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Mercados => Fórum de Bolsa => Tópico começado por: tiagodandre em Janeiro 23, 2009, 17:07

Título: Qimonda abre processo de falência
Mensagem de: tiagodandre em Janeiro 23, 2009, 17:07
A agonia já era grande demais... ::)

Qimonda petitions for the opening of insolvency proceedings
http://www.qimonda.com/about/press/releases/01_2009_Insolvency_e.html?query=


Dr. Michael Jaffé appointed as preliminary insolvency administrator for Qimonda
http://www.qimonda.com/about/press/releases/01_2009_Insolvency_administrator_e.html?query=


(Actualidade):


Publicado 23 Janeiro 2009  09:16
Acções afundam mais de 60%
Qimonda abre processo de falência


A Qimonda abriu hoje processo de falência no tribunal de Munique, noticia a agência Bloomberg. A notícia foi avançada pelo porta-voz do tribunal e já levou as acções da empresa a perderem mais de 65%.

De acordo com a agência noticiosa norte-americana, a Qimonda entrou hoje em processo de falência. O processo foi entregue no tribunal de Munique, de acordo com o porta-voz do tribunal.

As acções já caíram mais de 65% e seguem agora a recuar 60,20% para os 0,08 euros.

Além da fábrica principal em Dresden, a Infineon tem esta fábrica de Vila do Conde onde emprega cerca de duas mil pessoas.

Na semana passada, o ministro da Economia Manuel Pinho garantiu que o Estado português ainda não tinha dado qualquer empréstimo à empresa. Estava previsto a Caixa Geral de Depósitos emprestar 100 milhões de euros à empresa.

O Estado alemão emprestou 325 milhões de euros à Infineon no passado mês de Dezembro para evitar o colapso da empresa.




DJ Alemanha/Min Econ: Qimonda Não Mostrou Modelo Negócio Viável

BERLIM (DJ Bolsa)- A Qimonda (QI), que avançou com o processo de falência junto de um tribunal de Munique, não foi capaz de apresentar um modelo de negócio sustentável e os bancos recusaram assumir os riscos, disse o porta-voz do ministro da Economia da Alemanha esta sexta-feira.

A Qimonda sofreu o impacto da forte queda dos preços na indústria de DRAM e da queda dramática do acesso ao financiamento nos mercados de capital.

Um plano de ajuda envolvendo o Free State of Saxony, a empresa-mãe Infineon Technologies AG (IFX), e várias instituições financeiras - incluindo os bancos portugueses Caixa Geral de Depósitos, o Banco Espírito Santo (BES.LB) e o Millennium BCP (BCP.LB) não foram concluídos a tempo, disse a Qimonda.

Site das Empresas: www.bmwi.de; www.qimonda.com
Produzido para a Dow Jones Newswires pela Webtexto (+351 21 340 45 68) (BLC)
January 23, 2009 06:32 ET (11:32 GMT)



sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009 | 11:48  Imprimir  Enviar por Email     

Qimonda: Falência visa fazer reestruturação

O presidente executivo da Qimonda, Kin Wah Loh, afirmou hoje que o pedido de insolvência da empresa visa fazer regressar a produtora de chips de memória a uma situação sólida, acelerando o processo de reestruturação.
«Esperamos continuar os nossos negócios com o apoio de um administrador provisório de insolvências», disse Kin Wah Loh à imprensa internacional, defendendo a reestruturação para « fazer regressar a empresa a alicerces sólidos».

O tribunal anunciou já o nome de Michael Faffe como administrador insolvências, segundo a imprensa alemâ.

A Qimonda, o maior exportador português, cuja unidade em Portugal tem sede em Vila do Conde, entrou hoje em processo de falência, não tendo conseguido completar a tempo o processo de levantamento dos 325 milhões de euros necessário para o seu salvamento.

Neste processo de financiamento iriam participar bancos portugueses, para além de um empréstimo de 150 milhões de euros por parte do Estado alemão da Saxónia e um empréstimo de 75 milhões de euros da Infeon, maior accionista da Qimonda.

A Infineon admitiu recentemente que a entrada em falência da Qimonda obrigaria a devolver subsídios estatais no valor de 280 milhões de euros.

Um porta-voz do Tribunal Administrativo de Munique tribunal confirmou hoje à agência Lusa que «o requerimento deu entrada, e a cabe agora ao juiz competente», decidir.

A Qimonda emprega cerca de 12 mil trabalhadores em todo o mundo, dos quais 1200 na fábrica de semi-condutores de Vila do Conde, 3200 na fábrica principal, em Dresden (Saxónia), e 1400 na sede em Munique.

