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Lusomundo financia 50% do «buy back» e reduz dívida da PTM a zeros

Iniciado por notiCIas, Março 01, 2005, 16:41

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Lusomundo financia 50% do «buy back» e reduz dívida da PTM a zeros


A utilização do encaixe com a Lusomundo poderá servir para financiar 50% do programa de recompra de acções em curso, e reduzir a zeros o nível da dívida. Este é um dos cenários avançados pelos analistas, que classificam de conservadora a estrutura de capitais e de financiamento da PT Multimédia.

A PT Multimédia (PTM) [Cot] anunciou ontem, já após o fecho do mercado, que concluiu o processo de alienação da sua participada Lusomundo Serviços, incluindo 80,91% da Lusomundo Media, tendo assinado, no mesmo dia, um contrato de promessa de compra e venda com a Controlinveste, de Joaquim Oliveira.

A transacção avaliou 100% do capital e da dívida da Lusomundo Serviços em 300,4 milhões de euros.

A PTM adquirirá, previamente, a participação de 5,94% que a Portugal Telecom (PT) [Cot] detém directamente no capital social da Lusomundo Media.

O encaixe da PTM ascende a 173,8 milhões de euros, sendo que 10,1 milhões de euros serão pagos à PT pela aquisição da participação de 5,94%.

O «cash inflow» para a empresa liderada por Zeinal Bava será, assim, de 163,7 milhões de euros.

Da diferença entre o valor em que a Lusomundo fica avaliada e o encaixe para a PTM está ainda a dívida da Lusomundo Serviços, entre 40 a 50 milhões de euros, bem como os interesses minoritários de várias empresas em companhias da Lusomundo Serviços, onde se integram os 19% que a Cofina [Cot] detém na Lusomundo Media.


PTM pode equacionar novos programas de remuneração

Os analistas da Espírito Santo Research (ESR), numa nota de «research», afirmam que o impacto na cotação será «neutral», mas avançam que o encaixe «deverá financiar quase 50% do programa de 10% de "share buy back" em curso.

Além disso, a PTM deverá registar uma redução dos seus níveis de endividamento para quase zero».

O Millennium bcp investimento, também em reacção à conclusão do negócio, afirma que «o montante da operação veio em linha com o esperado, pelo que já deverá estar descontado na cotação da PTM».

Na opinião do banco, «mais relevante do que o impacto na avaliação da PTM será o impacto sobre a sua estrutura de capitais e de financiamento, a qual é conservadora».

Assim, num cenário de venda da Lusomundo Media, «veríamos como possível que a PTM pudesse equacionar novos programas de remuneração accionista para além do actual programa de recompra de acções próprias (até 10% do capital actual ao preço de 21,5 euros por acção)».

O BPI classifica o impacto da operação de «neutral a positivo», adiantando que apesar desta decisão «já ser aguardada há muito tempo», a avaliação de 300 milhões de euros «é positiva para a PTM».

«Depois da venda, vão-se levantar dúvidas sobre o uso do "cash inflow" de 163,7 milhões de euros. A PTM deu recentemente indicações sobre a sua vontade de remunerar os accionistas. No entanto, ainda é muito cedo para assumir que a empresa vai pagar dividendos extraordinários», comenta Ricardo Pimentel Seara.

O Credit Suisse First Boston (CSFB), numa nota a clientes, diz esperar que a Lusomundo, em 2004, venha a gerar receitas no valor de 250 milhões de euros, com um EBITDA (lucros antes dos juros, impostos, amortizações / depreciações) de 25 milhões de euros.

Com o valor da operação de 300 milhões de euros, «a PT consegue uma avaliação atractiva para a alienação de um activo de "media" não "core"».

Cotação da PTM em bolsa nos últimos seis meses

«Buy back» arranca no final deste mês

No final do ano passado, a PTM anunciou que iria realizar um programa de recompra de acções de até 10% do seu capital, no decorrer de 2005, pretendendo também realizar um «stock split» e uma reestruturação do seu balanço.

A emissão de «warrants», através da qual a operação será executada, deverá ocorre na última semana deste mês. No final de Setembro de 2004, a dívida líquida da PTM ascendia a 72,7 milhões de euros, um aumento de 7,2 milhões de euros face ao valor de 31 de Dezembro de 2003.

O «gearing» (dívida líquida/ (dívida líquida + situação líquida + interesses minoritários)), a 30 de Setembro de 2004, ascendia a 14,2%, o que compara com 14% no final de 2003.

As acções da PTM negociavam em queda de 1,01% para os 19,60 euros.


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