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Psicologia no trading

Iniciado por Jesse, Outubro 10, 2007, 00:29

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Jesse

Recuperei mais artigo do César Borja, julgo que é interessante.

Investimento de longo prazo, position trading, ou day trading? A maioria dos livros e dos comentadores de mercado diria, em coro: «depende do seu perfil de investidor», afirmação com a qual concordo, mas continua sem responder à pergunta, pelo menos no meu caso.

Uma das formas mais habilidosas de perder dinheiro é fazer confusão com os prazos de investimento, deixar um day trade para o dia seguinte, deixar um position trade transformar-se num trade de longo prazo, racionalizando as decisões à medida que o mercado vai mudando.

Uma solução para este «problema dos time frames» seria o trader reconhecer que não pode fazer tudo, que os diferentes time frames contêm muitas vezes indicações difusas e até antagónicas, e que o melhor mesmo é optar por um e ficar com ele. «Pronto, agora sou só position trader, o meu prazo de investimento são X dias ou Y semanas», pode ser uma das soluções.

Mas, para alguém como eu que entrou nisto sem exemplos e começou a espiolhar tudo o que havia para saber, é triste desperdiçar ou esquecer todo o conhecimento adquirido acerca de outros time-frames ... por exemplo, eu poderia decidir ser apenas day-trader, mas, e iria esquecer tudo o que aprendi sobre investimento de longo prazo? Deito fora os livros e a experiência e esqueço essas outras formas de investimento?

Não, não preciso e não quero fazer isso. Há uma forma mais coerente e produtiva, ter diferentes contas com time frames diferentes e que sirvam vários objectivos. Vou escrever sobre eles ...

1. Day Trading Futuros DAX

Uma conta para Day Trading (DT). Porquê nos futuros do DAX? Porque os futuros permitem a liberdade de estar longo ou short, têm liquidez muito abundante (mais de 100.000 contratos por dia), spreads e comissões muito competitivas (spread de 0.5 pontos entre compra e venda - sem market maker, o próprio mercado fornece esta liquidez e spreads) e comissões de apenas 2.8€ por contrato (round trip - quando um ponto do DAX vale 25€ por contrato, ou seja, com 0.5 pontos o trader já está a ganhar, deixando de se preocupar com as comissões).

Para mim o DT faz-se com um objectivo diário, e quando é alcançado desliga-se até à próxima abertura. Nunca se deixa posições para o dia seguinte, senão não é DT, e está-se a cair na armadilha dos time-frames. Nos futuros do DAX o meu objectivo diário são 20 pontos (500€ por contrato), e esta conta serve o objectivo de um «ordenado», ou seja, uma remuneração mensal, variável como em qualquer negócio, mas não deixa de ser uma remuneração mensal ...

2. Sistema Automático

Existe uma razão para querer apenas 20 pontos por dia no DAX - ser humano. Sei que consigo 50 pontos, mas não de forma consistente, só consigo 2 ou 3 dias, e depois estoiro de cansaço e lá vêm as perdas ... 20 pontos, nem mais, nem menos, é o ideal, tanto para a rentabilidade como para a qualidade de vida.

Mas, se não fosse humano, se fosse uma máquina, poderia transaccionar e cumprir as regras indefinidamente ... e há máquinas de transaccionar, obviamente programadas por humanos, que são os sistemas totalmente mecânicos e automáticos, em que os trades são feitos exclusivamente pelo computador. Uma corretora que permite isto é a
www.tradestation.com, que já ganhou vários prémios valorizando a sua velocidade e precisão de execução das ordens.

Ok, esta é a 2ª forma de investimento, um sistema automático de trading. O seu objectivo é o de um «bónus» anual, ou seja, no final de cada ano retira-se metade do lucro (a existir, caso o sistema seja bom, como se espera que seja) e deixa-se o resto, a acumular.

3. Position Trading

Aqui trata-se de position trading, em futuros, acções, câmbios, o que fôr, baseado numa análise diária ao mercado que está a merecer atenção. As decisões são tomadas com os mercados fechados, e esta conta tem o objectivo de existir ao longo de 20 anos, procurando rendibilidades elevadas nos primeiros anos em que o capital é pouco, e mais modestas quando o capital desejavelmente já seja abundante, como explicado num exemplo no artigo «Alguém para o longo prazo?»

Nesta 3ª vertente de investimento não está pré-definido que mercados ou instrumentos se vão utilizar, esses normalmente são escolhidos no final de cada ano, nos últimos 15 dias, em que por experiência própria se deve fechar para balanço, na quinzena do Natal e do Ano Novo.