Na quinnta-feira surgiram notícias de que a Qimonda tinha comunicado às entidades oficiais com quem estava a negociar que necessitava de um financiamento de mais 300 milhões de Euros para sobreviver.

Na edição de hoje, o jornal alemão Frankfurter Allgemeine ainda colocava a hipótese de o Estado alemão ou o goerno regional da Saxónia e Portugal ainda salvarem a Qimonda no último minuto.

O matutino referia também que a União Europeia estaria disposta a aceitar um maior financiamento do Estado à Qimonda, porque o presidente da Comissão, Durão Barroso, tinha «grande interesse» em salvar a Qimonda, por esta ser o maior exportador do seu país.

No entanto, um porta-voz da Qimonda confirmou hoje, em Munique, a entrega do requerimento de falência em tribunal, adiantando que a empresa está a tentar sanear «partes essenciais da sua estrutura», no quadro da insolvência.

Segundo os responsáveis da Qimonda, a falência deve-se à enorme queda de preços na indústria de DRAM, e ainda ao agravamento das condições para obter emp´restimos no mercado de capitais, devido à crise financeira internacional.

O plano de salvação concebido pela saxónia, por Portugal e pela Infineon «não foi concluído a tempo, apesar das intensas, mas complexas negociações, bem como aos apoios financeiros garantidos por clientes nos últimos dias e semanas», afirma-se em comunicado da Qimonda.

Além disso, constatou-se que havia uma maior necessidade de financiamentos, causada pelo adiamento das negociações, os consequente atraso nos investimentos e na melhoria da produção e a queda de preços no último trimestre de 2008«, refere ainda o comunicado.

Diário Digital / Lusa



Publicado 23 Janeiro 2009  11:55
Retrato maior exportadora portuguesa
Qimonda Portugal absorveu investimento de 700 milhões em 10 anos


É a maior exportadora portuguesa, tendo ultrapassado vendas de 1,4 mil milhões de euros no exercício de 2007. Na fábrica de Vila do Conde, onde foram investidos 700 milhões de euros nos últimos 10 anos, emprega cerca de duas mil pessoas. Veja aqui um retrato da Quimonda Portugal, filial da empresa que entrou hoje com um pedido de falência.

A fábrica de Vila do Conde é a principal responsável pela reconversão tecnológica operada na região Norte, respondendo por três quartos das exportações nacionais de produtos de alta tecnologia.

Depois de um investimento acumulado da ordem dos 700 milhões de euros em cerca de 10 anos, ainda há poucos meses se tinha comprometido a investir, no seu perímetro industrial, mais cerca de 100 milhões de euros na área das energias renováveis, com a construção de uma fábrica de produção de células solares a partir de silício, no quadro de uma "joint venture" com o também alemão grupo CentroSolar.

Agora insolvente, envolvida no processo de falência da casa-mãe, em Vila do Conde mora a maior fábrica europeia de montagem e teste de produtos de memórias, produzindo semi-condutores, nomeadamente memórias DRAM ("chips") para computadores, servidores e outros terminais digitais, como leitores de MP3, telemóveis, câmaras fotográficas digitais e consolas de jogos, entre outros.

Responsável pela produção dos chamados produtos "high end", isto é, componentes de maior valor acrescentado, concentra ainda nesta unidade industrial três centros de investigação e desenvolvimento (I&D) e o centro europeu de contabilidade de todo o grupo Infineon Technologies, num total superior a meia centena de empresas.

Em termos de capital humano, dos cerca de dois mil trabalhadores, mais de três centenas e meia têm estudos superiores e os restantes têm maioritariamente 12 anos de escolaridade.

Tudo isto é a Qimonda, tudo isto é aquilo que representa para Portugal. E é tudo isto que está em processo de falência.



Publicado 23 Janeiro 2009  12:14
Acções afundam 65%
Qimonda avaliada em 30 milhões após anunciar insolvência


As acções da Qimonda estão a reagir em forte queda ao anúncio da abertura do processo de insolvência, entregue no tribunal de Munique, na Alemanha. Já afundaram um máximo de 65%, o que deixa uma das maiores fabricantes de semicondutores e "chips" informáticos avaliada em pouco mais de 30 milhões de euros.

Há pouco mais de dois anos e meio, de acordo com dados da Bloomberg, a empresa estava avaliada em cerca de 3,7 mil milhões de euros, com as acções a negociarem em valores próximos dos 11 euros. Hoje, cada acção da Qimonda, negociada na Alemanha, apresenta um valor de 0,088 euros.

