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FED, BCE, BOE e outros bancos centrais anunciam medidas para aumentar liquidez

Iniciado por Brokas, Dezembro 12, 2007, 15:38

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Brokas

Dec. 12 (Bloomberg) -- The following is the text of a news release today from the U.S. Federal Reserve in Washington:

Today, the Bank of Canada, the Bank of England, the European Central Bank, the Federal Reserve, and the Swiss National Bank are announcing measures designed to address elevated pressures in short-term funding markets.

Federal Reserve Actions

Actions taken by the Federal Reserve include the establishment of a temporary Term Auction Facility (approved by the Board of Governors of the Federal Reserve System) and the establishment of foreign exchange swap lines with the European Central Bank and the Swiss National Bank (approved by the Federal Open Market Committee).

Under the Term Auction Facility (TAF) program, the Federal Reserve will auction term funds to depository institutions against the wide variety of collateral that can be used to secure loans at the discount window. All depository institutions that are judged to be in generally sound financial condition by their local Reserve Bank and that are eligible to borrow under the primary credit discount window program will be eligible to participate in TAF auctions. All advances must be fully collateralized. By allowing the Federal Reserve to inject term funds through a broader range of counterparties and against a broader range of collateral than open market operations, this facility could help promote the efficient dissemination of liquidity when the unsecured interbank markets are under stress.

Each TAF auction will be for a fixed amount, with the rate determined by the auction process (subject to a minimum bid rate). The first TAF auction of $20 billion is scheduled for Monday, December 17, with settlement on Thursday, December 20; this auction will provide 28-day term funds, maturing Thursday, January 17, 2008. The second auction of up to $20 billion is scheduled for Thursday, December 20, with settlement on Thursday, December 27; this auction will provide 35-day funds, maturing Thursday, January 31, 2008. The third and fourth auctions will be held on January 14 and 28, with settlement on the following Thursdays. The amounts of those auctions will be determined in January. The Federal Reserve may conduct additional auctions in subsequent months, depending in part on evolving market conditions.

Depositories will submit bids through their local Reserve Banks. The minimum bid rate for the auctions will be established at the overnight indexed swap (OIS) rate corresponding to the maturity of the credit being auctioned. The OIS rate is a measure of market participants' expected average federal funds rate over the relevant term. The minimum rate for the December 17 auction along with other auction details will be announced on Friday, December 14. Noncompetitive tenders may be accepted beginning with the third auction. The results of the first auction will be announced at 10 a.m. Eastern Time on December 19. The schedule for releasing the results of later auctions will be determined subsequently. Detailed terms of the auction and summary auction results will be available at www.federalreserve.gov.

Experience gained under this temporary program will be helpful in assessing the potential usefulness of augmenting the Federal Reserve's current monetary policy tools--open market operations and the primary credit facility--with a permanent facility for auctioning term discount window credit. The Board anticipates that it would seek public comment on any proposal for a permanent term auction facility.

The Federal Open Market Committee has authorized temporary reciprocal currency arrangements (swap lines) with the European Central Bank (ECB) and the Swiss National Bank (SNB). These arrangements will provide dollars in amounts of up to $20 billion and $4 billion to the ECB and the SNB, respectively, for use in their jurisdictions. The FOMC approved these swap lines for a period of up to six months.

Information on Related Actions Being Taken by Other Central Banks Information on the actions that will be taken by other central banks is available at the following websites. Bank of Canada ( http://www.bankofcanada.ca ) Bank of England ( http://www.bankofengland.co.uk ) European Central Bank ( http://www.ecb.int ) Swiss National Bank ( http://www.snb.ch )

Statements by Other Central Banks Bank of Japan ( http://www.boj.or.jp ) Swedish Riksbank ( http://www.riksbank.com )


helbar

Brokas parece que o mercado estava à espera dessa noticia para desencadear uma recuperação em grande.

Amanhã é outro dia.

goncalonr

Notícia importante e extremamente interessante e que a meu ver levanta certezas mas também questões que só o tempo responderá.

As certezas: a crise está cá, é real e a falta de liquidez é assustadora. Txs de curto prazo superiores às de longo prazo, curva invertida, pressão inflaccionista... onde é que isto vai dar? Já falamos sobre isto noutro tópico, do JoseABMachado...