O objectivo do position trading não é imediato, é para salvaguardar a reforma, daqui a mais de 20 anos, no meu caso. Esta perspectiva de longo prazo permite calma e paciência nesta time-frame, elemento que considero fundamental para o sucesso de longo prazo. Ninguém será bom position trader se precisar do dinheiro ...

4. Investimento de Longo Prazo (+5 anos)

Eu aqui diria que 5 anos é pouco, deveria ser mais a excepção do que a regra. A regra é comprar algo para vender daqui por 20 anos. Como é que se faz isto? Com pouco capital, muito pouco, tão pouco que uma pessoa nem se lembra dele ... compra e esquece. E baseado na Análise Fundamental, Macroeconomia, Análise Técnica de longo prazo e, principalmente, História Económica e dos mercados. Qualquer investidor que tivésse comprado uma Microsoft, uma Wall Mart, ou qualquer acção dessas no seu IPO, há bastantes anos atrás, teria hoje o seu capital multiplicado por centenas ou mesmo milhares de vezes.

Digo que pode ser um investimento de apenas 5 anos porque há bull markets e ciclos económicos que duram menos de 20 anos (a maior parte dura menos de 20 anos), e mesmo no investimento de longo prazo é preciso saber quadno comprar e quando vender, pois existem e sempre existirão ciclos nos mercados.

Depois logo se vê, mas está resolvido o problema dos time-frames para os próximos 20 anos, 4 formas de investir com técnicas e objectivos diferentes, para servir um investidor complexo e apaixonado pelos mercados em todas as suas vertentes.

Agora, cada um saberá moldar a sua paixão ao que mais lhe convém, a mim resta-me desejar bons investimentos a todos os leitores

César Borja
(*) Utilizador banido do Clubeinvest

vs16214

Caro jesse,

Esse post está óptimo, mesmo sendo de outro autor, pelo facto de o ter "ressuscitado" acaba de ganhar um pontinho extra ;), é o que se arranja.

Um abraço e bons negócios.

A esse ritmo ainda acaba rico ;) ;) ;D ;D :o :o

Jesse

vs16214, o ponto não é necessário, até porque não mereço.
O artigo é de facto interessante e outros que estão neste post também o são.
O Cesar Borja tem artigos bastante interessantes no forum, apenas só coloquei dois deles mais à vista.
(*) Utilizador banido do Clubeinvest

vs16214

Boa noite,

Permita-me discordar, pois da definição do tipo de investidor que somos resulta muitas vezes se temos algum lucro, passado algum tempo de cá andar-mos. Nem só os que "produzem textos iluminados" devem ser premiados, pois de igual importância são os que realçam a informação produzida por aqueles. :o

ah, claro tb já o merecia à mais tempo, pois os seus post's deixam o pessoal um pouco mais "orientados" ;)

Um abraço amigo e claro, BN.

Jesse

Resolvi transferir estes 2 artigos para este post porque os 2 estão ligados a este tema e como tenho este post nos favoritos, para uma questão de organização e maior facilidade em consultar quando entender.

Do Cem, que já tinha colocado à pouco tempo em outro post.

20.09.2001 | 16:46:08 | Cem

«Claro que estamos a falar no campo dos jogos individuais de sorte e azar. Nessa perspectiva o jogo é de resultado desconhecido à partida, aleatório.»


Encarando a Bolsa como um jogo!

Claro que estamos a falar no campo dos jogos individuais de sorte e azar. Nessa perspectiva o jogo é de resultado desconhecido à partida, aleatório. O jogador enfrenta o jogo com um misto de desafio, aventura e adrenalina. Enfrentar o desconhecido, o risco, mas sempre com a eterna esperança de ganhar!

Apesar de muitos se artilharem com sistemas de trading, quando os resultados destes começa a vacilar, deixam tudo de parte de novo e recomeçam com novas regras, sempre em mutação, ou então actuam pelo seu feeling. Resultado: prejuízos ou lucros pouco significativos. Muitas mexidas na forma de transacionar os mercados equivalem quase sempre a deixar de lado alguma metodologia que não batia certo.

Raciocinemos friamente, a maioria dos jogos de apostas é perdedora. Posso chocar muita gente mas afirmo convictamente que eu não sou jogador, ao contrário de muitos que andam na Bolsa. Recuso-me a jogar dentro dum casino ou arriscar em apostas idiotas como o totoloto ou lotarias. A esperança matemática probabilística está do outro lado, do lado da casa, seria deitar dinheiro pela janela fora, quanto mais se jogar mais se perde. Claro que há pequenas excepções, quem souber contar cartas no blackjack está garantido como jogador profissional!
Não é por acaso que, na maioria dos países onde funcionam, os casinos estão abertos 24 horas por dia. E já repararam que a maioria deles não dispõe de janelas para o exterior, para não dar a sensação das horas a passar na sequência manhã, tarde, noite?

