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Fitch baixa «outlook» da República Portuguesa para «negativo»

Iniciado por notiCIas, Junho 29, 2005, 12:33

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Fitch baixa «outlook» da República Portuguesa para «negativo»

Hoje foi a vez da Fitch descer o «outlook» da República de «estável» para «negativo», depois da agência de notação Standard & Poor's ter revisto em baixa a notação da dívida nacional. Contudo, o cumprimento do PEC por parte do Governo pode evitar um «downgrade».

A agência de «rating» Fitch reviu hoje em baixa o «outlook» para a dívida da República Portuguesa de «estável» para «negativo», mantendo a notação de «AA» para a dívida de longo prazo e de «F1+» para o endividamento de curto prazo.

Num estudo emitido hoje, o economista-chefe da agência internacional, Lionel Price afirma que «se o Governo seguir o caminho traçado no novo Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC), então deverá ser possível começar a inverter a tendência de subida da dívida governamental e, provavelmente, evitar um "downgrade"».

No entanto, um controlo orçamental apertado, per se, não deverá ser suficiente para evitar uma revisão em baixa, sendo também uma condição sine qua non «um forte crescimento da economia».

Já a Standard & Poor's não foi tão complacente e resolveu esta semana cortar mesmo a classificação da dívida nacional.

A agência reviu em baixa a classificação de dívida de longo prazo de «AA» para «AA-». No «ranking» da S&P, Portugal ficou com uma qualidade de dívida idêntica à da Itália e, na Zona Euro, apenas superior à da Grécia. A dimensão do défice apurado foi determinante para este corte.

Indústria dos têxteis e calçado ameaçada com liberalização chinesa

Sobre a economia nacional, o economista-chefe da Fitch diz que a estrutura da indústria portuguesa não está de acordo com o padrão das outras economias modernas e desenvolvidas.

Por exemplo, Portugal tem um dos níveis de exportação de têxteis e de calçado mais elevados da União Europeia – após o alargamento - «e vê a sua posição agora ameaçada com a liberalização do comércio dos têxteis entre a União Europeia e a China».

Outro factor negativo aventado por Lionel Price é o menor crescimento do investimento directo estrangeiro – um dos motores da economia nacional na década de 90 – estando muitos investidores a reverter a alocação dos seus investimentos para os novos países da Europa da Leste.

Por exemplo, a Eslováquia «tem atraído muitos dos investimentos no sector automóvel que na última década poderiam ter sido direccionados para Portugal».

A procura de fundos comunitários por parte dos países do alargamento também deverá reduzir a fatia a receber por Portugal, no âmbito do Quadro Comunitário de Apoio.

Crescimento de 3% em 2009 difícil mas não impossível

Na base das revisões em baixa, quer da S&P quer da Fitch (a Moody's ainda não se pronunciou) está o valor do défice de 6,8% apurado pela Comissão liderada por Vitor Constâncio para este ano, sem ter em conta a utilização de medidas adicionais de contenção.

O PEC apresentado pelo Governo liderado por José Sócrates em Bruxelas pressupõe um défice (como percentagem do PIB) abaixo dos 3% em 2008 e de 1,6% em 2009.

Mas para isso, a economia nacional tem crescer a um ritmo mais elevado, culminando com uma taxa de crescimento de 3% em 2009.

Esta meta «não é de todo impossível dada a inactividade actual da economia nacional, será muito difícil atingir essa meta se as restantes economias da Zona Euro continuem estagnadas».

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