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É apenas uma questão de tempo até acontecer a bancarrota?

Iniciado por camafeu, Junho 29, 2010, 14:37

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camafeu

CitaçãoDepois de ontem (28/06), ao longo do dia, Portugal e Roménia terem trocado de posições, disputando por décimas de ponto percentual, o último lugar do TOP 10 mundial de probabilidade de default, o nosso país voltou hoje a assumir a 10ª posição neste "clube" dos países encarados como os de maior risco de incumprimento da sua dívida soberana num futuro próximo.

Esta autêntica "dança", durante todo o mês de Junho, entre o país mais ocidental da zona euro e um dos países do extremo Leste da União Europeia (UE) reflecte a percepção negativa que os investidores institucionais e os especuladores têm das duas zonas críticas da UE - os denominados PIGS (grupo formado por Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha), em que Atenas e Lisboa são os mais vulneráveis, e o grupo de países aderentes mais recentes da UE na fronteira oriental, com destaque para Roménia, Bulgária e Hungria.

Não é um jogo cómico

O que pode parecer ao leitor um verdadeiro jogo cómico do entra e sai é, na verdade, o reflexo, neste mercado financeiro, das desconfianças sobre a capacidade de uma parte da UE se aguentar sem uma reestruturação e reescalonamento das dívidas soberanas de alguns membros e da moeda única, o euro, suportar a diferença cambial que, ainda, mantém face ao dólar.

A Grécia, apesar da intervenção do Fundo Monetário Internacional e de Bruxelas, continua a segurar o primeiro lugar do TOP 10 mundial de probabilidade de default, segundo o monitor da CMA DataVision. O que dá uma dimensão da aposta dos especuladores, que olham Atenas (mesmo com a almofada financeira decidida a 7 de Maio) como mais frágil, num horizonte de cinco anos, do que países como Venezuela, Argentina, Paquistão, Ucrânia e Iraque.

O efeito G20

Apesar da benção da última cimeira do G20 (o actual principal fórum de cooperação económica internacional dominado pelas principais potências do antigo G7 e pelos principais países emergentes, como China, Brasil e Índia) ao mecanismo europeu de estabilidade financeira, a aposta dos especuladores não larga a Grécia nem os outros pontos fracos da UE.

Também a clara separação de posições no seio do G7, com a oposição do Canadá ao eixo euro-norte-americano em diversas matérias, e a emergência da Austrália (membro do G20, com posições importantes actualmente no sistema financeiro mundial), dão sinais da alteração em curso na geopolítica que motivam os especuladores a explorar todos os pontos fracos na UE bem como no seio da federação norte-americana (vide o caso dos estados do Illinois e Califórnia que se mantém no TOP 10 mundial do risco de default).

Clube da bancarrota duelo Portugal/Roménia continua - Expresso.pt

Portugal aumenta risco de bancarrota - Expresso.pt

Risco de bancarrota Portugal desce para 10º lugar - Expresso.pt


CitaçãoPonto de não retorno

Este gráfico que aqui coloco em baixo (já aqui deixado há uns meses) mede o diferencial de taxas de juro, pagas a 10 anos, entre vários estados (países?) e a Alemanha que serve normalmente como benchmark para a zona euro.



Como tive oportunidade de dizer na última análise, se suavizarmos a linha com uma média mensal dos spreads nota-se claramente que a tendência é para estes spreads continuarem a aumentar. O que não notamos é qualquer impacto positivo (do ponto de vista do custo de endividamento do Estado) das várias medidas tomadas pela União Europeia para ajudar os países conhecidos como PIIGS. Neste outro gráfico que coloco, das taxas de juro brutas a 10 anos, a situação é basicamente a mesma:



Como se pode ver, houve um breve declínio das taxas de juro em Março quando vieram as intervenções no mercado mas como quem me lê está farto de saber as intervenções no mercado não resolvem nada de fundo além de normalmente criarem problemas novos. Assim, como se pode ver Portugal, Espanha, Irlanda e Grécia pagam hoje mais juros do que faziam em Fevereiro antes das intervenções europeias. De facto, países como a Alemanha e Holanda são dos poucos que pagam hoje menos do que há quatro meses atrás exacerbando ainda mais a diferença entre os vários estados membros.

A outra coisa que me salta à vista quando olho para este gráfico e que queria partilhar é o que determino por “ponto de não retorno” e grosso modo está, no segundo gráfico, traçado na linha de 6%. No período de tempo que a maioria da população entende como sendo “o pior da crise” que vai de Setembro de 2008 a Março de 2009 houve vários países que se aproximaram dos 6% mas voltaram atrás e a vida parecia ter retomado o seu percurso normal. Falou-se obviamente do problema da Grécia mas na altura Portugal, Espanha e Irlanda eram “diferentes” e “não tinham nada a ver com a Grécia”. A Grécia claro, todos sabemos, não teria qualquer necessidade de ajuda externa da UE e muito menos do FMI. É quando passa os 6% que o mercado fica convencido que por aqueles lados a coisa correu mal, nunca mais as taxas voltam abaixo deste valor e quando entramos em valores acima de 7% a UE é obrigada a intervir (já que não quis que houvesse default).

Estes valores não são aleatórios, é sabido que grande parte dos cortes orçamentais na Grécia estavam a ser consumidos pelo aumento dos juros. Em Portugal, apesar de não haver cortes orçamentais dignos desse nome o aumento dos juros está já a levar o Estado a procurar financiamento a prazos mais curtos como 3 e 5 anos (algo que também a Grécia fez quando se começou a aproximar dos 6%) mas claro que isso não resolve nada.

O que quero dizer com isto tudo? Que caso os juros da dívida portuguesa a 10 anos passem os 6% preparem-se: a seguir o mundo vai mudar novamente em 15 dias e o engenheiro terá que começar finalmente com cortes orçamentais que se vejam. Seremos os primeiros a recorrer ao super-fundo europeu e os segundos a tornarmo-nos um protectorado alemão como os federalistas do bloco central sempre sonharam. Vai ser penoso porque cada vez que adiamos a dor da responsabilidade financeira tem um custo: maior dor no futuro. Pois o futuro chegou e está para durar… pelo menos até a Espanha também passar o “ponto de não retorno”. Aí, o mundo irá mudar em 15 minutos.

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luademaio

Pelos vistos....parece que sim!
Pelo menos é a sensação que me dá cada vez que ouço notícias relacionadas com a economia nacional. Mas eu acredito - se calhar é ingenuidade - que o tempo que leva até nós nos afundarmos que ainda aparece um salva-vidas pelo meio, para o estrago não ser tanto....