Os títulos estão a desvalorizar 56,22%, tendo recuado um máximo de 65,17% durante a sessão, isto no dia em que foi revelado que a fabricante, controlada pela Infineon, abriu um processo de insolvência, dado que "apesar das complexas e intensas negociações", a Qimonda não conseguiu obter o "pacote de financiamento" anunciado.

"O pacote de financiamento que envolve o Estado da Saxónia, a empresa da Infineon, uma instituição financeira líder em Portugal e outros bancos não foi concluída a tempo, apesar das intensas mas complexas negociações", refere o processo de insolvência entregue hoje pela empresa no tribunal de Munique, citado pela Bloomberg.

No final de Dezembro foi "desenhado" um plano de salvamento da Qimonda. Estava prevista a concessão de empréstimos por parte da Caixa Geral de Depósitos (CGD), da Alemanha e da Infineon, a "casa-mãe". O anúncio levou as acções da Infineon a registar a maior valorização deste a oferta pública inicial (IPO), em 2000. A Qimonda disparou 22%.

Desde então, as acções da Qimonda regressaram às fortes quedas, com os investidores duvidosos quanto à ajuda prometida. Dias depois do anúncio do pacote de salvamento, o governador do Estado da Saxónia, Stanislav Tillich, alertava para o facto do viabilidade da fabricante de componentes informáticos não estar garantido.

Hoje, as dúvidas confirmaram-se. A Qimonda, um dos maiores produtores mundiais de semicondutores e chips, é o maior exportador português e dá emprego directo a cerca de duas mil pessoas na unidade de produção de Vila do Conde, não recebeu as ajudas a tempo e declarou insolvência. Estão milhares de postos de trabalho em risco. Só em Dresdner, na Alemanha, serão dispensados 3.000 funcionários.



Publicado 23 Janeiro 2009  13:50
José Sócrates
"O Governo tudo fará para salvar a Qimonda"


José Sócrates diz que não foi possível chegar a um acordo com as partes envolvidas no processo de ajuda à Qimonda mas que, a partir de agora, o Governo "tudo fará para salvar" a empresa.

"Acompanhámos a situação da Qimonda com muito detalhe e oferecemo-nos" para participar no esforço que estava a ser feito para a salvar", sublinhou o primeiro-ministro, em directo para a RTP.

No entanto, o representante do Governo "esteve ontem reunido com a empresa alemã e, depois de várias horas de reunião não foi possível chegar a esse acordo", explicou.

Assim, "a partir de agora estamos empenhados em garantir a actividade da fábrica em Portugal", sublinhou o responsável, assegurando que "o Governo tudo fará para salvar a Qimonda".



Publicado 23 Janeiro 2009  14:46
Governo percebeu que Qimonda ia falir na terça-feira à noite

O Governo começou a ter a percepção de que seria muito difícl chegar a um acordo para a viabilização da Qimonda alemã na terça-feira à noite, apurou o Negócios junto de fonte governamental.

José Sócrates disse hoje que o Governo português se ofereceu para participar "neste esforço para tentar viabilizar a Qimonda, nomeadamente com empréstimos através de um consórcio de bancos portugueses".

"Tudo vamos fazer para manter a actividade da empresa em Vila do Conde", disse o primeiro-ministro acrescentando que "esta é uma situação preocupante porque a Qimonda é o maior exportador nacional".

O Negócios apurou, junto de fonte governamental, que desde terça-feira à noite o Governo começou a ter a percepção de que seria muito dificil chegar a um acordo para a viabilização da Qimonda alemã tendo começado logo em contactos internos para preparar uma solução autónoma para a fábrica de Vila do Conde.



Publicado 23 Janeiro 2009  15:37
Comunicado da empresa
"Ainda não é possível determinar as consequências do actual cenário para a Qimonda Portugal"


A administração da Qimonda Portugal afirma, em comunicado, que "perante a complexidade de toda esta situação", resultado da declaração de insolvência do grupo alemão, "ainda não é possível determinar as consequência do actual cenário para a Qimonda Portugal".

"A administração da Qimonda Portugal vem por este meio confirmar que, conforme anunciado hoje pela Qimonda AG (Alemanha), foi solicitado junto dasautoridades oficiais na Alemanha a declaração de insolvência da Qimonda AG e Qimonda Dresden OHG, com o objectivo de manutenção da actividade ao abrigo de um programa de protecção dos credores", começa por referir a empresa, em comunicado enviado há minutos para o Negócios.

