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Re: BCP INFORMAÇÃO

Iniciado por anonimo111, Novembro 16, 2007, 20:51

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Fusão BPI/BCP

CMVM pediu esclarecimentos ao BCP sobre declarações de Pinhal

A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) pediu ao BCP que esclarecesse o mercado acerca das declarações proferidas hoje pelo presidente executivo do banco, Filipe Pinhal, disse à Lusa fonte da entidade reguladora e de supervisão.

"Foram pedidos ao BCP esclarecimentos sobre as declarações feitas pelo seu presidente executivo", afirmou à Lusa a fonte da Comissão, acrescentando que os referidos esclarecimentos terão de ser prestados ao mercado até antes da abertura da sessão de quinta-feira.

O presidente executivo do maior banco privado português admitiu hoje que "a qualquer momento pode surgir um acordo" no âmbito das negociações para a fusão com o BPI, sublinhando que se o BCP "não considerasse um acordo exequível não estaria a negociar".

As negociações "estão a correr muito bem, num clima óptimo de grande abertura e de vontade negocial", garantiu o presidente executivo do BCP em declarações aos jornalistas, à margem da conferência sobre microcrédito, a decorrer em Lisboa.

2007-11-21 - Tiago Figueiredo Silva

FONTE: Diário Económico

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21 de Novembro de 2007

Comunicado

Na sequência das notícias veiculadas pela comunicação social de hoje, o Banco
Comercial Português informa que as negociações, cujo início foi oportunamente
divulgado, com o Banco BPI com vista a uma eventual operação tendente à fusão
entre os dois bancos continuam a decorrer, sendo prematuro extrair quaisquer
conclusões sobre o desfecho do processo.

O Banco Comercial Português reitera o quadro de confidencialidade das
negociações, pelo que, salvo acordo de ambos os bancos em contrário, só será
prestada informação ao mercado acerca das mesmas quando elas se concluírem.

O Conselho de Administração Executivo do Banco Comercial Português, SA

FONTE: Site CMVM

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Fusão entre BCP e BPI:
BCP quer Pinhal como CEO para aceitar fusão

Filipe Pinhal lançou a bomba: "o acordo pode ser anunciado a qualquer momento." Amanhã o BCP reúne-se, mas não é pacífico que o BPI remeta Ulrich para nº 2 de Pinhal, como quer o BCP.

Duas semanas depois do início das negociações sobre a fusão entre o BCP e o BPI, os dados estão lançados. Ao que o Diário Económico apurou, os dois bancos discutem, neste momento, propostas muito concretas, pelo que um desfecho do processo negocial poderá estar por dias. Depois de ter ouvido os seus principais accionistas, o último dos quais, a Eureko, na segunda-feira, o BCP impôs a sua solução para viabilizar a fusão. E tudo aponta para que o desenlace ocorra no início da próxima semana. O BCP tem um conselho de administração marcado para amanhã, enquanto o do BPI se encontra agendado, há mais de um ano, para o início de Dezembro – nada impedindo, porém, em caso de necessidade, a sua antecipação. No caso do maior banco privado português, a aprovação do acordo está ainda dependente de uma decisão do conselho geral e de supervisão, presidido por Jardim Gonçalves, que deverá ocorrer no dia 27.

No que respeita à distribuição de cadeiras, Artur Santos Silva assumiria a presidência do conselho de administração, Filipe Pinhal o cargo de CEO, enquanto Fernando Ulrich ficaria, nesta fase, como vice-presidente da comissão executiva. Uma proposta que contraria o projecto inicial do BPI. Quando, na tarde de 25 de Outubro, Ulrich anunciou a proposta de fusão previa que fosse o BPI a ficar com a presidência executiva, conferindo ao BCP o direito de eleger o 'chairman' do futuro Millennium BPI. Aliás, a atribuição a Ulrich da gestão parece ser uma condição para o La Caixa, principal accionista do BPI com 25%. "O BCP recusou liminarmente a proposta inicial do BPI. E após duas semanas de negociações, o BCP entendeu ser essencial inverter os papéis. Filipe Pinhal é um homem de consensos e conseguiria tranquilizar a estrutura do BCP. Por outro lado, Ulrich poderia continuar, como vice-presidente, a desenvolver o seu trabalho", disse uma fonte contactada pelo Diário Económico. Acresce que Jardim Gonçalves já disse que se afastaria da vida activa após a fusão, caso a operação avançasse, pelo que deixaria de fazer sentido para o BCP poder escolher o nome do 'chairman'. A escolha do líder ainda está, no entanto, longe de ser uma questão pacífica e, neste momento, persistem dúvidas sobre se o BPI, para viabilizar a fusão, aceitará oferecer a comissão executiva ao BCP. 

