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Mercados => Fórum de Bolsa => Tópico começado por: Get Rich Slowly em Abril 22, 2009, 23:56

Título: Analistas se dividem quanto ao futuro das bolsas
Mensagem de: Get Rich Slowly em Abril 22, 2009, 23:56
Olá  :)
Boa noite

Analistas se dividem quanto ao futuro das bolsas
E.S. Browning
The Wall Street Journal
APRIL 20, 2009, 12:06 A.M. ET

A Média Industrial Dow Jones já subiu 24% desde março, quando atingiu seu ponto mais baixo em vários anos, e com isso tanto investidores que apostam na continuidade da alta quanto aqueles que a consideram passageira apontam para o mesmo aspecto da economia: o sistema de crédito.

"O epicentro do medo é a ideia de que os bancos estão abarrotados de ativos tóxicos", diz James Paulsen, diretor de investimentos estratégicos do Wells Capital Management, a divisão de administração de recursos do banco Wells Fargo Management, que tem US$ 375 bilhões em carteira. Ele acredita que os títulos lastreados em hipotecas em poder dos bancos valem muito mais do que as pessoas pensam, e que "podemos ter uma recuperação em forma de V" na economia e no mercado de renda variável quando a confiança no sistema retornar.


George Feiger acha que isso é loucura.

"O núcleo do problema é o sistema de crédito, e esse sistema está severamente atingido", diz Feiger, que administra US$ 1,3 bilhão como diretor executivo da Contango Capital Advisors, uma subsidiária do Zions Bancorp. "Desfazer a bolha de crédito vai levar anos, não trimestres. Nós vemos a atual disparada das ações como uma oportunidade de venda."

Como é possível que investidores inteligentes e experientes tenham visões tão opostas quando olham para os mesmos dados? Vamos ouvir os otimistas primeiro.

Paulsen, do Wells Capital, espera que os consumidores americanos comecem a tomar empréstimos mais pesadamente usando suas casas como garantia, e prevê a recuperação econômica com o crescimento dos gastos das famílias e alta das exportações. Mesmo que os Estados Unidos não voltem a crescer como antes, diz ele, a melhora deve ser suficiente para tirar as bolsas dos níveis baixos em que estão.

Ele e outros ressaltam que, mesmo nos difíceis anos 30 e 70, as bolsas tiveram fortes altas, embora temporárias. A Média Dow, cujas oscilações quase sempre influenciam a Bovespa e outras bolsas ao redor do mundo, quase dobrou entre 9 de julho e 7 de setembro de 1932, e repetiu o mesmo comportamento no primeiro semestre de 1933, apesar de o sistema bancário continuar em crise. As ações caíram de novo mais tarde, mas não aos níveis de 1932. Historicamente, a Média Dow teve várias vezes recuperação forte depois de cair cerca de 50%, como aconteceu desta vez.

Na opinião dos otimistas, o sistema de crédito, irrigado por mais de US$ 1 trilhão em ajuda do governo, está se recuperando.

A demanda por refinanciamento de hipotecas floresceu nos EUA com a queda dos juros para esses empréstimos. Investidores estão comprando instrumentos de crédito mais arriscados. A diferença entre o rendimento dos títulos de alto risco e o dos títulos do Tesouro caiu, de acordo com índices da Merrill Lynch, embora ainda seja o dobro do que eram há um ano.

Os otimistas observam que os bancos, inclusive o J.P. Morgan Chase, o Goldman Sachs Group e o Citigroup, divulgaram lucro acima do esperado para o primeiro trimestre do ano. Os bancos podem emitir dívida de forma barata com o suporte do governo, o que ajuda a aumentar suas margens de intermediação financeira.

Os pessimistas estão usando os mesmos dados para dizer o contrário. Eles alegam que os lucros dos bancos se devem em parte ao apoio do governo, que reduziu a necessidade de baixas contábeis. Alguns dos empréstimos bancários recentes, acrescentam, aconteceram porque clientes em dificuldades foram obrigados a recorrer a suas linhas de crédito. E grandes bancos como o Citigroup e o Bank of America ainda estão se valendo de garantias do governo para vender títulos, um sinal de que os mercados de crédito continuam fraturados.

"Algumas pessoas dizem que as condições econômicas estão chegando ao fundo do poço. Ficarei realmente surpreso se esse for o caso", diz Steve Lehman, que ajuda a administrar um fundo mútuo de US$ 1,8 bilhão do Federated Investors. "Os bancos estão tecnicamente insolventes."

Ele teme que a proliferação de retomadas judiciais de imóveis, baixas contábeis de créditos, fundos de pensão com déficit atuarial e prejuízos de empresas de cartão de crédito ainda esteja longe do fim, o que pode bloquear o crescimento econômico e a recuperação do mercado acionário.

Em determinado ponto, diz Lehman, as bolsas provavelmente vão cair tanto que a relação entre as cotações e os lucros das empresas que integram os índices mais abrangentes, hoje ao redor de 13, vai cair para um dígito e lá ficar por um tempo. Isso aconteceu durante os principais fases de queda do passado mas ainda não aconteceu desta vez.

Um tal declínio pode colocar o índice Standard & Poor's de 500 ações abaixo de 600 pontos, diz ele, embora possa haver vários altos e baixos antes que isso aconteça. O S&P fechou a 869,60 sexta-feira.

"A maioria das pessoas com quem lido todos os dias quer voltar aos bons velhos tempos", acrescenta Feiger, da Contango. "Sinto que estou cercado de pessoas desesperadas para que a festa comece outra vez. Não creio que isso vá acontecer."