O tempo é o aliado dos que estabelecem as regras contra os jogadores! Decidir aleatoriamente ou por feeling é jogar, arriscar no escuro, perder a longo prazo! Sim, porque se estatisticamente, mesmo que as probabilidades teóricas de ganhar ou perder fossem 50%/50%, a erosão sucessiva do capital em comissões e slippage encarregar-se-ia do desfecho inevitável.
Se não sou jogador e ando na Bolsa porque razão gosto de enfrentar os mercados? Fácil, porque consigo impor regras de negociação que põem as probabilidades de ganho do meu lado. Com o passar do tempo o capital aumenta de forma sistemática e exponencial. O segredo, a alma do negócio, ando sempre a repisar este tema, é seguir disciplinadamente as regras do sistema de trading.
É tudo uma questão simples de probabilidades. O seguimento do sistema de negociação é o nosso casino, o negócio a explorar, e o mercado, os outros, são os jogadores! É dramático e cruel, desculpem-me a frieza, mas é assim que encaro esta actividade.
Alterar as regras do jogo ou as regras de negociação do sistema é sadomasoquismo, é a prazo baixar ou virar os resultados contra nós.
Não basta dizer que seguimos um sistema de trading se ele não tiver sido convenientemente testado no passado para sabermos o grau de confiança que ele nos vai oferecer daqui para a frente. Quanto maior a sua relação no rácio entre lucros líquidos totais / perdas líquidas totais ( profit / loss ratio), maior a capacidade de dispormos de uma autêntica máquina de fazer dinheiro!
Afastarmo-nos de uma postura mecanizada de execução das ordens do sistema é quebrar o gelo ou pôr em risco o objectivo de atingir o Polo Norte, a acumulação sistemática de capital.
Seguir as regras do sistema de trading é a única preocupação que na actividade especulativa me persegue constantemente. Por experiência sei que a probabilidade estatística optimizada de ter sucesso é não me afastar desse objectivo traçado há largos anos. Curiosamente, essa postura fez com que nunca me preocupasse com o saldo das contas de trading, se estava hoje ou ontem a ganhar ou a perder, porque a certeza do seu aumento a longo prazo não era mais do que uma consequência directa de actuar sempre de acordo com a mecanização das regras estabelecidas. Purista demais, desemocionado perante a luta permanente que se trava nos mercados? Talvez, mas cada um é como cada qual, não há nada a fazer! Compreendo contudo que a maioria pense de forma diferente, tenho de reconhecer que a nossa natureza humana se coaduna por vezes com a quebra de regras que julgamos terem mais lógica e com a liberdade de acção!
Parece fácil em teoria procurar auto disciplinarmo-nos, claro que na prática não é. Mas posso garantir que se trata da única forma segura a prazo de ter sucesso no mundo do trading especulativo. A aprendizagem da disciplina e frieza mecânica da não transgressão das regras nasce como lição ou consequência natural de insucessos que sofremos nos primeiros anos de actividade. Acalmar os nossos impulsos instintivos e dominar a componente emocional é a parte difícil que só os anos de traquejo ajudam a esbater e a quase eliminar, sim, porque a eliminação total só estaria ao nível de um ET sem sentimentos, tipo robô. Mas não se esqueçam, quanto mais robotizados os métodos, maiores as probabilidades de sucesso.
Qualquer um pode ter um sistema, não sei é se será sempre o mesmo ou se confia sequer no que está a seguir, mesmo que seja na cabeça, nem que seja do tipo: compro agora e só vendo se vier 2% abaixo do máximo que fizer entretanto. Ditando cada um as regras do jogo que quer seguir no mercado, os resultados irão depender estatisticamente de se usarem regras mais ou menos correctas relacionadas com a antecipação do estado emocional da maioria dos restantes jogadores!
Nunca se preocupem com aquilo que o mercado pode ou não fazer mas apenas com a orientação presente dos vossos indicadores de confiança que medem psicologicamente o mercado. Um bom sistema adapta-se sempre com regras probabilísticas de sucesso à nova realidade sempre em mutação.
Claro que não há sistemas infalíveis, se não já estávamos milionários há muito tempo, qualquer sistema erra e erra muitas vezes e quem os usa tem de estar mentalizado para essa dura realidade. Dosear perdas pequenas com deixar correr os lucros é uma das chaves dos bons sistemas, mas essas pequenas perdas são sempre um bom argumento e desculpa para não negociarem sem o seu auxílio e para os deixar de usar. Os casinos também têm fases de perdas, por pouco tempo, é certo, mas quebram pontualmente. No longo prazo está no entanto a recompensa, os lucros chorudos.
Distinguir o trigo do joio dentro do campo dos sistemas de trading também é importante. Saber se em determinada fase devemos usar indicadores de tendência ou indicadores estocásticos pode ser a resposta que muitos procuram, é por isso que eu aconselho a ter sempre muito cuidado com sistemas que dizem apenas possuir 2 ou 3 indicadores diferentes, como se fossem uma bola de cristal para adivinhar o futuro! Só a experiência vos indicará o caminho mais correcto a seguir no manejo dos indicadores mais adequados.