As fontes contactadas pelo Diário Económico adiantaram ainda que o BCP pretende ser a entidade incorporante, recusando que seja o BPI a incorporar o BCP, tal como foi proposto pelo seu rival. Desde que se iniciaram as negociações que este aspecto foi apontado como um dos pontos mais sensíveis. "O BCP é o maior banco privado português e para os seus responsáveis nunca fez sentido pensar que seria o BCP a ser absorvido pelo BPI", acrescentou uma das fontes contactadas. 

O rácio de troca, que o BPI propôs que fosse de uma acção BPI por cada duas do BCP, é outra das principais divergências entre os dois bancos. Em cima da mesa, estará, segundo as fontes contactadas pelo Diário Económico, uma proposta de um rácio de 1,8, mais favorável para os accionistas do BCP. Este rácio, implícito na cotação actual dos dois bancos, significa que 1,8 acções do BCP darão direito a uma acção do futuro Millennium BPI. Desta forma, os accionistas do BCP acabariam por ficar com uma representação mais forte no banco que vier a resultar da fusão. Uma questão sensível, já que o La Caixa, principal accionista do BPI, e a Eureko, principal accionista do BCP, disputarão, ao milímetro, o primeiro lugar no 'ranking' accionista. Aliás, a maior 'caja de ahorros' espanhola já transmitiu a mensagem que pretende situar-se na fasquia dos 20% do capital da futura instituição, mostrando uma clara aposta no mercado português (ver páginas 17 e 18). Para além das posições directas em cada um dos bancos, tanto o La Caixa, como a Eureko são fortes candidatos à compra das participações cruzadas – do BCP no BPI e do BPI no BCP.

Na sequência da OPA que o BCP lançou, há quase dois anos, sobre o BPI, o grupo fundado por Jardim Gonçalves passou a deter quase 10% do capital social do BPI. E, entretanto, o próprio BPI acabou por reforçar a posição que já detinha no seu rival. Segundo a última informação reportada, o banco presidido por Fernando Ulrich detém 8,873% do capital do BCP. Estas acções deverão ser alienadas aos accionistas; aliás, essa possibilidade constava da proposta inicial de fusão avançada pelo BPI.

Um conjunto de temas sobre os quais ainda não existe acordo. Filipe Pinhal, presidente do conselho de administração executivo do BCP, transmitiu ontem ao mercado uma nota de optimismo, mas o que é certo é que, para já, nada está assinado. À margem de uma conferência de imprensa sobre microcrédito, que decorreu ontem à tarde, o banqueiro  disse que "a qualquer momento pode surgir um acordo", sublinhando que se o BCP "não considerasse um acordo exequível não estaria a negociar". Horas depois, na sequência de um pedido de esclarecimentos da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, que obrigou os dois bancos a um dever de confidencialidade, surge um comunicado do BCP. Diz a instituição que, "na sequência das notícias veiculadas pela comunicação social de hoje [ontem], o BCP informa que as negociações, cujo início foi oportunamente divulgado, com o Banco BPI, com vista a uma eventual operação tendente à fusão entre os dois bancos continuam a decorrer, sendo prematuro extrair quaisquer conclusões sobre o desfecho do processo". Na mesma nota, o banco acrescenta que "só será prestada informação ao mercado acerca das mesmas [negociações] quando elas se concluírem".

Ao longo destas duas semanas de negociações, o BCP e o BPI discutiram também a eventual venda do negócio dos seguros do BCP, que o banco mantém em parceria com o Fortis. A Eureko, principal accionista do BCP, já esteve no lugar do Fortis e acresce que a Allianz, uma das maiores seguradoras da Europa, também poderá estar interessada em aumentar a sua presença no mercado segurador nacional. A estratégia para Angola também esteve em cima da mesa. O BCP desenvolve uma operação naquele país e negoceia uma parceria com a Sonangol, enquanto o BPI é dono do segundo maior banco angolano.

