Com os mercados accionistas a transaccionar nos máximos dos últimos seis anos e a aproximarem-se dos máximos históricos, é de fazer um ponto de situação relativamente ao risco percepcionado pelos investidores. Para tal, fomos observar qual o comportamento de diversos indicadores (Índices de Volatilidade, Mercados Emergentes, Small Caps, Corporate Spreads e Sectores Cíclicos) e identificar eventuais sinais de alarme/inversão de tendência, que pudessem assinalar alguma mudança de comportamento.
Índices de Volatilidade. Este índices estão a níveis historicamente baixos, apresentando pouca vontade de recuperação. Tanto no gráfico de curto prazo como no de longo prazo, a tendência é descendente, revelando a baixa percepção de riscos. Esta tendência é mais forte nos EUA (utilizámos o VIX, que mede a volatilidade sobre o índice norte-americano S&P500 )...
...do que na Europa, onde se regista uma ténue recuperação no curto prazo (utilizámos o Índice VDAX que mede a volatilidade sobre o índice alemão Dax). No entanto, no longo prazo, os índices de volatilidade continuam a níveis historicamente baixos:
Mercados Emergentes. Para caracterizar os mercados emergentes utilizámos o índice MSCI da América Latina. Após alguns anos conturbados, alternando forte subidas (anos de 1991 e 1999) com fortes descidas (ano de 1998), os mercado emergentes iniciaram em 2003 uma forte subida face aos mercados desenvolvidos, a qual ainda não foi interrompida. Apesar de algumas correcções, reflectindo algum aumento do nervosismo, esta tendência positiva/outperformance mantém-se intacta, tal como se pode observar no gráfico de curto prazo.
Small/Caps. Desde o ano 2000 que as small caps têm vindo a fazer outperformance face às Big Caps nos EUA. No entanto, o início do ciclo de subida de taxas de juro nos EUA (em 2004) e o arrefecimento da taxa de crescimento da economia (soft landing) tiveram mais impacto sobre as Small do que sobre as Big Caps (explicável em parte pela menor internacionalização das pequenas empresas e como tal mais sujeitas ao próprio ciclo da economia), pelo que a subida perdeu alguma força, e apresenta alguma indefinição (como é observável no gráfico de curto prazo).
Corporate Spreads. Os Corporate Spreads (neste caso medido pelo prémio das emissões das empresas com rating BBB face ao Swap na Zona Euro) têm registado uma acentuada queda (observável tanto no curto como no longo prazo), reflectindo a maior procura dos investidores por dívida, a menor percepção dos riscos, a descida da taxa de defaults para mínimos históricos e o excesso de liquidez na economia mundial.
Sectores Cíclicos. Os Sectores Cíclicos mantêm a tendência positiva/outperformance iniciada no ano 2000. No entanto, o gráfico de longo prazo mostra o que poderá ser algum esgotamento da tendência.
A conclusão que se tira é que o mercado continua complacente face ao risco. Após quatro anos consecutivos de subida, os mercados accionistas iniciaram 2007 também em terreno positivo, não sendo tal acompanhado de uma subida dos riscos percepcionados.
Este cenário sugere que os investidores estão confiantes com a actual valorização dos mercados, não incorporando o receio de eventuais correcções. No entanto, o facto de alguns destes indicadores estarem em posições extremadas (perto de mínimos históricos ou perto de resistências) levanta algumas preocupações, embora o mercado esteja a conviver bem com essa situação.
João Flores
Millennium bcp investimento
Equity Research - Market Analysis
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http://www.millenniumbcp.pt/site/conteudos/02/article.jhtml?articleID=415928