Em resumo, o sangue-frio e experiência sintetizados em regras precisas de anos sucessivos de transações hão-de sobrepor-se ao espírito de jogador. Aí verão que nada se irá comparar aos resultados que estavam habituados a obter.

Cem
(*) Utilizador banido do Clubeinvest

Jesse

E um post bastante interessante do Paciente
Achei que ficava bem aqui também.

Março 24, 2006, 11:57 | Paciente

Penso que todos (ou pelo menos muitos de nós) gostariam de ter um sistema de trading que fizesse todo o trabalho por nós. Liberta-nos do stress dos mercados e deixa-nos com muito mais tempo livre para gozar a vida.

O problema é que, para além dos conhecimentos necessários para a criação deste tipo de instrumento, é extremamente difícil de incorporar todas a variáveis relevantes num sistema. E antes disso há também que definir quais são essas variáveis relevantes o que também não é tarefa fácil.

Por outro lado a construção de um bom sistema pode levar anos o que nem sempre ajuda à motivação para sua criação.

Depois existem os factores de ordem psicológica. Se perdemos uma enormidade de tempo a construír e afinar um sistema de trading não é para depois duvidarmos da sua capacidade de decisão.

Confesso que gosto bastante de Análise Fundamental e tenho alguma dificuldade em basear as minhas decisões apenas em Análise Técnica. Quando estes dois tipos de análise estão em sintonia, tudo bem. O problema põe-se quando elas divergem.

Nestes casos de divergência considero que a AF é muito importante. Talvez isso tenha a ver com a minha formação académica. Economistas ou gestores de empresas provavelmente terão tendência a centrarem-se na AF para depois complementarem com a AT. Já advogados, engenheiros, médicos, arquitectos terão tendência a basear os seus investimentos apenas na AT.

Não obstante, considero que um bom sistema de trading é um auxiliar precioso. Gostava de ter um mas não tenho tempo nem conhecimentos suficientes para construír um sistema que me desse garantias de sucesso. Penso também que para negociar os mercados do OURO e da PRATA é mais importante perceber o comportamento do Cartel do que própriamente a evolução da cotação. É que os falsos sinais abundam e não sei de que forma um sistema poderia filtrar as manipulações constantes a que estes metais estão sujeitos.
(*) Utilizador banido do Clubeinvest

Jesse

#36
Inteligência emocional e Controle emocional



O conhecimento das técnicas para análise gráfica, uma leitura adequada dos fundamentais das empresas, um bom domínio da matemática, somados à uma boa experiência ao longo de anos, tudo é muito importante para vencermos neste jogo.

Mas um factor muito importante, para alguns o mais importante, é o controle emocional, dai a necessidade de escrever um pouco sobre isto.

Estamos acostumados com a definição de inteligência ligada àquela medida pelo famoso QI: raciocínio lógico, habilidades matemáticas, habilidades espaciais.

No entanto, estudos modernos mostram que outro tipo de inteligência, a inteligência emocional, é a maior responsável pelo sucesso ou insucesso de profissionais, chefes, líderes, trades.

O sucesso profissional, quer seja engenheiro ou professor, advogado ou vendedor, ou trader ou outra coisa qualquer é definido em 80% pela sua inteligência emocional e em 20% pelo QI.


Auto-Conhecimento Emocional - reconhecer um sentimento enquanto ele ocorre é a chave da inteligência emocional . A falta de habilidade em reconhecer nossos verdadeiros sentimentos deixa-nos a merce de nossas emoções.

Controle Emocional, a habilidade de lidar com seus próprios sentimentos, adequando-os para a situação. Pessoas pobres nesta habilidade afundam constantemente em sentimentos de incerteza, enquanto aquelas com melhor controle emocional tendem a recuperar-se mais rapidamente dos reveses e contratempos.

Auto-Motivação. Dirigir emoções a serviço de um objetivo é essencial para manter-se caminhando sempre em busca, para a automotivação, para manter-se sempre no controle e para manter a mente criativa na busca de soluções.