Novas condições dão maior probabilidade de aprovação
O acordo entre as administrações não é garantia de aprovação definitiva da fusão. A palavra final cabe aos accionistas, em assembleia geral. Esta situação foi precavida, em parte, pela administração do BCP, que se tem reunido com vários accionistas institucionais e tenta incorporar parte dos desejos destes no compromisso final com o BPI. A solução de melhorar o rácio e de colocar Filipe Pinhal como líder executivo do novo banco elimina boa parte das preocupações dos accionistas que já verbalizaram reservas quanto à fusão. O rácio garante vantagens económicas - com uma maior representação dos actuais accionistas do BCP no Millennium BPI - enquanto a liderança, mesmo que transitória, de Pinhal, descansa alguns accionistas que não gostam do estilo agressivo de Fernando Ulrich. Por outro lado, e a nível institucional, o facto de poder ser o BCP a entidade incorporante também descansará algumas vozes mais críticas do negócio. De qualquer forma, a maioria de dois terços dos votos expressos em assembleia geral é exigente e pode revelar-se difícil de atingir, caso se reuna um grupo de accionistas decidido a frustrar o projecto.

Quem vai mandar no novo Millennium BPI
Com a proximidade de um acordo entre BCP e BPI, as probabilidades mudaram, no que respeita aos lugares reservados para os líderes do novo banco a nascer da fusão. E se Santos Silva sai beneficiado com a mudança, mantendo o lugar de 'chairman', Fernando Ulrich sai a perder, já que terá de passar o seu poder a Filipe Pinhal – o grande vencedor, na nova lógica de acordo –, ficando como vice- -presidente executivo do Millennium BPI. Quanto à composição dos órgãos de governação, mantém- -se a dúvida quanto ao número e proveniência. As últimas revelações apontavam para 14 membros no Conselho de Administração (cinco indicados pelo BPI e os restantes pelo BCP) e oito na Comissão Executiva (quatro de cada lado).

2007-11-22 - Sílvia de Oliveira

FONTE: Diário Económico
 

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#18

BANCO BPI, S.A.
Sociedade Aberta
Sede: Rua Tenente Valadim, 284, Porto
Matriculada na Conservatória do Registo Comercial do Porto
sob o número único de matrícula e identificação fiscal 501 214 534
Capital Social: € 760 000 000

COMUNICADO

Foram divulgadas notícias em órgãos da comunicação social nas quais é referido
que está iminente um acordo de fusão entre o Banco Comercial Português e o
Banco BPI, onde são indicados nomes para cargos do Conselho de Administração
e da Comissão Executiva do Banco resultante da fusão e onde se identifica um
determinado rácio de troca.

O Banco BPI salienta e alerta os investidores para que não existe nenhum acordo
com o Banco Comercial Português quanto aos aspectos indicados nas notícias
acima referidas.

O Banco BPI deseja ainda recordar que foi acordado entre os órgãos de
administração dos dois Bancos conduzir as conversações num quadro de
confidencialidade, pelo que, salvo acordo de ambos em contrário, só será prestada informação ao mercado acerca das mesmas quando elas se concluírem.

Porto, 22 de Janeiro de 2007

Banco BPI, S.A.

FONTE: site CMVM

( Observação: "Porto, 22 de Janeiro de 2007" é de facto o que está na CMVM !!! )

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Grandes linhas da fusão BCP/BPI já foram acordadas

Optimismo de Pinhal levou CMVM a pedir esclarecimentos

O acordo de fusão entre o Banco Comercial Português (BCP) e o Banco BPI está para breve. Fontes accionistas contactadas pelo DN garantiram que o acordo estaria já alcançado nas suas grandes linhas. Os dois bancos terão já concordado a relação de troca de acções, a definição de quem ficará com a gestão executiva do futuro banco e qual a instituição integrante.

A primeira indicação de um desfecho rápido foi dada ontem por Filipe Pinhal. À entrada de uma conferência sobre microcrédito, o presidente do BCP referiu que as negociações entre os dois bancos "estão a decorrer muito bem" e "a qualquer momento pode surgir um acordo".

Estas palavras de optimismo foram logo recebidas pelos presentes como um sinal claro de acordo. A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) fez a mesma leitura e pediu de imediato esclarecimentos ao BCP.

Mais tarde, o banco veio pôr "água na fervura". Num comunicado ao mercado, informa que as negociações "continuam a decorrer, sendo prematuro extrair quaisquer conclusões sobre o desfecho do processo". O BCP "reitera o quadro de confidencialidade das negociações, pelo que, salvo acordo em contrário, só será prestada informação ao mercado acerca das mesmas quando elas se concluírem".