As questões: se é por leilão e tem de ser colateralizado, através de que produto? Quem vai comprar? Qual o spread da operação? E se a oferta é pouca para tanta procura, por sistema de leilão não poderemos correr o risco das operações de financiamento sairem mais caras do que todos esperavam? E se sim, quem é que vai pagar esse custo? As empresas e os particulares, obviamente, ou então os investidores que vão adquirir os produtos colateralizados. E esses, estarão dispostos a pagar prémio tão elevado por um subjacente que não é mais que... dinheiro? Não provocará isto ainda maior pressão inflaccionista?

Quem for mais entendido, será que dá para ajudar aqui neste tópico que considero do maior interesse?

berrio

Bem vou tentar ajudar na resposta goncalonr.

Esta operação é muito semelhante ao tradicional "Discount Window Loan". Não é colaterizado através de um derivado para alguém comprar, como as hipotecas feitas com subprime.
O que a Fed vai fazer é emprestar dinheiro aos bancos. Em troca, estes bancos terão de entregar um colateral à Fed. Por exemplo, o Bank of England só aceita Obrigações do Tesouro de uma país da OCDE como colateral para este tipo de empréstimos. A Fed no entanto aceita um maior leque de activos como Asset Back Securities, Collateralized Mortgage Obligations, Créditos pessoais e Imobiliários, Tresuries, etc, etc (lista completa em: http://www.frbdiscountwindow.org/discountwindowbook.cfm?hdrID=14&dtlID=43#pledging)
Isto é a "garantia" que a Fed tem sobre o empréstimo que está a fazer, tal como o banco a ti te pede a hipoteca sobre a tua casa se lhe pedes dinheiro para comprar uma.

Agora as questões que me fazem confusão nisto tudo:
Tecnicamente, para os mais atentos, isto não é mais do que já existia: "Discount Window Loan" para os bancos do mercado monetário. Salta-me à vista três coisas. Comecemos pela mais simples: a data dos leilões.
É engraçado que as datas entre os leilões são quase das datas das maturidades dos empréstimos. Ou seja, os bancos podem entregar agora colateral, receber dinheiro por ele, e chegada a altura em Janeiro podem pagar esse pequeno empréstimo fazendo um novo, ou seja, Roll Over da dívida.

Em segundo lugar, tecnicamente, na minha opinião, o que a Fed está a dizer é: Dêem-nos esse lixo tóxico que está nos vossos balanços (Asset Backed Securities, Consumer Loans, Equity Loans, Collaterized Mort. Obligations - todos estes mercados estão sem bids ou a patinar), nós ficamos com eles um pouco de tempo até resolvermos o que vamos fazer a esses mercados (Bailouts, Super-SIV, blablabla) e vocês bancos ficam com "cash" para manter a maquina financeira oleada.

Em terceiro lugar, estes empréstimos são praticamente a 1 mês, e o preço do leilão não andará muito longo da Euribor/Libor a 1 mês. Ora, essa taxa não foi, nem é, neste momento o problema. Os bancos não têm problemas a emprestar a um mês. É a maturidades superiores que a coisa patina. A euribor de 1 mês para três meses dá um salto de quase 0,50% - valor de cor - e está actualmente à volta dos 4,95%, quase 1% acima da referencia do BCE. E os bancos não querem emprestar entre si para mais de três meses porque 1. Continuam a não saber bem quem tem o que de quem, 2. Têm medo de mais write-offs como o último da UBS que eliminou os lucros todos de um ano. O que nos leva de volta ao ponto 2: Dêem-nos esse lixo tóxico até resolvermos o bailout ao mercado, e continuem a olear a maquina financeira...

Só mais uma nota:
É giro ver uma possibilidade de arbitragem por parte dos bancos: Os bancos vão despejar lixo tóxico, pagar uma taxa próxima a 1 mês em troca desse lixo, fazer uma yield curve play e emprestar à taxa a 3/6meses a consumidores e empresas, e fazem a diferença para pagar à Fed...a isto chama-se um Banco Central a ajudar à reconstrução de balanço?  ::)

PS: foi à conta das yield curve plays que os SIV começaram a implodir e o mercado ABCP a parar...