Auto-controle emocional, sabendo praticar gratificação prorrogada e contorlando impulsos, favorece aperfeiçoamento de todos os tipos. Pessoas que tem esta habilidade tendem a ser mais produtivas e eficazes.

Inteligência emocional:
auto consciência;
administração de sentimentos aflitivos;
manutenção do otimismo;
perseverança, apesar das frustrações;
capacidade de motivar a si mesmo.

Controle Emocional

Muito do que somos decorre dos nossos sentimentos. Como os nossos sentimentos podem nos levar a "GRANDES REALIZAÇÕES" ou nos lançar ao fracasso. Os nossos sentimentos são para nós mesmos compreendê-los e controlá-los. O primeiro passo é: identificar os sentimentos que nos motivam. Os pensamentos e sentimentos repetidos passam a emoções... ! As emoções devem ser controladas e dirigidas muito bem.

Controlar as nossas emoções é uma atividade de tempo integral: muito do que fazemos é uma tentativa de controlar o estado de espírito.
Tudo, desde ver televisão, ir ao ginásio e companhias que preferimos, pode ser uma maneira e nos sentirmos melhor.

(Certamente já ocorreu não conseguirmos controlar bem as nossas emoções e deixamo-nos levar pelo lado mais irracional ...)

O controle emocional depende apenas de nós mesmos, e talvez por isso seja o mais difícil de administrar.

É verdade que temos algum controle sobre as nossas emoções. Se sabemos que determinada situação nos deixa com raiva ou tristes, podemos nos afastar desse tipo de ocorrência e evitar que a emoção venha. Mas uma vez que estejamos imersos no ambiente que dispara a emoção, nossa habilidade de evitá-la é muito limitada.


Se por um lado é difícil controlar a ocorrência das emoções, por outro lado somos responsáveis por nossas ações sob a influência das mesmas.


O exercício de refletir em cada passagem, e de reconhecer os impactos que nossas ações e atitudes causam no ambiente, aumenta nossa capacidade de utilizar as emoções de maneira mais produtiva ou, em algumas situações, de forma menos negativa.

No plano do cérebro muitas vezes temos pouco ou nenhum controle sobre quando seremos arrebatados pela emoção e sobre qual emoção eclodiremos. Mas podemos ter alguma voz sobre o quanto durará uma emoção.

Para terminar e em resumo deixo um Provérbio chinês

"Se você se conhece e conhece o seu
adversário, em 100 batalhas vencerá todas.
Se você se conhece e não conhece seu
adversário vencerá apenas metade.
Mas se você não se conhece, perderá todas".



(Por vezes, o nosso advrsário é o mercado, nunca ganharemos as 100 mas poderemos ganhar algumas).



(*) Utilizador banido do Clubeinvest

Jesse

Recordar mais um post de César Borja


Análise do Sentimento de Mercado - Teoria da Opinião Contrária
15.03.2003 | 12:51:46 | César Borja


A Análise do Sentimento de Mercado revela-se cada vez mais importante no sucesso nos mercados financeiros. Por ter um carácter generalista constitui um imprescindível complemento, especialmente na análise de índices, à Análise Técnica e Análise Fundamental.


Análise Técnica ou Análise Fundamental? Se calhar nos dias de hoje, o melhor é apelar para a Análise Sentimental.

O que faz o mercado mexer? O nível das taxas de juro? Os indicadores macroeconómicos? Os lucros das empresas? Os gráficos e indicadores técnicos? Não, não é isso. Se abrirmos a caixa com o segredo do mercado vemos que estamos lá sozinhos e que apenas as nossas acções determinam os preços.

Em última análise, penso que ninguém discordará que apenas os actos dos investidores fazem com que as cotações mudem. As suas motivações podem ser de diversa ordem, as que falámos no início deste artigo ou outras, mas só os actos, as decisões de compra, venda ou expectativa, realmente têm poder para mover as cotações. E nós passamos a vida a estudar as motivações, em vez de nos concentrarmos naquilo que é essencial, que são as decisões. Na opinião contrária as motivações não têm qualquer interesse, apenas a opinião, seja ela bull, bear ou neutral, tem importância.

«The facts are unimportant! It´s what they are perceived to be that determines the course of events»

R. Earl Hadady

A opinião contrária, que tem como base a análise do sentimento de mercado, poderá ser encarada como teoria de análise de activos, com tanta ou mais validade do que a Análise Fundamental e a Análise Técnica. Este artigo irá explicar os princípios básicos da Análise do Sentimento, com particular incidência no mercado de futuros (ou warrants, ou CFD´s, em suma, produtos financeiros derivados de índices).

