Há um apetite insaciável por esses títulos", afirmou o Tesouro norte-americano.

Em entrevista à Bloomberg Television, Bill Gross, co-diretor de investimentos da Pacific Investment Managemet, que supervisiona o maior fundo de bônus do mundo disse: "os títulos do Tesouro têm certas características de bolha, certamente a nota do Tesouro tem. Uma nota sem remuneração está superestimada", alertou ele, evidenciando a possibilidade da formação de uma nova bolha no mercado.