Abraços,
Guilherme Diaz-Bérrio
"Os economistas passam metade do tempo a fazer previsões. A outra metade passam-na a explicar por que se enganaram"
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goncalonr

Obrigado. Percebi perfeitamente a explicação. Quanto ao resto, estamos totalmente de acordo. Mas as dúvidas subsistem, senão veja-se:

«As bolsas europeias estão hoje a perder mais de 1% porque, apesar dos bancos centrais terem ontem anunciado uma medida de coordenação contra a crise de liquidez, o mercado não acredita na sua eficácia. O PSI-20 escapava a essa dimensão de queda com o contributo da valorização expressiva da Galp, da PTM e da Impresa.

Os principais bancos centrais dos dois lados do Atlântico marcaram o dia de ontem com uma medida de coordenação sem precedentes na história, ou seja, subiram a parada contra a crise de liquidez que teima em persistir, apesar das injecções que têm vindo a realizar desde o início de Agosto.

Fed, BCE e os bancos centrais de Inglaterra, Canadá e Suíça, anunciaram mediadas extraordinárias de cedência de liquidez. Apenas este mês, Fed, BCE e BNS vão injectar cerca de 64 mil milhões de dólares até agora não previstos. O Bdl e o BdC mantêm leilões já anunciados nas suas moedas, mas aumentaram montantes e reduziram as exigências de qualidade sobre os colaterais (garantias) que exigem contra os empréstimos.»

berafo

Citação de: berrio em Dezembro 12, 2007, 18:53
Bem vou tentar ajudar na resposta goncalonr.

Esta operação é muito semelhante ao tradicional "Discount Window Loan". Não é colaterizado através de um derivado para alguém comprar, como as hipotecas feitas com subprime.
O que a Fed vai fazer é emprestar dinheiro aos bancos. Em troca, estes bancos terão de entregar um colateral à Fed. Por exemplo, o Bank of England só aceita Obrigações do Tesouro de uma país da OCDE como colateral para este tipo de empréstimos. A Fed no entanto aceita um maior leque de activos como Asset Back Securities, Collateralized Mortgage Obligations, Créditos pessoais e Imobiliários, Tresuries, etc, etc (lista completa em: http://www.frbdiscountwindow.org/discountwindowbook.cfm?hdrID=14&dtlID=43#pledging)
Isto é a "garantia" que a Fed tem sobre o empréstimo que está a fazer, tal como o banco a ti te pede a hipoteca sobre a tua casa se lhe pedes dinheiro para comprar uma.

Agora as questões que me fazem confusão nisto tudo:
Tecnicamente, para os mais atentos, isto não é mais do que já existia: "Discount Window Loan" para os bancos do mercado monetário. Salta-me à vista três coisas. Comecemos pela mais simples: a data dos leilões.
É engraçado que as datas entre os leilões são quase das datas das maturidades dos empréstimos. Ou seja, os bancos podem entregar agora colateral, receber dinheiro por ele, e chegada a altura em Janeiro podem pagar esse pequeno empréstimo fazendo um novo, ou seja, Roll Over da dívida.

Em segundo lugar, tecnicamente, na minha opinião, o que a Fed está a dizer é: Dêem-nos esse lixo tóxico que está nos vossos balanços (Asset Backed Securities, Consumer Loans, Equity Loans, Collaterized Mort. Obligations - todos estes mercados estão sem bids ou a patinar), nós ficamos com eles um pouco de tempo até resolvermos o que vamos fazer a esses mercados (Bailouts, Super-SIV, blablabla) e vocês bancos ficam com "cash" para manter a maquina financeira oleada.

Em terceiro lugar, estes empréstimos são praticamente a 1 mês, e o preço do leilão não andará muito longo da Euribor/Libor a 1 mês. Ora, essa taxa não foi, nem é, neste momento o problema. Os bancos não têm problemas a emprestar a um mês. É a maturidades superiores que a coisa patina. A euribor de 1 mês para três meses dá um salto de quase 0,50% - valor de cor - e está actualmente à volta dos 4,95%, quase 1% acima da referencia do BCE. E os bancos não querem emprestar entre si para mais de três meses porque 1. Continuam a não saber bem quem tem o que de quem, 2. Têm medo de mais write-offs como o último da UBS que eliminou os lucros todos de um ano. O que nos leva de volta ao ponto 2: Dêem-nos esse lixo tóxico até resolvermos o bailout ao mercado, e continuem a olear a maquina financeira...