Mas Filipe Pinhal deixou outros sinais de optimismo sobre as negociações. Questionado pelos jornalistas quanto ao andamento das conversações, o presidente do BCP foi claro e directo: "estão a andar muito bem, num clima de optimismo , grande abertura e seriedade negocial".

O banqueiro adiantou ainda que se o BCP não considerasse o acordo "exequível" não estaria a negociar. "Quando duas partes se sentam à mesma mesa, é porque têm vontade em negociar", acrescentou. E ainda disse mais: "No primeiro dia estávamos mais longe [de chegar a um acordo] do que estamos neste momento".

Referindo-se aos contactos ocorridos com os principais accionistas do BCP, referentes aos últimos dias, o banqueiro esclareceu que "é obrigação da gestão do banco defender os interesses da sociedade, dos accionistas e dos restantes stakeholders". "Penso que será essa também a prioridade do conselho de administração do BPI", acrescentou Filipe Pinhal.

FONTE: Diário de Notícias - 22-11-2007

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Negociação com BPI continua até à próxima semana

As negociações entre o BCP e o BPI para uma eventual fusão deverão prosseguir, no máximo, até à próxima semana, altura em que se espera a conclusão das conversações, tenham ou não desfecho positivo, apurou o Jornal de Negócios.

A última semana de Novembro terá sido definida como a altura ideal para terminar os contactos. Por um lado, porque já terá passado tempo suficiente para avaliar a capacidade de as equipas negociais se entenderem. Por outro, porque dentro de uma semana sobra apenas um mês até ao final do ano, altura em que termina o mandato da gestão do BCP e em que ambos os bancos têm de começar a olhar para 2008.

FONTE: Jornal de Negócios - 23-11-2007

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BCP perde quase 20 mil accionistas durante o período de instabilidade

O Banco Comercial Português (BCP) perdeu quase 20 mil accionistas desde Dezembro de 2006 até ao final do primeiro semestre deste ano. Segundo dados tornados públicos pelo banco, em Junho de 2007 o BCP contava com um total de 159.124 accionistas, abaixo dos 177.820 contabilizados no final de 2006, o que se traduz numa quebra de 11%.

Os pequenos investidores (accionistas individuais) foram os que mais alienaram acções do banco, já que neste período de seis meses mais de 17 mil pequenos aforradores deixaram de ter o título em carteira.

A única subida no número de accionistas verificou-se no grupo dos investidores institucionais estrangeiros, que aumentou em 75 para um total de 323 accionistas.

FONTE: Jornal de Negócios - 23-11-2007

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BCP e BPI chegam a acordo sobre rotatividade do CEO

Só falta chegarem a acordo no rácio de troca a 1,8 e na blindagem de votos
O projecto de fusão do BCP com o BPI deverá estar concluído para a semana.

Neste momento só o rácio de troca de 1,8 acções BCP por cada uma da nova entidade e a blindagem estatuária de votos a 10% do capital social, está por acordar.

Segundo o «Semanário Económico», o grande avanço nas negociações foi conseguido com um acordo para que a liderança do novo banco se faça de forma rotativa, com Filipe Pinhal a CEO e Fernando Ulrich a vice-CEO no primeiro mandato e com Ulrich a CEO daqui a três anos.

Artur Santos Silva seria o «chairman» e Jardim Gonçalves reforma-se, sendo a fusão BCP/BPI o seu último projecto.

FONTE: Agência Financeira - 23-11-2007

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#23

Fusão BCP/BPI com desfecho para a semana

Só falta chegarem a acordo no rácio de troca a 1,8 e na blindagem de votos a 10% para que o projecto de fusão amigável seja fechado. Só a La Caixa está renitente em aceitar. De resto o BPI já aceitou a rotatividade da liderança executiva do Millennium bpi.

O projecto de fusão do BCP com o BPI deverá estar concluído para a semana. Neste momento só o rácio de troca de 1,8 acções BCP por cada uma da nova entidade e a blindagem estatutária de votos a 10% do capital social, está por acordar.

Isto porque o maior accionista do BPI, a La Caixa, com 25%, está hesitante em aceitar esse rácio de troca que diluiria a sua posição na instituição que resultaria da fusão. A posição final da La Caixa no novo banco seria aproximadamente de 7,6%. Isto sem contar com a posição de 6,29% que o BPI tem directamente no BCP – os 8,9% sem as acções que pertencem ao fundo de pensões –, e que estava previsto vender aos accionistas na sua proposta de fusão. Por outro lado, a La Caixa não está muito contente com a proposta do BCP de limitar os votos da nova entidade a 10% do capital social, pois a sua intenção é chegar aos 20% com o pretexto de poder consolidar os lucros proporcionais do banco português nos seus resultados. E nunca é apetecível ter 20% de uma instituição e só ter direito de voto a metade dessa participação.

