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Acções da Google a 1 cêntimo??? Erro... ou talvez não...

Iniciado por Beagle, Outubro 01, 2008, 10:20

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berrio

A questão aqui é que foste buscar o cenário mais conspirativo possível LOL

Por exemplo, todos sabemos que os fundos tendem a comprar mais acções das suas posições de modo a tentar puxar mais uns cêntimos no preço, aquando do fecho de contas trimestral - de modo da a puxar o retorno que entregam no relatório à gestora e aos investidores, pelo qual são julgados (e pagos).

Também tens que ontem foi o último dia de pedido de redenções de Hedge Funds - que por norma têm um "lock out" de 3 meses do teu dinheiro - pelo que, vais ter alguma volatilidade se muitos fundos foram atingidos.

E a verdade é que o foram: entre o mercado interbancário, os derivados, a brincadeira de proibir o short selling e os picos nos prémios de riscos, muitos hedge funds estão feridos de morte (seja por margin calls, perdas profundas - apartir de 40%, normalmente fecha-se o fundo e recomeçasse ou puro fear factor dos investidores).

Outra fonte de fluxos são o "unwind" de posições em derivados por parte dos bancos que, dado o tamanho e alavancagem, vão ter impacto em obrigações, câmbios e, por arrasto, indices.

E dou-vos um exemplo de como os bancos fazem as coisas - ou escondiam as coisas:
Por Basileia II, os activos securitizados são ponderados por risco. Por exemplo, uma CDO AAA precisa de 10% de capital no balanço (e o resto pode ficar de fora), mas se for BBB já precisa de 350% de capital no balanço (daqui o efeito dos downgrades e da má gestão do risco - crescimento involuntário e exponencial do lado do passivo dum banco, a esmagar o capital próprio, enquanto o activo "corre para as colinas"). Não entrando a fundo na questão se está ou não bem feito (na minha opinião Basileia II foi mal feita pelos reguladores: devia ter colocado a conta de capital pró-ciclica, ou seja, em maus tempos podem correr menos capital mas em tempos bons têm de manter maiores ratios de capital próprio), há uma forma de retirar por completo estes activos de um balanço: fazes um hedge com a contraparte (por exemplo, uma AMBAC, uma AIG, estão a ver o filme...) e ai podes tirar tudo do balanço. Se a coisa corre mal, os trades têm de ser desfeitos e tu tens fluxos financeiros literalmente a cair do céu, enquanto começam coisas a aparecer, como que por magia, no balanço...

No meio disto tudo: window dressing, hedge funds aflitos e desalavancagem, um trader aflito por liquidez (ou alguns) - que neste momento deve ter apanhado na cabeça porque a corretora apanhou na cabeça da NASDAQ - enganou-se a inserir a ordem de venda das acções do Google, e fez saltar stops em catadupa. Até chegar a 0,01 centimos.

A verdade é que em crises de desalavancagem, não precisas de terroristas para teres volatilidade. Basta não saberes o que os bancos têm na mão, e o sistema começar a criar fricções por tudo quanto é lado...
Abraços,
Guilherme Diaz-Bérrio
"Os economistas passam metade do tempo a fazer previsões. A outra metade passam-na a explicar por que se enganaram"
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