"Esta decisão foi tomada dado não ter sido possível concretizar em tempo útil um conjunto de empréstimos junto de instituições financeiras, que estava a ser negociado na Alemanha, com apoios governamentais. Esta operação que foi anunciada em Dezembro último envolvia, entre outros, um Banco português. Além disso, no decurso das negociações a Qimonda Portugal contou sempre com o apoio determinado do Governo português para encontrar uma solução de forma a preservar os interesses nacionais, em particular o emprego", lê-se no documento.

"Neste momento", continua, "estão a ser avaliadas as implicações da decisão tomada na Alemanha e o seu impacto na unidade de Vila do Conde, dado que a Qimonda AG (Alemanha) é seu fornecedor de matéria-prima e o seu único cliente. É também o seu único accionista, através de uma participada (Qimonda Holding BV)", sublinha a administração da subsidiária portuguesa do grupo. Conclui assim que, "perante a complexidade da toda esta situação, ainda não é possível determinar as consequências do actual cenário para a Qimonda Portugal".

A empresa relembra que "a situação financeira da Qimonda AG é resultado das enormes dificuldades vividas nos dois últimos anos pela indústria de

semicondutores DRAM". Acrescenta que "registaram-se quedas de preço superiores a 85%, o que se traduziu em grandes prejuízos para todas as empresas no mercado de memórias DRAM, prejuízos esses que foram ainda amplificados com a presente recessão económica mundial", sublinha.

"A Qimonda AG (Alemanha) acredita que durante o processo de insolvência será capaz de reorganizar a empresa e o negócio, com o apoio dos seus colaboradores e do administrador temporário encarregado do processo. De resto, a empresa conta com um portfolio muito forte de produtos, mais de 20 mil patentes e, especialmente, a liderança na tecnologia inovadora denominada Buried Wordline, que permitirá seguramente obter vantagens competitivas", enfatiza.

A administração da unidade de Vila do Conde, remata o comunicado, "reafirma uma vez mais que tudo fará para proteger o emprego e manter as actividades no País".
Título: Re: Qimonda abre processo de falência
Mensagem de: tiagodandre em Janeiro 23, 2009, 17:35
Não se pode dizer que as coisas aconteceram do dia para a noite...2007 já tinha sido um ano muito mau...

Olhando para alguns dos dados em anexo, é fácil perceber o porquê da Qimonda não ter viabilidade...e não eram os 100 milhões do consórcio português que iriam fazer a diferença...os prejuízos acumulados nestes dois últimos anos são brutais.


Cump.
Título: Re: Qimonda abre processo de falência
Mensagem de: tiagodandre em Janeiro 30, 2009, 13:14
(Actualização de notícias):


Publicado 29 Janeiro 2009  00:01
Semicondutores
Só um novo investidor pode salvar a Qimonda


Não há volta a dar. Apesar de o Governo do Estado alemão da Saxónia, onde está sediada a Qimonda, ter anteontem manifestado que "está pronto a ajudar [o grupo] na medida das suas possibilidades", parece certo que a empresa só poderá ser salva da falência caso seja comprada por um ou mais investidores.

"Falei hoje [ontem] com o administrador de insolvência, Michael Jaffé, que garantiu que a Qimonda fecha caso não seja encontrado um investidor até ao final de Março próximo", adiantou ao Negócios Ulrich Wolf, editor de Economia do "Säschsische Zeitung", conhecido diário de Dresden.

Ao mesmo jornalista alemão, que tem vindo a colaborar com o Negócios desde que a Qimonda foi declarada insolvente, Michael Jaffé revelou que estará em Portugal nas próximas segunda e terça-feira para conversar com o Governo português, a administração e os trabalhadores da fábrica de Vila do Conde.



Publicado 29 Janeiro 2009  18:37
Qimonda Portugal pára produção durante quatro dias

A Qimonda Portugal vai estar parada este fim-de-semana, informou a administração da empresa, sublinhando que isto não terá "qualquer prejuízo para os colaboradores".

Em comunicado, a administração da empresa de Vila do Conde, com 1.700 trabalhadores, adianta que "tendo em conta a declaração de insolvência da Qimonda AG – seu único fornecedor de matéria-prima e único cliente – e a profunda crise da indústria de semicondutores, que inviabiliza, de momento, a possibilidade de se manter em plena laboração, decidiu suspender a actividade de produção no período do fim-de-semana do dia 30 de Janeiro ao dia 2 de Fevereiro, sem qualquer prejuízo para os colaboradores, nomeadamente ao nível da sua retribuição".