No entanto, mesmo para quem esteja apenas no mercado accionista, esta leitura será certa e desejavelmente útil.


1. Alguns factos pouco conhecidos

a) É sabido que cerca de 75 a 95% dos intervenientes no mercado de futuros são perdedores. Já foram feitos imensos estudos e inquéritos (principalmente nos EUA) e todos chegam a conclusões semelhantes, indicando que a vasta maioria dos especuladores perdem neste mercado.

Considerando que antes de fazer uma aposta, se tem apenas duas alternativas, short ou long (apostar na descida ou na subida), seria natural pensar-se que temos sempre 50% de hipóteses de ganhar. E considerando também que para cada contrato de futuros vencedor existe um contrato perdedor, seria normal verificar-se constantemente uma quase divisão em partes iguais entre o nº de traders que perdem e o nº de traders que ganham.

Mas os factos não revelam isso. E quando se constata que a grande maioria perde dinheiro, é preciso questionar a validade das análises tradicionais, a Análise Técnica e a Análise Fundamental. A realidade é que os futuros são um «money game», tal como as acções, e quase invariavelmente ganha quem está melhor financiado.

Analizando um pouco mais em profundidade esta questão dos vencedores versus perdedores, vamos considerar o seguinte problema:

Seja, T = Nº total de traders no mercado; Np = Nº médio de contratos detidos pelos perdedores; Nv = Nº médio de contratos detidos pelos vencedores e uma situação em que 80% dos traders perdem.

Assim, 0,8T X Np = Nº total de contratos (long e short) detidos pelos perdedores, e 0,2T X Nv = Nº total de contratos (long e short) detidos pelos vencedores.

Sabendo que o nº de contratos que apresentam lucro é exactamente igual ao nº de contratos que apresentam prejuízo, a seguinte afirmação é obrigatoriamente verdadeira:

0,8T X Np = 0,2T X Nv, o que significa que Np = (0,2T X Nv)/0,8T = 1/4 Nv

Por outras palavras, em média, um trader vencedor detém 4 vezes mais contratos do que um trader perdedor.
Verificamos assim que normalmente são aqueles que detém mais contratos, ou seja, os que têm mais capital, que no fim acabam por ganhar o jogo. E verificamos ainda outra coisa, que é o corolário da Teoria da opinião Contrária: que a maioria está quase sempre errada.

A considerar ainda que, sendo os futuros um jogo de soma-zero, tudo o que é perdido por uns é ganho por outros. Tendo em conta que 80% perdem e 20% ganham, por exemplo, vemos que os 20% de traders arrecadam o dinheiro dos 80% de traders que perdem. Está aqui a mais forte motivação para entrar neste díficil mercado: a recompensa, para quem ganha, é muito grande.

b) Junto dos traders profissionais é vulgar ouvir-se dizer que o público esta quase sempre errado. Provavelmente esta expressão deveria ser substituida por: «o público fica sem dinheiro primeiro do que nós». Isto porque muitas vezes os profissionais levam o mercado até extremos em que o público simplesmente não tem capacidade financeira para continuar a aguentar a perda e aí, só aí, tomam a posição contrária.

É preciso entender o mercado de futuros na sua essência como sendo um jogo de dinheiro em que os mais bem financiados têm vantagem. Fazer considerações de carácter fundamental ou técnico muitas vezes acaba por ser contraproducente e prejudicial. Não quero aqui advogar que a Análise Técnica e a Análise Fundamental não têm os seus méritos, mas é meu propósito salientar o papel que o sentimento deve ter na tomada de decisão.


2. Usar o sentimento para analisar os mercados

Depois de tanto ter defendido a utilização do sentimento e da opinião contrária, talvez seja chegada a altura de dizer o que é afinal o sentimento de mercado e como se faz para o usar.

O sentimento de mercado não é mais do que uma sondagem, que determina a percentagem do público que está bull (acredita na subida), a percentagem de bears (acreditam na descida) e a percentagem de neutros. Quando a população dos traders chega a um consenso, com por exemplo mais de 90% a acreditar numa direcção, está gerada uma situação em que deve ser utilizada a opinião contrária.

E isto é bastante simples de explicar com um exemplo: se 90% dos traders estão bull, significa que estão longos no mercado. Para que os preços continuem a subir, seria necessário que aparecessem mais compradores, mas já só sobram 10%. A pressão inevitavelmente acabará por passar para o lado da oferta, pois repare que 10% dos traders tem tantas posições abertas como os restantes 90%. Isto quer dizer que os 90% (bulls) são bastante mais fragilizáveis do que os 10% (bears), isto é, neste caso os bulls são mãos fracas, que com qualquer abanão fecharão a posição, enquanto os bears são mãos fortes. Quando o mercado chega a um nível extremo destes, a viragem está eminente, e a qualquer sinal o trader deverá tomar uma posição contrária à da maioria.