Os outros accionistas de referência do BPI (nomeadamente o Itaú e o Allianz) não se têm oposto a qualquer cláusula de acordo, confiando em absoluto na administração do banco.

Fernando Ulrich e Artur Santos Silva têm agora a tarefa de convencer o seu accionista catalão a aceitar aquelas premissas para a fusão. A necessidade de convencer o Presidente da República é um bom argumento a utilizar, pois dificilmente Cavaco Silva aceita que a La Caixa tenha um poder de voto acima dessa percentagem (10%) naquele que será o maior banco português.

Solbes ajuda BCP.
A ajudar o Chefe de Estado português a defender uma blindagem de votos apertada no novo banco, estão as declarações esta semana de Pedro Solbes, vice-presidente do governo espanhol. Perante a investida do francês Crédit Agrícole sobre o Bankinter (comprou 19,5% e quer ir até 30%), Solbes veio dizer "que a presença excessiva de capital público nas empresas compradoras lhe geravam algumas dúvidas [em aceitar o negócio]", referindo-se ao facto de o Crédit Agrícole, por ser uma entidade mutualista, no fundo semelhante a La Caixa de Barcelona, poder ser considerada uma instituição com capitais do Estado. Pedro Solbes disse mesmo: "Não me pareceria razoável a presença decisiva de uma instituição de capital público em empresas espanholas importantes". A operação de compra do Bankinter, sexto maior banco espanhol, está ainda dependente da autorização do Banco de Espanha. Mas sem dúvida que esta posição do governo espanhol veio prejudicar o poder negocial dos catalães em Portugal.

Os restantes accionistas do BPI estarão de acordo com a fusão se os termos de troca lhe forem benéficos.

Hoje o mercado diz que o rácio de troca justo é de 1,8 acções BCP por cada uma do BPI. Esse é também o rácio a que chegam algumas análises técnicas, segundo soube o "Semanário Económico". O BCP está cotado a 3,06 euros e o BPI está no mercado a 5,48 euros por acção.

Rotatividade já tem acordo.
O grande avanço nas negociações foi conseguido com um acordo para que a liderança do novo banco se faça de forma rotativa, com Filipe Pinhal a CEO e Fernando Ulrich a vice-CEO no primeiro mandato e com Ulrich a CEO daqui a três anos.

Artur Santos Silva seria o chairman e Jardim Gonçalves reforma-se, sendo a fusão BCP/BPI o seu último projecto.

Ninguém confirma este cenário, porque os responsáveis de ambos os bancos estão sob compromisso de sigilo. Mas não é difícil de perceber que este figurino é o único possível para um acordo.

Na última edição deste jornal era referido que já haviam acordos parciais e que a rotatividade da liderança executiva proposta pelo BCP tinha como argumento a idade do actual presidente, Filipe Pinhal, que daqui a três anos tem 65 anos e já não poderá assumir a função de CEO. O Diário Económico (DE) voltou a falar do assunto e o Banco BPI respondeu com um comunicado ontem ao mercado em que garante que "não há nenhum acordo com o Banco Comercial Português, quanto aos vários aspectos da fusão que os dois bancos estão a negociar, como seja a composição da administração ou um novo rácio de troca".

O BPI lembra ainda que "foi acordado entre os órgãos de administração dos dois Bancos conduzir as conversações num quadro de confidencialidade, pelo que, salvo acordo de ambos em contrário, só será prestada informação ao mercado acerca das mesmas quando elas se concluírem".

Na quarta-feira, à margem de uma conferência sobre Microcrédito, o presidente do BCP, Filipe Pinhal, disse que a fusão era exequível ou não estariam em negociações e que quando se está em negociações "a qualquer momento pode surgir um acordo". Estas declarações foram publicadas como se se tratasse de um anuncio iminente de um acordo para fusão e por isso a CMVM obrigou a um esclarecimento ao mercado.

Num comunicado, o BCP diz que é "prematuro extrair quaisquer conclusões sobre o desfecho do processo".