Só mais uma nota:
É giro ver uma possibilidade de arbitragem por parte dos bancos: Os bancos vão despejar lixo tóxico, pagar uma taxa próxima a 1 mês em troca desse lixo, fazer uma yield curve play e emprestar à taxa a 3/6meses a consumidores e empresas, e fazem a diferença para pagar à Fed...a isto chama-se um Banco Central a ajudar à reconstrução de balanço?  ::)

PS: foi à conta das yield curve plays que os SIV começaram a implodir e o mercado ABCP a parar...






Caro Berrio,

Parabens pela explicação, com a qual concordo, mas deixe-me corrigir o seguinte a Euribor 1m está deste 30 de Novembro praticamente identica à Euribor 3m, o que por um lado deita por terra a possibilidade de arbitragem por parte dos bancos e por outro lado volta a levantar a questão se os Bancos Centrais não estão eles a tentar adiar o problema porque na realidade não têm a minima noção da sua dimensão.

Isto sim é muito grave, e denota quanto a mim total falta de controlo por parte dos reguladores, controlo esse que todos julgavamos existir e que muitas vezes foi utilizado como um exemplo a seguir para outras actividades.

Após aquilo a que temos vindo a assistir nos últimos meses, começo a ter as minhas dúvidas sobre o bom desempenho estes reguladores.

(Aqui lhe deixo 1 pontinho)


Bons negócios a todos e Boas Festas

berrio

Tem razão sim senhor. Ainda não tinha actualizado o gráfico com os dados da Euribor.

Aqui fica o gráfico das várias maturidades da Euribor, dados de ontem.

Ugly... :-\
Abraços,
Guilherme Diaz-Bérrio
"Os economistas passam metade do tempo a fazer previsões. A outra metade passam-na a explicar por que se enganaram"
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goncalonr

Pois é... bem me parecia. É que se virem bem, daqui a 3 meses começam a aparecer os resultados anuais do pessoal todo ;D ;D ;D e esse risco já está a ser antecipado pelo mercado! Até lá, com maturidades curtas (ou seja, a menos de 3 meses), o pessoal lá vai emprestando, a custo :D

Brokas

Na minha opinião, o importante nesta medida é a acção concertada (embora um pouco tardia) dos vários banco centrais no sentido de combaterem os eventuais riscos que o impacto desta crise do imobiliário poderá trazer à economia mundial.
Como já todos podemos verificar, este problema afecta todas as economias, se os bancos centrais actuarem em conjunto, poderão ter melhores condições para o resolver.

bluexip


isto faz lembrar a acção concertada dos grandes bancos em 1929... desta vez parece que vai funcionar "apenas" porque todo o sistema ainda não está no ponto de inversão/colapso. e o pior já deverá ter passado pois senão já teriamos tido um crash nas bolsas...

isto são as conclusões globais que retiro de toda esta situação complexa e cujos detalhes estão fora dos meus conhecimentos.

outro aspecto importante a referir é que estas notícias muitas vezes aparentemente positivas podem ser interpretadas como algo negativo. se há necessidade de injecções de liquidez como as que temos assistido a nivel mundial e uma acção concertada dos bancos centrais para fazer um bailout então é porque a "coisa está preta"...

do mesmo modo, o corte de taxas de juro pode ser interpretado como algo negativo. o final dos bullmarkets é muitas vezes acompanhado com txs de juro a subir. isso é mau à primeira vista mas no entanto o mercado sobe, sobe e sobe ainda durante 1,2 ou mais anos.


resumindo, o mundo em que vivemos é cada vez mais complexo e dificilmente a maioria de nós terá capacidade e conhecimentos para entender o que se passa. mas as bolsas são um grande resumo de toda esta interacção entre economia, finança e psicologia e há que olhar para elas como forma de antever as consequências que daí advêm.

cumprimentos,
bluexip

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