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Lula diz que países ricos devem resolver problemas para evitar alastramento da c

Iniciado por zimermann, Novembro 15, 2008, 21:24

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Lula diz que países ricos devem resolver problemas para evitar alastramento da crise

MYLENA FIORI
da Agência Brasil, em Washington
da Folha Online



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje que países ricos devem resolver seus problemas para evitar alastramento da crise. A exemplo do que fez na abertura da reunião de ministros de economia e presidentes de bancos centrais do G20 (grupo que reúne os países mais ricos e os principais emergentes), há uma semana, em São Paulo, Lula pedirá que os países ricos assumam sua responsabilidade pela crise.



"A melhor solução para evitar que a crise se alastre é os países ricos resolverem seus problemas. É a primeira vez que os problemas não estão nos países pobres", afirmou. "Não adianta ficar procurando medidas paliativas se não resolver o problema crônico da política econômica americana e da política econômica européia".





Lula e Bush se encontraram em jantar na Casa Branca, antes da abertura do G20 

Lula reconhece que a situação de Bush é delicada, mas acredita que será possível sinalizar ao mundo que a crise será superada mais rápido do que se espera.



"A situação americana é delicadíssima, tem uma transição entre o presidente que vai sair e o presidente que vai entrar, mas acho que o presidente Bush tem que assumir a responsabilidade de que é o presidente até o dia 20 de janeiro e não pode vacilar na questão do tratamento da crise".



Fortalecimento

O fortalecimento do G20 como instância de articulação de políticas econômicas será uma das principais propostas brasileiras nas discussões sobre mercados financeiros e economia global, neste sábado, em Washington.



"O G8 [grupo das sete maiores economias do mundo mais a Rússia] não tem mais razão de ser, é preciso levar em conta as economias emergentes no mundo globalizado de hoje", disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.



Em rápida conversa com jornalistas, antes da reunião, Lula disse que também defenderá a regulação dos mercados financeiros --o mesmo que já foi dito ontem, em jantar com chefes de Estado na Casa Branca.



"Eu disse ontem que a vida inteira, quando eu era metalúrgico, para comprar uma televisão eu tinha que fazer 40 ou 60 horas extras por mês. Não é justo que alguém fique bilionário sem produzir uma única folha de papel, sem produzir um único emprego, sem produzir um único salário", afirmou o presidente.



Pela proposta brasileira, caberia ao G20 a regulação dos mercados. "Se conseguirmos fazer isso, já é uma coisa extremamente importante", disse Lula.



O presidente se mostrou otimista quanto ao encontro de hoje, apesar das diferenças de posições já explicitadas pelos Estados Unidos e outros países quanto a temas-chave, como a regulamentação e supervisão das operações financeiras.



Mais cedo, os ministros Celso Amorim (Relações Exteriores) e Guido Mantega (Fazenda) disseram que o objetivo geral da reunião deverá ser a busca de mecanismos para reduzir o custo do crédito e tornar o dinheiro mais disponível, explicaram. O Brasil insistirá na "importância de se relançar a economia mundial de forma coordenada", disse Amorim.

Mantega destacou que é preciso estabelecer um "programa de políticas monetárias, reduzindo as taxas de juros, aumentando o crédito e fazendo com que a liquidez chegue ao consumidor e ao produtor", isto acompanhado de um aumento de gastos do setor público.



Lula participa das sessões plenárias do G20 financeiro e terá almoço com os chefes de Estado e de governo para tratar da Rodada Doha. Antes de voltar ao Brasil, ainda terá encontro com o presidente da China, Hu Jintao.

Com agências internacionais