Filipe Pinhal disse ainda que "no primeiro dia estávamos mais longe [de chegar a um acordo] do que estamos neste momento". Adiantou que "é dever dos administradores ouvirem os accionistas. E que naturalmente o Conselho de Administração do Millennium BCP tem os seus próprios meios de o fazer". E concluiu que "até agora as negociações estão a correr muito bem, num clima óptimo de abertura e grande seriedade negocial".

Esta semana surgiram notícias no DE de que Jardim Gonçalves, Filipe Pinhal, Christopher de Beck e António Rodrigues teriam ido falar com os accionistas do banco, nomeadamente com a Eureko (que tem 7,07% do BCP).

A Teixeira Duarte, com 6,19%, acabará por estar de acordo, apesar de inicialmente ter estado contra a fusão.

O Sabadell, com 3,99%, também não se opõe até porque irá comprar os balcões que sobram da fusão, para entrar directamente em Portugal.

A Sonangol, com 4,98%, não se opõe pois tem o compromisso do BCP de que lhe será dada uma parceria na instituição em Angola que resultar da fusão (a venda de até 49%).

O Banco Privado está de acordo com a fusão e José Goes Ferreira também.

A UBS que tem a participação de Stanley Ho também está a favor.

Faltam a CGD (com 2,12%) e a EDP (4,34%), que não serão grandes simpatizantes da fusão, mas cuja importância do Estado no seu capital pode ter alguma influência no sentido de voto final.

E por fim restam os novos accionistas: Joe Berardo (com 6,82% do BCP), Investifino (2%), e Sogema (2,7%). Mas Joe Berardo já disse, que apesar do desenrolar das negociações ainda ser do seu desconhecimento, não exclui um acordo para fusão "se houver um melhor entendimento".

A fusão será feita no BCP, e por isso a margem para investir na reestruturação é maior do que seria se a nova instituição surgisse do BPI – o BCP ainda assim tem 40 basis point acima do core capital do BPI. Pelo que poderá ter caído a garantia que Ulrich um dia deu de que não haverá venda de balcões.

O BPI irá insistir em que, na fusão, as acções que ambos os bancos têm um no outro sejam vendidas e assim sempre obtém algum encaixe que pode ajudar a reforçar o seu core capital.

O BCP precisa desta fusão por causa da crise accionista que atravessa. Já o banco liderado por Fernando Ulrich precisa muito da fusão pois tem poucos drivers de crescimento em Portugal. Se tivesse que vender 49% do BFA em Angola ficaria mesmo numa situação complicada em termos de receitas. Até porque a economia não deverá crescer substancialmente no próximo ano. Os seus últimos resultados (afectados pela crise do subprime) são já um sinal de que as metas de crescimento anunciadas pelo banco durante a resposta à OPA estarão irremediavelmente comprometidas.

Que sinergias obterá a nova instituição?
A grande questão por desvendar será que sinergias obterá a nova instituição com a fusão? A resposta depende de alguns factores. Nomeadamente, se vão ou não fechar balcões (para além dos que a Autoridade da Concorrência impuser)? O projecto do BCP aquando da OPA previa fechar 220 balcões ficando no fim com 1.450 sucursais.

Por isso a criação de valor com base nas sinergias de custos rondava os 215,2 milhões de euros (isto é, 10% da entidade combinada, e 37% da base de custos do BPI). E o timing para captar essas sinergias ia até 2010.

Estas sinergias de custos implicavam os custos de reestruturação relativos à redução de quadro de colaboradores, o encerramento de balcões e a migração de IT. As sinergias de proveitos são menos seguras. Porque é difícil garantir que não há perda de clientes. Na fusão há o risco do novo banco concentrar uma exposição elevada a um só cliente (empresas). Por isso, prevê-se alguma perda de quota de mercado em corporate. A UBS estimou mesmo que o novo banco pudesse perder 2% da base de receitas combinadas. Ao nível das sinergias das receitas, o BCP estimava que se aplicasse a sua produtividade comercial aos balcões do BPI, ao qual são 40% a 50% superiores. E assim obteriam 64,8 milhões de euros, entre aumento de rentabilidade e número de produtos por cliente BPI, aplicando a rentabilidade por produto semelhante à do BCP (isto tendo em conta o encerramento de balcões). Entendendo por sinergias que a soma da receita das duas instituições será maior no futuro do que no primeiro momento da fusão. O novo banco teria uma quota de mercado em Portugal de 29,4% em Recursos de Clientes (abaixo da CGD) e de 36,3% em Crédito (sendo líder destacado).

FONTE: Semanário Económico - 23-11-2007