César Borja


(*) Utilizador banido do Clubeinvest

tiagodandre

Só um link sobre aquilo que te interessa...  ;)


"Mente e o Preço-Alvo
• Fernando Botti @ Terça-feira, Janeiro 8th, 2008 • 3:14 pm •

http://www.atrattore.com/blog/?page_id=39


Steven Pinker em seu clássico livro "How The Mind Works" traça uma completa descrição sobre o funcionamento da mente humana e como os processos evolutivos contribuiram para a sua complexa estrutura atual.

Ainda no primeiro capítulo, no texto sobre a "Engenharia Reversa da Psique" ele afirma: "...a mente é um sistema de órgãos de computação, projetados pela seleção natural para resolver os tipos de problemas que nossos ancestrais enfrentavam em sua vida de coletores de alimentos, em especial entender e superar em estratégia os objetos, animais, plantas e outras pessoas..."

E o que isso tem a ver com o assunto, mercado e investimentos ?

A evolução e a complexidade da sociedade na última centena de anos criou uma gama impressionante de novos problemas, além de outros que não eram necessariamente fundamentais para nossa sobrevivência evolutiva, esses resquícios não resolvidos promovem hoje em nós o que os estudiosos da cognição chamam de viéses de julgamento. São escolhas tendenciosas não racionais que realizamos, com prováveis resultados desastrosos, principalmente nos investimentos.

Um típico exemplo como esses mecanismos agem em nosso cérebro pode ser descrito pelo "viés da confirmação", após a tomada de uma decisão, procuramos todos os fatos, notícias, opiniões que corroboram o caminho escolhido. Não queremos estar errados. Esse é um dos principais motivos pelas saídas tardias de posições perdedoras em investimentos ou pelas reduções de preço médio.

Amos Tverku e Daniel Kahneman são os fundadores dos estudos do papel da cognição no mercado financeiro, uma área relativamente nova, no qual muitos dos primeiros resultados estão relatados no livro clássico Judgement Under Uncertainty, editados por eles e Paul Slovic.

O que torna esses resultados especialmente interessantes é a maneira como esclarecem as táticas usadas consciente ou inconscientemente pelas pessoas na vida cotidiana. Por exemplo, um dos artifícios favoritos dos ativistas de todos os naipes ideológicos é definir os termos de um debate atirando números que nem sempre têm muito a ver com a realidade para serem influentes.

Analistas e os preços-alvo.
A exaltação financeira infundada e "preços-alvo" irrealistas exercem o mesmo efeito. Ao que parece, os analistas não raro definem um preço-alvo para determinada ação, a fim de influenciar os investidores, inserindo um número na cabeça deles. (Como esses alvos tantas vezes se confundem com desejos, será que eles não deveriam ser sempre infinitos?).

A razão para o sucesso dessa hipérbole é que a maioria de nós sobre de uma deficiência psicológica comum. Acreditamos e nos prendemos a qualquer número que ouvimos, como por exemplo, rendimentos absurdos no lançamento das ações da BM&F. Essa tendência é denominada "efeito âncora" e explorarei mais detalhes em outro post. Todos esses novos dados servem para confirmar que não podemos estar soltos, a deriva em nossa mente, no mercado, estratégias fundamentas, ou melhor, sistemas automatizados evitam esse tipo de catástrofe."
"Aprenda com os erros alheios. Não viverá o bastante para cometer todos os erros." (Martin Vanbee)

"Investir em conhecimento rende sempre os melhores juros." (Benjamin Franklin)

Seykota


Sistemas automáticos de "trading"

In: Octávio Viana. "Estudos no Mercado de Capitais".  nº 1 (edição para Junho de 2007), p. 105-107





As regras de um trading plan são inúteis se utilizadas de uma forma arbitrária e se produzidas de uma forma mecânica e automática por qualquer software de advisor, na medida em que, por vezes, o sistema se distancia do momento e do contexto em que foi desenvovido e/ou do momento e condições actuais do mercado e do activo. Salvo raras excepções, que existem em modelos assentes em princípios de Inteligência Artificial e optimizados por algorítimos genéticos, dos quais falaremos mais pormenorizadamente à frente, verificamos que é muito difícil a um modelo automático de negociação clássico produzir rentabilidades consistentes e transversais a vários mercados e produtos, por um longo período de tempo (anos). Essa ineficiência acontece porque o mercado, apesar de ser sempre o mesmo, não se mostra a todos os seus intervenientes da mesma maneira e, por isso, em certos momentos, assume contornos diferentes do esperado. Momentos inesperados e de irracionalidade, que provocam desiquilíbrios não previstos.


