Médio Oriente: as razões do conflito que está a fazer «disparar» as cotações do petróleo
A recente escalada da tensão no Médio Oriente, devido ao conflito entre Israel e o Líbano e ao qual o Irão se está a associar, está a levar o petróleo a fixar novos máximos históricos, acima dos 78 dólares por barril.
A região do Médio Oriente é responsável por cerca de 30% de todo o petróleo produzido no mundo e está a causar grandes receios nos mercados.
O conflito entre aqueles dois países começou quando os militantes do grupo fundamentalista islâmico do Hezbollah lançaram um ataque contra militares israelitas junto à fronteira com o Líbano, fazendo três mortos, e sequestrando dois soldados.
Israel reagiu de imediato ao ataque do Hezbollah, numa tentativa de impedir que os dois reféns fossem levados para fora do Líbano, para Damasco (Síria) ou Teerão (Irão), apoiantes do Hezbollah.
As forças israelitas entraram no Líbano, efectuando bombardeamentos a várias pontes, ao aeroporto de Beirute e ainda a centrais eléctricas, um ataque classificado de exagerado por várias instituições mundiais, uma vez que destas investidas resultou a morte de 55 civis e ferimentos graves a mais 160 pessoas.
Como forma de retaliação, o grupo fundamentalista islâmico Hezbollah disparou cerca de 130 «rockets» contra Israel nas últimas 48 horas, incluindo um que atingiu Haifa, a terceira maior cidade israelita, ao final do dia de ontem.
Esta foi a primeira vez que a cidade de Haifa foi atingida por «rockets» do Hezbollah que, normalmente, apenas alcançavam cidades ou localidades mais perto da fronteira.
A resposta do Irão
A situação levou já o presidente do Irão, Mahmoud Ahmadinejad a lançar um aviso a Israel para que não efectue qualquer acção contra Síria, país para onde os israelitas acreditam que os soldados raptados poderão ter sido levados.
Segundo a Agence France-Presse, o líder iraniano afirmou que uma eventual investida sobre a Síria «será o mesmo que um ataque a todo o mundo islâmico».
Com este aviso, Ahmadinejad pretendeu dar a entender que se poderá vir a envolver no conflito. Caso tal aconteça, o Irão poderá vir a retaliar com o bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde são transportados quase um terço do petróleo de todo o mundo, embargando igualmente as suas próprias exportações.
O Irão é o quarto maior produtor de petróleo do mundo, e o segundo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). Aquele estado islâmico tem sido responsável pelos elevados preços do petróleo nos últimos tempos, devido ao diferendo com a comunidade internacional acerca do seu programa de energia nuclear.
Ontem Mahmoud Ahmadinejad voltou a ameaçar terminar a cooperação com as entidades internacionais que estão a monitorizar as actividades do programa nuclear iraniano. No entanto, o presidente do Irão reafirmou que pretende resolver a questão de forma «calma» e garantiu que irá responder à proposta apresentada pela União Europeia a meio de Agosto.
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