A administração da Qimonda Portugal refere ainda que esta decisão visa exclusivamente ajustar a produção à realidade actual. E em jeito de conclusão, aproveita para agradecer ao Governo português "o empenho determinado na procura de soluções que preservem os interesses nacionais".

No dia 2 de Fevereiro, segunda-feira, a Qimonda estará parada quando receber o administrador de insolvência. Michael Jaffé estará em Portugal nas próximas segunda e terça-feira para conversar com o Governo Português, a administração e os trabalhadores da unidade de Vila do Conde.

Michael Jaffé já disse que apesar da boa vontade dos governos da Saxónia e português em ajudar a Qimonda, a empresa de semicondutores só poderá ser salva caso se encontre um investidor até ao final de Março próximo.



Qimonda tem um mês para encontrar comprador
Económico
30/01/09 10:37

A maior exportadora portuguesa tem um mês para encontrar um comprador que possa evitar a sua falência, disse uma fonte próxima do processo ao "Financial Times".

A empresa alemã de 'chips', que tem uma fábrica em Vila do Conde, tem quatro semanas para encontrar um investidor que possa evitar a sua falência e o despedimento dos seus 12 mil colaboradores.

Empresas concorrentes mostraram "os primeiros sinais de interesse" na Qimonda, a quarta maior fabricante de memórias para computadores, que declarou falência há uma semana, depois de não ter conseguido obter um financiamento adicional de 300 milhões de euros.

"Estão à procura de investidores, o que não deve ser difícil de encontrar", disse a mesma fonte ao "Financial Times".

Em finais de Dezembro, a empresa conseguiu obter ajudas de 325 milhões de euros, 150 milhões do Estado federado da Saxónia, 100 milhões de Portugal, através de um consórcio de bancos, e 75 milhões do principal accionista, a Infineon. No entanto, a Qimonda nunca chegou a receber este dinheiro e, com o agravar da crise, passou a precisar de mais 300 milhões de euros
A fábrica da Qimonda em Portugal, em Vila do Conde, anunciou ontem que vai suspender a produção entre os dias 30 de Janeiro e 2 de Fevereiro.

"Tendo em conta a declaração de insolvência da Qimonda, o seu único fornecedor e cliente, e a profunda crise da indústria de semicondutores, [a empresa] decidiu suspender a actividade de produção no período do fim-de-semana do dia 30 de Janeiro ao dia 2 de Fevereiro", referiu em comunicado.



Publicado 30 Janeiro 2009  11:54
Gestor judicial vem a Portugal para confirmar empenho e explicar falência

O gestor judicial da Qimonda estará na segunda-feira em Portugal para "confirmar o empenho" do governo na salvação da empresa e "explicar a situação da falência" aos trabalhadores em Vila do Conde, disse hoje o respectivo porta-voz.

"Já sabemos que o governo português continua empenhado em salvar a Qimonda, e consideramos as conversações que vamos ter em Lisboa com os seus representantes um aspecto muito importante da nossa actividade", referiu Sebastian Brunner à Lusa.

No que se refere ao contacto com os trabalhadores, "o que pretendemos é explicar-lhes a situação decorrente da falência, como já fizemos na terça-feira em Dresden", adiantou.

Confrontado com a paragem da produção na Qimonda de Vila do Conde nos próximos três dias, o porta-voz lembrou que a actuação do gestor judicial, Michael Jaffé, está circunscrita às unidades da empresa na Alemanha.

"No entanto, temos perfeita consciência de que a manutenção da fábrica de Vila do Conde depende da continuidade da fábrica de Dresden, e da importância do apoio de Portugal a todo este processo", acrescentou Brunner.

No país de origem, a Qimonda emprega cera de 1400 trabalhadores na sede, em Munique, e 3200 na principal fábrica do grupo, em Dresden (Saxónia), que é simultaneamente o único fornecedor e cliente da fábrica portuguesa de Vila do Conde. Com quase 2000 mil trabalhadores, a maioria dos quais efectivos, a unidade de produção de Vila do Conde é o maior exportador português, responsável por cinco por cento do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

Brunner confirmou que "já há alguns interessados" na compra da Qimonda, embora ainda não há negociações concretas, "apenas primeiros contactos, cujos detalhes se escusou a revelar.

"De qualquer modo, continuamos a procurar mais interessados na aquisição da Qimonda", sublinhou o porta-voz.

Entretanto, "continuaremos a tentar manter a produção, e queremos resolver o problema o mais depressa possível, embora o prazo que temos para apresentar soluções vá até finais de Março", disse ainda Brunner.