Um modelo automático de trading clássico, apesar de criado por homens, não tem a mesma flexibilidade que a inteligência humana permite. Um sistema automático não evolui por si só, pois não é dotado de inteligência e, por isso, ao contrário do ser humano, não se adapta, falhando perante determinadas circunstâncias e mostrando-se insuficente para continuar.


Bruce Kovner (1) na entrevista que dá a Schwager, para o já referido livro Market Wizards, diz que considera improvável desenvolver um sistema automático de trading que substitua um bom trader. Considera que tal sistema teria de ser extremamente evoluído e que os computadores só são bons para apreender quando a informação é clara e precedente. Por isso, e como as regras do sistema estão em constante mudança, os sistemas automáticos são maus candidatos a traders. Kovner diz que as decisões de trading andam a compasso com muitos tipos de conhecimento e as regras de interpretação da informação estão sempre a modificar-se.



Se pensarmos no jogo de xadrez em que o computador confronta o ser humano, que podemos comparar ao trading no mercado de capitais com recurso a sistemas automáticos, verificamos que a única capacidade da máquina é não cometer erros. Já o ser humano usa uma abordagem kantiana: juízo reflexivo, uso regulativo e analogia da finalidade. O ser humano não procura, exaustivamente, todas as variáveis possíveis e não joga de acordo com o cálculo mais favorável que resulta dessa análise, como acontece com o computador; procura, antes, traçar um objectivo a atingir, joga e define a sua estratégia em função dessa posição que quer ocupar



Desta forma, o ser humano, ao contrário do computador que analisa jogada a jogada, não resolve um novo problema em cada lance, mas propõe problemas que não são previstos e planeia em função disso, conseguindo uma ampliação da racionalidade, não constrangida pela lógica analítica.



O computador é um mero executante, não tem capacidade de planear em função de imprevistos que falham no modelo de avaliação. Simplesmente, limita-se a resolver os problemas com recurso a soluções contigentes, como se cada lance fosse o início de um novo jogo, no qual as posições futuras a ocupar se apresentam como o resultado do cálculo da probabilidade daquela, por ser a posição mais favorável.



No mercado de capitais e na execução de um trading plan, assim como num jogo de xadrez, existe a necessidade de se traçar um objectivo concreto e planear em função do que se pretende e não o contrário (traçar um objectivo de acordo com o planeado). Além disso, o sistema não tem habilidade para ver para além do que está programado, por isso, diz-se "cego à casualidade", enquanto o ser humano consegue analisar através de padrões visuais e conceitos empíricos reiterados pela experiência (por exemplo, suportes e resistências), não se fixando por aí. Além de reconhecer padrões, também revela uma capacidade para indentificar padrões nunca antes observados (novas condições). O smart money é magnânimo no que diz respeito ao mercado e finta até o sistema automático mais perfeito.



Um exemplo da ineficiência que atinge os sistemas automáticos deriva, como já vimos, da incapacidade do modelo para planear e se adaptar de acordo com um objectivo pré-determinado.



Num sistema de trading automático, em que fosse definido um stop loss e um price objective, por exemplo, apenas de acordo com uma equação de risco vs. recompensa ou outro qualquer pressuposto, retirando da equação a característica particular do activo (volatilidade, tendência, força, etc.), correríamos o risco de activar stop losses despropositados.


Como seria, por exemplo, utilizar um stop loss muito próximo do preço de entrada no mercado num momento de grande volatilidade, ou colocá-lo acima de uma linha de suporte de uma forma automática ou arbitrária sem nenhuma razão aparente. Um sistema automático clássico não tem capacidade para identificar certos padrões visuais, que, no caso, são necessários.

Evidentemente que um sistema automático pode ser usado e serve mesmo para demonstrar a necessidade de um trading plan e ajudar na disciplina, mas não pode ser inflexível. Para isso, a componente da racionalidade humana tem de participar, o que nos leva a concluir que um sistema não pode ser 100% automático...





1-Bruce Stanley Kovner é o fundador e presidente da Caxton Associates, LLC, um dos maiores hedge funds, e também presidente da American Enterprise Institute, um instituto de pesquisa (think tank) que aconselha a administração Bush em vários assuntos do dia-a-dia. Kovner fez o seu primeiro trade com recurso ao crédito do seu MasterCard e investiu em contratos de futuros sobre o feijão. Hoje é o 111º homem mais rico do mundo de acordo com a Forbes (2003) com uma fortuna avaliada em 1.8 biliões de dólares. 
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